A desilusão é o fracasso da expectativa.
Frases de Moog Laet
38 frases
Quando caiu a tarde já era anteontem outra vez.
O VIOLINISTA, O BANDONEON E A MENINA RUIVA - O Sena insistia em passar indolente pontes abaixo levando consigo sonhos, beijos e amores. Seguia curva após curva para se entregar ao seu destino na imensidão pacífica de L'Havre.
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O VIOLINISTA, O BANDONEON E A MENINA RUIVA - O Sena insistia em passar indolente pontes abaixo levando consigo sonhos, beijos e amores. Seguia curva após curva para se entregar ao seu destino na imensidão pacífica de L'Havre. Sob cada ponte uma sinfonia e nas margens a ausência de orquídeas, mas a presença secular de tantas juras e confissões ali contidas e sublimadas, naquelas aguas lá de ouro nascidas. Ia firme a tarde no seu diário ajuste da luz. De longe vinha a alma de um violinista traduzida em notas de aventureiros ares e transbordando de intenções. Era um som indecifrável, hora insinuando choro, hora excitação. Tinha firme o compasso, mas perdia-se no arranjo, assim como certamente estava perdido o violinista na sua paixão. Ventava. Um assovio imitando laminas cortava o ar, e vagava, perdia-se entre aqueles velhos casarões, encontrava-se em tantas seculares esculturas, buscava outros tons, ensaiava e sonhava em ser um bandoneon. Faltava na composição da cena a clareza a que se referem os sentimentos quando se perde a inocência. O violinista absorto nos seus acordes de repente recebeu de chofre aquele assovio como um coice, assim atordoado voltou ao chão pensando estar ouvindo um bandoneon. E era, mas não era apenas um bandoneon, era uma menina ruiva tocando um bandoneon. A música era linda, etérea como era a menina ruiva, assim como se tivesse se desprendido do céu. Tinha um poema em cada acorde e o bandoneon sabia disso e se resfolegava para fazer jus à maestria da sua ruiva tocadora. Inebriado o violinista solava, sonhava, voava, agora perdido sem saber se a seguia em pizzicato ou se mantinha o arco em seu Mi-Lá-Ré-Sol sonhando. O bandoneon parecia não estar sendo tocado, ele jorrava as notas de tão sublimes, suaves e oníricos eram os gestos da menina ruiva, que vivaz dançava com a cabeça botando em alvoroço aquela cabeleira esvoaçante, levando às alturas a imaginação dos que conseguiam senti-la. Lá no horizonte, ornado com uma cupúla, várias abóbadas e um plátano, a lua mostrava sua intenção prateada de banhar Paris em mais uma noite enluarada, ia subindo no céu de mansinho e parecia ansiosa por descobrir de onde vinha aquela musica, que mãos a estava tocando, quem a estaria inspirando. A lua mostrou uma pontinha de inveja quando pareceu notar que tinha uma menina ruiva tocando bandoneon acompanhada por um violinista apaixonado beliscando em pizzicato as notas de uma paixão. O Sena seguia seu curso, sem as orquídeas que poderiam enfeitar suas margens, com raios da lua ferindo seu vagar, com aquela musica inebriante, parecendo carícias de um amor que se quer guardar. Era já outono, quando tudo parece querer ficar dourado, menos a lua prateada, e de contraste somente a colorida alegria da menina ruiva do violinista que apaixonado se anestesiava em vê-la tocando o bandoneon. Folhas dos plátanos, as amarelas de timidez, as vermelhas de paixão, atiravam-se ao vento, umas sem saber para onde ir, outras buscando o Sena para chegarem no mar. As folhas de plátanos no outono são como todos os aventureiros, e como todos os apaixonados, entregam-se sem saber em que mãos, guiam-se apenas pelo coração. Já alta a lua no céu dependurada, a menina ruiva insistia em tocar seu bandoneon acompanhada em bemol pelo violinista apaixonado ao seu redor. Ele na busca de alcança-la e ela na ânsia de ser alcançada, caminhavam os dois com propósitos opostos, ele de correr, ela de parar, mas nem um nem outro firme no seu intento, ou por medo de não se reconhecerem, ou por timidez de se entregarem. Assim seguiam como o Sena, com suas ondas de sons, suspiros de ilusões e um desejo enorme de se enroscarem na próxima curva antes de explodirem no mar. Não tardou o encontro, foi mesmo ali no chafariz da Place de La Concorde, ele fez um gesto de beijá-la e ela desvaneceu entre a suave bruma que se espalhava pela imensidão. A menina ruiva sumiu, o bandoneon ficou mudo e desapareceu também, o violinista apaixonado chorou, chorou até lentamente começar a tocar uma valsa de ressurreição, e girou, girou até cair bêbado de amor e se perder na alucinação.
