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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

⁠Vejo o campo e a vegetação e as ruínas
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⁠Vejo o campo e a vegetação e as ruínas do que foi uma cerca. Em meio à grama um osso pelado pelos cachorros. Aqui se vê a pobreza e se sente a fome, talvez o homem não se alimentou e fugiu talvez não resistiu, há corvos aqui não é um bom lugar ― definitivamente não.

⁠O olhar preso ao futuro, ao amanhã
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⁠O olhar preso ao futuro, ao amanhã as certezas derramando como um copo de água na toalha escorre a vida pelo chão invade ruas, casas, corações e o sorriso da moça da janela, mas lá está a árvore sob as suas sombras gotejam dores em almas verdes de porvires incertos.

⁠Às vezes a planta é em terra infértil e nada floresce
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⁠Às vezes a planta é em terra infértil e nada floresce somente há a poeira que o vento levanta. Deuses, desertos desilusões lenha ardendo em estalos deprimidos esses meses são tão compridos as cinzas rondam os olhos ardidos avermelhados perdidos em tempos em que as árvores avançavam sobre a cerca ― abundantes de frutos. Se foram os pomares se foram os jardins se foram as sombras dorme a natureza assim como durmo saudades em mim.

⁠Mar, maresia, vento, areia... linda sereia!
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⁠Mar, maresia, vento, areia... linda sereia! a gaivota enche o peito de ar e voa ela sabe amar ― à beira-mar. Mar tão nobre quanto ardil havia aqui um barco a maré o levou sentado na areia fico a me perguntar se ainda navegarás. ou estarás ancorado na ilusão de um marinheiro. Meu peito, ― feito ilha ― aperta de saudades!

⁠Difícil semear neste tempo
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⁠Difícil semear neste tempo desmatado canteiros ficam desertos rios padecem secos ou afogados é angustiante e a pele arde sob o sol escaldante árvores… somente ausentes ou distantes.

⁠Já colhi soja, quando menino antes da mecanização
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⁠Já colhi soja, quando menino antes da mecanização era meio tosco; ai de quem largasse um dos pés descalços sobre o toco recém-cortado doía e não era pouco. Soja vira óleo e você usa vira ração e seus bois engordam vira margarina eu nem gosto vira dinheiro, mas é para poucos.

⁠Nas formas o pão cresce como crescem as crianças ― e a esperança ―
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⁠Nas formas o pão cresce como crescem as crianças ― e a esperança ― no outro extremo a fome fomenta as misérias onde há pão crescendo não deve haver ganâncias, mas logo ali, no movimento, não é a mesma coisa se compra o pão se compra o silêncio se compram almas o preço na etiqueta precifica a consciência no canteiro central o beija-flor salva o dia.

⁠Com luz lidam as formigas; com trevas dormem
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⁠Com luz lidam as formigas; com trevas dormem folgam as folhagens nesse ínterim não demora se renovam a natureza rejuvenesce e a roseira desgraçada por elas renasce e floresce aromatizada desconsidera a agressão ― não foi nada. a até a agressora fica mais perfumada.

⁠Borboleta abre as asas ― suave ― quase uma declaração
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⁠Borboleta abre as asas ― suave ― quase uma declaração de amor a poesia voa, além dos girassóis, é frágil, mas destemida ― voa ― quase sem peso quase sem pressa colore ares e rios e matos e tudo amacia o mundo e os corações com sua delicadeza quando ela nos deixa o rio segue seu caminho um pouco mais triste um pouco mais sozinho.

⁠Nada além de uma fruta ― só uma ― na árvore
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⁠Nada além de uma fruta ― só uma ― na árvore enganando o vento desacompanhada no enorme galho dona de si! livre ― totalmente livre ― sem vizinhos sem riscos? atrevido, o pássaro ― solitário e solidário ― ali fez seu ninho adeus, solidão! agora pode ouvir o lindo canto dum passarinho!

⁠A ventania chegou rebelde ― tudo balançou ― foi geral a tremedeira
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⁠A ventania chegou rebelde ― tudo balançou ― foi geral a tremedeira sopros assustadores... a terra em fuga encheu o ar de poeira nuvens escuras cobriram de medo o universo não foi dia de inspiração nem de compor versos a água inundou a paisagem, as casas e os corações os pátios, os jardins os porões choveu tanto tanto, mas tanto que os rios soluçaram em áreas desconhecidas dentro de cada peito humano vertiam tristezas e o barco da saudade partiu ― lotado.