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Frases de Murilo Melo

442 frases

Daqui a mais ou menos quinze dias, você vai se apaixonar por mim pra valer. Você vai rir das minhas complicações. Vai aturar minha bipolaridade. Vai aceitar meus berros e meus surtos incontroláveis. Vai admitir meu ciúme. Vai segurar a minha mão e dizer: eu estou com você a todo…
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Daqui a mais ou menos quinze dias, você vai se apaixonar por mim pra valer. Você vai rir das minhas complicações. Vai aturar minha bipolaridade. Vai aceitar meus berros e meus surtos incontroláveis. Vai admitir meu ciúme. Vai segurar a minha mão e dizer: eu estou com você a todo momento. E eu, insuportavelmente encantado segundo a segundo, vou acreditar que você nunca vai enjoar de mim e nem vai embora.

Não tenho muita certeza se chegou a ser amor mesmo, mas toda vez que alguém me pergunta sobre quem eu sinto falta, eu sempre dou um sorrisinho cabisbaixo e me lembro do seu jeito, do seu sorriso, dos seus olhos. E assim, meio desajeitado, me lembro do modo como você fala, do seu…
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Não tenho muita certeza se chegou a ser amor mesmo, mas toda vez que alguém me pergunta sobre quem eu sinto falta, eu sempre dou um sorrisinho cabisbaixo e me lembro do seu jeito, do seu sorriso, dos seus olhos. E assim, meio desajeitado, me lembro do modo como você fala, do seu jeito de ficar bravo, do jeito que me chama, das suas manias engraçadas. Eu me lembro de você. Do quanto você tomou um espaço enorme no meu coração, do quanto você faz parte de mim e ninguém consegue tirar. Lembro do quanto eu luto, mesmo longe, pra te ver bem.

Mas não faz desse jeito. Não me olha com essa cara de bobo e diz que me quer. Não faz a cidade inteira ficar desinteressante porque estar com você é mais surpreendente. Não transforma assim a minha vida numa coisa mais fácil e divertida. Não me deixa com essa sensação absurda de…
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Mas não faz desse jeito. Não me olha com essa cara de bobo e diz que me quer. Não faz a cidade inteira ficar desinteressante porque estar com você é mais surpreendente. Não transforma assim a minha vida numa coisa mais fácil e divertida. Não me deixa com essa sensação absurda de que sou feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é perda de tempo.

Eu moro no quarto andar e ele no terceiro. Eu tenho quase um mês nesse prédio e ele parece ter nascido aqui. Eu vou ao banco, ao supermercado, volto do cinema e faço uns trabalhos da faculdade na casa da Fê. Ele loca uns filmes, aos sábados, na vídeo-locadora do seu Geraldo; lava…
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Eu moro no quarto andar e ele no terceiro. Eu tenho quase um mês nesse prédio e ele parece ter nascido aqui. Eu vou ao banco, ao supermercado, volto do cinema e faço uns trabalhos da faculdade na casa da Fê. Ele loca uns filmes, aos sábados, na vídeo-locadora do seu Geraldo; lava o carro do pai na frente do prédio e sai com uns amigos da Zona Sul e tal. Mas a gente nunca se encontra e nunca se fala e nunca se olha e nem nada. Pra falar a verdade, ele nunca reparou em mim. E eu torço, assim, pra que do nada, a gente se esbarre na escada ou fique preso no elevador. Eu sei o nome dele. Quer dizer, eu ouvi a dona Luíza, a sindica do prédio, reclamar da última festa que ele deu e o chamou de Bernardo. Ele tem cara de festa e tem cara de Bernardo. Voltei pra casa nesse dia e fiquei pensando no nome dele antes de dormir e na cara de festa dele pra não dormir. E fiquei pensando como a mãe dele deve gritar o nome dele e como os outros meninos com cara de festa devem pronunciar o nome dele e como eu possivelmente falaria o nome dele, assim, num encontro repentino no metrô, numa tarde em uma confeitaria, numa despedida qualquer ou até mesmo pra reclamar da saudade. E fiquei pensando muito em como o nome da gente se combina e como a inicial do nome dele me lembra beijo e como isso e como aquilo. Mas aí depois eu lembrei que ele nunca reparou em mim. Nunca reparou que eu finjo falar ao celular só pra chamar atenção dele. Nunca reparou que eu o olho, pela canto dos olhos, enquanto ele está distraído no elevador. Nunca reparou que atrás das cortinas da janela do meu quarto tem uma sombra, que sou eu quem perde o sono pra vê-lo tocar violão nas madrugadas. Nunca percebeu que eu só apago as luzes do meu quarto quando ele apaga as do quarto dele também. Nunca deve ter sentido eu apertar o travesseiro e ouvido desejar boa noite. E ele não sabe que eu sei, mas eu conheço a marca da roupa que ele usa. Sei de cor o perfume, as cores e os endereços que frequenta. E sei que ele adora o All Star verde, mas aos domingos prefere calçar as Havaianas 42. E eu conheço tudo, tanto nele, tudo nele, sem nem conhecer. Porque ele não é só um cara do meu prédio, não é só um cara do terceiro andar, não é só um cara que calça Havaianas 42. Ele é aquela sensação de que pela primeira vez na vida alguma coisa pode dar certo. Ele é aquela sensação de friozinho na barriga que causa ansiedade. Ele é tudo o que eu quero hoje e até onde o pra sempre der.

No final do dia, volto pra casa, cansado, encosto a cabeça na janela do ônibus e começo a lembrar da gente de todas as maneiras possíveis. Então, rindo sozinho e depois formando lágrimas nos olhos, consigo entender que nunca vou esquecê-lo. Eu não ia admitir, mas vou confessar qu…
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No final do dia, volto pra casa, cansado, encosto a cabeça na janela do ônibus e começo a lembrar da gente de todas as maneiras possíveis. Então, rindo sozinho e depois formando lágrimas nos olhos, consigo entender que nunca vou esquecê-lo. Eu não ia admitir, mas vou confessar que morro de saudades de tudo, principalmente das coisas mais bobas e mais engraçadas. Tenho saudade da gente brigando pelo último pedaço da pizza, de acordar sua mãe porque rimos muito alto de coisas aleatórias no meio da madrugada, do seu quarto sempre bagunçado, da cara feia que você fazia quando eu pedia pra ir ao banheiro quando estávamos indo embora de uma festa. Da paciência que você tinha com meus quase seis anos a menos, da mania que você tinha de esquecer a chave do carro nos lugares. Sinto saudade de levar sua toalha enquanto você tomava banho e de quando você fazia cócegas no meu pé, no escuro, e murmurava baixinho: eita, olha como esse menino é só drama. E eu sei que isso que eu sinto não é um sentimento possessivo. Não escolhi sentir saudade dessas coisas. De vez em quando bate uma saudadezinha. Às vezes é leve, às vezes é pesada demais, e eu vou levando.

Vou admitir que o finalzinho do dia, por mais que eu invente trilhões de coisas pra fazer, é o que mais dói. Era a hora que eu chegava em casa e contava minuto a minuto da minha rotina estressante, das coisas engraçadas, das coisas absurdas. Era a hora em que eu contava com a sua…
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Vou admitir que o finalzinho do dia, por mais que eu invente trilhões de coisas pra fazer, é o que mais dói. Era a hora que eu chegava em casa e contava minuto a minuto da minha rotina estressante, das coisas engraçadas, das coisas absurdas. Era a hora em que eu contava com a sua atenção.