Frase de Moacir LuÌs Araldi
Vem... Vamos. Chamou seu cachorro meio incrédulo da vida. Ao ajoelhar-se para acariciá-lo, sentiu o desconforto da cintura maior. Queria outros ventos. Buscava uma vida sem rodeios e pessoas sem “nove horas”. Estava farto de lirismo comedido, tanto quanto Bandeira. E ao rasgar a foto em que usava gravata, talvez buscasse repetir Getúlio e entrar para a história ou, no fundo, no fundo mesmo, desejasse ser o Policarpo. Contudo trocou de roupa. Lustrou os sapatos. Abriu a geladeira, devorou meia fatia de melancia rapidamente. Segurou com a mão direita o blusão no ombro esquerdo. Uma última olhada no espelho. - Outra pessoa - concluiu. Nem percebeu a marca de patas no jeans. Fechou a porta deixando a luz da sala ligada. Não voltaria para apagá-la. Com pequenos assovios chamou Serelepe: - Vem... Vamos...
No pensador.ai desde