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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

⁠Tenho tempo (e gosto disso) fecho um livro
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⁠Tenho tempo (e gosto disso) fecho um livro e abro outro. Gosto do tempo porque me permite ter preguiça me permite deixar algo inacabado e mesmo assim relaxar agora mesmo eu estava lendo Jorge; o Amado Jubiabá pra lá Jubiabá pra cá adormeci Além dos Girassóis 65 o tempo me permite a lentidão Jubiabá pode esperar daqui a pouco abrirei Broquéis e Faróis em qualquer página um soneto outro e mais outro... mas antes um café, pois o vício, o vício tu sabes como é.

⁠O poeta me pede uma lista de amigos sim, tive muitos, mas onde eles estarão?
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⁠O poeta me pede uma lista de amigos sim, tive muitos, mas onde eles estarão? Busco nas memórias juvenis nas lembranças escolares no quadro da formatura vejo tantos especiais nos lugares onde trabalhei havia tantos, como eu, jovens, de vida e de sonhos ainda os tenho no coração, mas eu não sei, não sei mais onde eles estão.

⁠Recordo teus dias e sei que me queres feliz. A emoção
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⁠Recordo teus dias e sei que me queres feliz. A emoção bate à porta ― disfarço ― não sou mais aquele menino que não sabia sorrir. Olho o céu onde te imagino (sem poesia nenhuma) sinto a tua mão estendida. Digo que te amo sei que me ouves teu carinho invisível me sustenta no bom caminho. ― Sigo ― me deste a vida e mesmo ausente segues comigo.

⁠Vou tirar os fones a melodia externa é a que mais me consome
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⁠Vou tirar os fones a melodia externa é a que mais me consome chove intenso é noite de orgias pingos molhados gargalham energias noite de amor gotejam as torneiras do vinho e as trovoadas arrancam rolhas de espumantes é noite de charcos de relâmpagos faiscantes de entrelaces de amantes é noite e chove tudo está distante.

⁠As coisas da casa são vivas sempre saem do lugar sem nenhum constrangimento
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⁠As coisas da casa são vivas sempre saem do lugar sem nenhum constrangimento um dia desses as cadeiras (todas elas) se afastaram da mesa os brinquedos se espalharam, as revistas se jogaram ao chão, as almofadas saltaram do sofá, até o controle da TV tentou o suicídio e a notícia saiu ao vivo, o socorro chegou rápido e foi tudo resolvido aos demais veículos que querem informações a porta da frente responde: foi só um mal-entendido.

⁠Ficou no closet meu perfume de juventude junto às lembranças que hoje
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⁠Ficou no closet meu perfume de juventude junto às lembranças que hoje assustadoramente me ignoram. As antigas expectativas hoje são histórias fúteis. Sim, ficou no armário meu perfume de juventude. Tornei-me monstro daquele menino meigo de outrora. Findaram-se as bandeiras que defendi pela vida ― inteira. Tornei-me fragrância ― envelhecida.

⁠Quarto estranho noite enorme e solitária dá para ver, lá fora,
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⁠Quarto estranho noite enorme e solitária dá para ver, lá fora, branqueando tudo poucos vultos na rua alguns ruídos distantes a luz fosca externa e o vento soprando mostram-me que tudo é longe não conheço ninguém aqui sento-me na cama minúscula doem-me os ossos dói-me a cabeça há uma televisão antiga um lustre empoeirado uma toalha no banheiro olho para a porta ― poderia alguém bater? estou só não durmo não sonho espero amanhecer (só mais um dia) e o caminho me levará de volta a próxima noite parecerá ínfima terá respirações apegos e versos de outro poema.

⁠Aprecio as coisas quietas: um gato acomodado no sofá um pássaro aninhado no coqueiro
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⁠Aprecio as coisas quietas: um gato acomodado no sofá um pássaro aninhado no coqueiro o santo na charola ou altar. Coisas que dão vida ao silêncio que trazem à reflexão e transmitem a sensação de paz, mas, às vezes, é preciso certos barulhos: a criança que grita os cantos silvestres os rios que correm é a vida vibrando e o silencioso anjo alegre nos protege o mundo vibra e irradia o equilíbrio há de ser, o que a alma procura, e o olhar há de ver-te num infinito de ternura.

⁠Mais um dia passando se não foi o esperado já é quase passado
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⁠Mais um dia passando se não foi o esperado já é quase passado lave as mãos nas águas da justiça amanhã tudo será possível um novo sol brilhará a alma, hoje silente, trocará a espera pela esperança há tantos Herodes em peles de heróis e os valores (os verdadeiros) dirão ao mundo inteiro que em humanos não tem último nem primeiro as únicas alternativas: falso ou verdadeiro.

⁠Ao raspar o cabelo lhe veio a agonia naquele dia perdeu
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⁠Ao raspar o cabelo lhe veio a agonia naquele dia perdeu a idade o fio de esperança não segurava a lucidez acabava de perder o colorido da primavera sentiu-se feito de cansaços, definitivamente era o fim! Ainda tinha uma noite e seria a mais bela tinha fé! cambaleando acendeu uma enorme vela esboçou um lindo sorriso antes do silêncio ― do adeus.

⁠Os olhos continuam a ver-te e as mãos estão frias de transpirar vontades
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⁠Os olhos continuam a ver-te e as mãos estão frias de transpirar vontades partir é preciso mesmo sem passagem a vida nada mais é do que uma constante miragem a estrada flutua e ainda te vejo nua ao menos se o mar estivesse perto um porto incerto haveria de surgir é preciso ir ― o sonho é só um sonho ― olhos medonhos nada podem impedir há uma luz lá adiante ― é preciso ir.

⁠Vou ao aeroporto, mas não embarco um dia somos os que partem
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⁠Vou ao aeroporto, mas não embarco um dia somos os que partem no outro os que ficam um dia chegamos no outro aguardamos as chegadas um dia montamos o ninho agora vemos o voo de cada passarinho a roda sempre gira ― com toda a naturalidade ― ciclos se completam no nosso grande universo e a saudade trasborda em versos.