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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

Menina sarada Varou a madrugada Não foi conquistada
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Menina sarada Varou a madrugada Não foi conquistada Amanheceu de pá virada. Pensou que a vida não vale nada Amou e não foi amada Pelo destino foi goleada A depressão a deixou desanimada Gritou por socorro desesperada Silenciou, não viu mais nada, Como indigente foi sepultada.

Madrugadas Verdes Eram tempos ocultos, Protegidos em codinomes
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Madrugadas Verdes Eram tempos ocultos, Protegidos em codinomes davam a noite um perfume exclusivo, Cheiros sempre alusivos momentos de se ler em livros. Amigos, mulheres e homens. Era um mundo de paz escondida, de aluno virar professor, de ruas desertas e gritos descompromissados, de sonhos acordados, de soldados alienados, de desejos enfileirados, de madrugadas verdes e silenciadas, de serenatas até onde a voz alcançava, de vilões com seus violões De militares chegando feito assombração. Um tempo em que se ria sem emoção.

Naftalina Vestiu-se cheirosa de naftalina No âmago um sonho dos tempos de menina.
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Naftalina Vestiu-se cheirosa de naftalina No âmago um sonho dos tempos de menina. No toca fitas o som da ilusão Um gosto frio de café. Um ruído sem refrão Cheiro mofado de cabaré. Uma algazarra de todo lado Lábios duplos avermelhados Fumos da sala pelo ar espalhado. No armário suas nove horas. Uma voz bêbada e um trocadilho hilário. Teve o remorso corroendo Frustrou o sonho de ser amada Suicidou-se tanto Que acabou morrendo.

Muitos amores deixarão de existir antes do amanhecer. Alguns na tradicional versão da sarjeta, Outros como na tragédia encantadoramente brega de Titanic.
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Muitos amores deixarão de existir antes do amanhecer. Alguns na tradicional versão da sarjeta, Outros como na tragédia encantadoramente brega de Titanic. Contudo o sol trará a certeza de que uma nova história poderá ser criada. Talvez prática e breve ou romântica a ponto de ser eternizada. Seja como for, o final não se pode definir ao começar. Que seja um feliz começo e o final o reflexo dos seus desejos.

Prefiro pessoas que tem o mesmo sorriso na frente ou atrás das câmeras. Que sentam comigo na mesa mesmo sabendo que não tenho como pagar. Que mesmo preferindo a areia não me impeçam de entrar no mar.
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Prefiro pessoas que tem o mesmo sorriso na frente ou atrás das câmeras. Que sentam comigo na mesa mesmo sabendo que não tenho como pagar. Que mesmo preferindo a areia não me impeçam de entrar no mar. Gente que estende e aperta a mão com vontade. Que tem brilho nos olhos e na alma e, ainda assim, vive sem ostentar. Que se ajusta ao ambiente sem mudar o humor. Que abraça o porteiro, o manobrista e o mensageiro com a mesma intensidade com que abraça o doutor. Gente que tem a senha dos sentimentos tatuada nas suas ações. Que são inteiras em qualquer situação. Gente iluminada que quer te ver feliz de verdade. Pessoas querida que valorizem a simplicidade da vida. Que levam e te dão um pouco de vida.

Vem... Vamos. Chamou seu cachorro meio incrédulo da vida. Ao ajoelhar-se para acariciá-lo, sentiu o desconforto da cintura maior. Queria outros ventos. Buscava uma vida sem rodeios e pessoas sem “nove horas”.
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Vem... Vamos. Chamou seu cachorro meio incrédulo da vida. Ao ajoelhar-se para acariciá-lo, sentiu o desconforto da cintura maior. Queria outros ventos. Buscava uma vida sem rodeios e pessoas sem “nove horas”. Estava farto de lirismo comedido, tanto quanto Bandeira. E ao rasgar a foto em que usava gravata, talvez buscasse repetir Getúlio e entrar para a história ou, no fundo, no fundo mesmo, desejasse ser o Policarpo. Contudo trocou de roupa. Lustrou os sapatos. Abriu a geladeira, devorou meia fatia de melancia rapidamente. Segurou com a mão direita o blusão no ombro esquerdo. Uma última olhada no espelho. - Outra pessoa - concluiu. Nem percebeu a marca de patas no jeans. Fechou a porta deixando a luz da sala ligada. Não voltaria para apagá-la. Com pequenos assovios chamou Serelepe: - Vem... Vamos...

Palco Seja palco por um momento... Faça você à cena,
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Palco Seja palco por um momento... Faça você à cena, Solte a imaginação aproxime-se da plateia deixe só a metáfora te distanciar. Agradeça ao público mande beijos para as críticas, aperfeiçoe só o possível não endureça, seja sensível. Quem não sente não chora, Mas também não vive.

Suave e leve como o pouso da borboleta a brisa cobriu a vida, embaçando o vidro cristalino.
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Suave e leve como o pouso da borboleta a brisa cobriu a vida, embaçando o vidro cristalino. Pela fresta da janela o vento vira a página do livro aberto. Cheiro de flor penetra minhas narinas. Alguma deve existir por perto além do ipê florido que desapareceu. Ao longe um latido acompanha a imaginação romper o véu e sumir. Ancorado sou escondido pela minha respiração esbaforida na vidraça. Dia agourento pesado e cinzento passando... Se tivesse trilha sonora seria melancólica e triste... Triste como tango.