A estupidez é uma faceta dos seres humanos e permeia todos os grupos sociais. Seu limite é a intolerância, que é uma faceta da estupidez.
Na frente de uma estatua De que valeu a vida em grande pompa Pra acabar assim
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Na frente de uma estatua De que valeu a vida em grande pompa Pra acabar assim Imovel numa praça Todo cagado de pombas?
A água do lago A água do lago A flor na água do lago
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A água do lago A água do lago A flor na água do lago O peixe no meio da flor no lago Nada despercebido passa no lago
Mundo afora Os mercados do mundo São no fundo todos iguais
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Mundo afora Os mercados do mundo São no fundo todos iguais Iguarias, produtos frescos, carnes e vegetais Uma banca de artesanato Aquarelas, madeiras, metais Umas barracas de comidas E toda gente a circular A gorda, a novinha o playboy Olhando com ânsia o que há para comprar Mas lá no fundo de cada um há uma busca Consciente ou inconsciente Pequenina ou infinita De um grande amor encontrar St. George Market 03/07/2016 Belfast
Para ser melhor O caminho da purificação não deve ser tomado como um castigo, embora traga consigo privações. Estas sim é que importam, pois somente face as privações é que se consegue transcender e descobrir a força interior que se tem e fazer aflorar os sentimentos mais genuí…
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Para ser melhor O caminho da purificação não deve ser tomado como um castigo, embora traga consigo privações. Estas sim é que importam, pois somente face as privações é que se consegue transcender e descobrir a força interior que se tem e fazer aflorar os sentimentos mais genuínos.
Assim é O tempo, Esse acaba com a gente
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Assim é O tempo, Esse acaba com a gente Não deixa de ser como é Quando mudamos de lugar As horas, essa invenção do tempo Mudam e brincam com a gente Vão para frente e para traz Feito uma onda mas não do mar O tempo, Esse ente invisível que nos aniquila Brinca de brincar conosco O bom é que temos as opções De achá-lo mau Ou de brincar com ele O que é de mais valia. Belfast 3/7/16
De que somos feitos Não há na verdade um destino Há um caminho que se define passo a passo
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De que somos feitos Não há na verdade um destino Há um caminho que se define passo a passo Cada um de nós fazemos nosso caminho Só o que não sabemos É que o fazemos desde que nascemos Cada passo conduz a outro de mesma intenção Somos todos feitos de intenções As boas e as más E assim somos regidos O resto é tudo ilustração Amores Aventuras Sonhos Desejos Nada tem a ver Com a essência das nossas intenções.
Esperando há horas É tanta saudade Que até o relógio na parede
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Esperando há horas É tanta saudade Que até o relógio na parede Tem estado com dó de mim...
Um poema Os sapos numa libidinagem teimosa Enchiam a lagoa de sussurros e gemidos
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Um poema Os sapos numa libidinagem teimosa Enchiam a lagoa de sussurros e gemidos Não foi diferente quando ela me arrebatou Chegando sem ser esperada Desatinada se atirando e me consumindo Jogando seu amor aos montes sobre mim Ela que chegou assim tão afoita Fez de mim seu servo e eu amei Mas de repente acordo e sinto O quarto com o cheiro dela A cama ainda com a marca do seu corpo nu E em cima do criado mudo do meu lado da cama Um bilhete escrito num papel branco Com o batom que me beijou ontem a noite Dizendo: Adeus, não ti esqueças de mim. E como é que eu poderia Deixar repentinamente de amar você Depois de todo o arrebatamento Que intrusa você usou para me fazer ti amar?
De luz e escuridão A luz define as formas e as cores Deixa pouco para nossa imaginação
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De luz e escuridão A luz define as formas e as cores Deixa pouco para nossa imaginação Já a escuridão é uma tela virgem Que aceita tudo que imaginamos.
Desvario Faço de conta que não entendo Estou fora, fui alí
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Desvario Faço de conta que não entendo Estou fora, fui alí Perco me nas minhas alucinações Vou fingindo que entendo Eu vou fazendo de conta que invento Eu vou passo a passo buscando O improvável e indivisível O que poderia ter sido Aquilo que traria de novo o amor Eu acho que me perdi nas minhas buscas Traz-me ó luz que conduz meu destino Tua mais sincera recomendação Faz me sentir o amor que tanto busco Traduza para mim o teu sentimento E deixe-me saber se sou teu como querias 081018