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Frases de Murilo Genehr

12 frases

⁠preso aqui dentro por todo esse tempo e lá fora
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⁠preso aqui dentro por todo esse tempo e lá fora ainda é tudo que eu tenho.

⁠Mochila velha vazia Boca seca e uma obra toda pra acabar. Escapulário enosado
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⁠Mochila velha vazia Boca seca e uma obra toda pra acabar. Escapulário enosado Da mãe que mandou o filho rezar Espírito de menino na terceira série Lento nas contas, inerte na tábula Olhar distante do quadro, virado pra janela Sem a vontade de ninguém Pé que afunda na beira da praia Correndo pra longe do povo, que ocupa toda a areia Deixaram todo o mar Pra quem não sabe nadar Santo chamado na desgraça e esquecido na prece Deixado de fora do altar De um nome gritado e lançado A padroeiro do vazio Rosto cansado do eterno aguardo Nunca soube o que era, mas sempre esteve pronto Pronto. Pra alguém que pediu a permissão e nunca quis entrar.

⁠Avisei que ia ter o dia do corre. E que ninguém ia pegar. Foragido fica como está.
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⁠Avisei que ia ter o dia do corre. E que ninguém ia pegar. Foragido fica como está. Quem não tem casa, foge pra qualquer lugar. Avisei que ia ter dia do porre. Chutado pra fora, depois das três. Na mesa a pinga, no chão o rapaz Já era 13, ainda tava deitado. Avisei que ia ter o dia da virada. Do ano velho pro ano do velho Reclame e memória. Lembrança de quand(t)o valia viver. Avisei que ia ter o dia da seca. De quem não pode nem com o cheiro. Na memória é a porta fechada. Gosto só de remédio. Avisei que ia ter o dia do choro. Por coisa que até que passa. Porque se não passa, não tem jeito. Já foi o dia do corre.

⁠Pra quê tanto vidro na porta do mercado? Entra a luz que não ilumina ninguém O povo de pé, do lado de fora
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⁠Pra quê tanto vidro na porta do mercado? Entra a luz que não ilumina ninguém O povo de pé, do lado de fora Descalço, esfregando o pé no tapete Até tirar a cor Pra quê tanto vidro na porta de casa? Todo mundo tá dentro, sem nunca ter entrado Como se ser fosse só aparecer Palco montado, sem turnê Só pra vizinho ver Pra quê tanto vidro na porta do peito? Vai pegar toda poeira que o vento jogar Quando alguém quiser, vai largar Deixar só a marca dos dedos E chuva vai bater, escorrendo feito lágrima. Pra entrar, tem que quebrar.

⁠Cabeça baixa De quem olha o pé descalço Calo no dedo, costura o furo da calça
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⁠Cabeça baixa De quem olha o pé descalço Calo no dedo, costura o furo da calça Camisa nova só em dia inseguro Adiante Até a próxima quadra Vira a esquina Te vejo no mês que vem Liga de orelhão, zera o cartão Com a foto do rio Pra onde nunca mais foi Mal lembra o que viu Recorde, feito Roberto no divã Um dos teus nomes Vou pra casa, esperar a ligação Esquecendo que você zerou o cartão Vou atrás do que ficou No meio da briga de gravata Adiante Até o final da quadra Irmão, guarda o cartão Tá vazio, mas tem foto do Rio E você, dá a volta Nem que seja na quadra. Dá a volta. E volta