Suave música ao fundo
Só a quietude destoa
Baixas vozes melódicas
Aguçam estranhas manias
De empurrar o mundo.
Vento cantando
Sopra feito solidão
Voz única e violão
O mundo se move
Nesta canção.
Canto teus encantos
Repetindo o intérprete
Canto-te em mim
Na minha voz falsete.
Foi-se a meia noite,
A vida, a esta hora,
É o próprio silêncio
Que a gente cala.
Para ser feliz é preciso fechar os olhos
E fascinar-se com o que se vê.
Encantar-se com os lábios
E desejar o beijo.
Saber que a beleza aproxima
E o amor perpetua.
Sorrir ao ouvir você dizer meu nome
E sentir o mesmo ao pensar no seu.
Entender o que é saudade
E saber que nunca a sentirá.
Lembro que eu vendia alguma coisa
Sempre se tem algo para vender.
Um dia escrevi um texto
Todo mundo escreve algum texto.
Alguém leu minha escrita
Sempre tem algum curioso que lê.
Mais tarde, bem mais tarde
A sugestão para publicar.
Eu vendia alguma coisa.
Era minha profissão (de fé).
Eu escrevia alguma coisa
Coisa qualquer.
Não foi por acaso
É que eu queria cantar
Me inspirar
Ancorado em tua sombra
Sem te citar.
Embalar o amor
Em letras de ternura
Gravando com doçura
Teu jeito de amar.
Janelas sacodem
Vento, nuvens densas,
Raios e trovões.
O medo da tempestade
Preenchendo-me sem dó.
Primeiros pingos
E a infância brinca na memória.
Em meu olfato
Beiras de rios
Gramado descalço
Frutas selvagens
Molhadas no mato.
Anos descritos em
Minhas rugas e
Em meu olhar flash de lembranças.
Deito-me
A vida não costuma demorar.
Descansa leve
A porta está fechada
Não haverá
Monstros na madrugada.
Repousa sem medo
A morte não virá e,
Se ela vier, não temas
Morrer é da vida,
A alma em subida
Cantará melodias de ninar.
Nada é mais certo,
Se for a hora,
Em poucos segundos
Dorme-se para não mais acordar.
Na mente surge suave
A imagem da poesia
Estampada na escrita
Que vai surgir.
Mistura homogênea
Entremeio de rimas
Em metáforas buscadas
Na suposta inspiração.
O poeta lírico
Busca nos sonhos,
As verdades,
Ou mentiras críveis.
Na ânsia de libertar-se
Põe os suspiros na boca da alma
Os olhos perdem-se no tempo
E o coração bate compassando
Rimando versos melódicos.
A frente
Um muro
Um abismo...
O Futuro.
Hoje sou feito de versos
E amanhã?
Água descontrolada
Inodoras
Gelo derretendo
Lama escorrendo
Ficção?
É sabido
Nada sei,
Mas ainda sonho.
É trágico andar
Sem mão segura
Desprotegido e atônito.
Inquestionável
Que somos sós
Em nossa rota de vida.
Nas quietudes
Para quem vai os silêncios?
Não duvido,
Nem tão pouco espero.
Ás vezes choro...
Ternura incontida
Querendo abraçar
Sem nenhum alvo
Sem nenhuma razão.
Deleitável é a vida
Tamanha é a gratidão
Transborda a alma
Ritmo melódico
Paz, harmonia e paixão.
Há o azul
De cima
Mistérios quase perfeitos.
Não suporto o mar
Me domina a inveja.
Balanço de liberdade
Aperto no peito
E a voz ondulada
Encanta e seduz.
Te quero longe
E me aproximo.
Não querendo
Amo tuas ondas.
Me deixa livre,
E me prende.
Odeio teu cheiro
E me vicio.
Há consternações em teu leito
Tua música
Fúnebre
Festiva
Morre tão viva.
Mar que não amo;
Mar que amo;
Mar não és
Poesia de
Versos, rimas
E marés.
Acaba ano, inicia ano e vamos nos guiando pelos resultados das escolhas que fazemos.
Acertos e erros, separadamente, não servem para nada. Vale o conjunto, vale o todo.
Quando jovem cremos que a velhice não chegará.
Tenho uma surpresa para você!
Você vai envelhecer.
Quando rebeldes cremos que o mundo está errado, virado, ultrapassado.
Outra surpresa!
Você só mudará a si próprio. Lamento te dizer, mas o mundo não vai dar lhe muita atenção.
Quando maduros sonhamos em desfrutar o melhor da vida. Poucos conseguem.
Por fim, quando saudáveis cremos que nunca adoeceremos. Cuidem-se, pois nem sempre isso se confirma e quando enfermos a gente só deseja poder viver o próximo.
Aliás, talvez este deveria ser o objetivo de todos: viver plenamente o próximo ano.
Feliz e pleno ano novo.
Formado pela vida
De tudo você sabia
Eu te admirava, mas
Na minha timidez não dizia.
Eu um menino
Tímido, quieto, aflito.
Por hábito deitavas cedo
Rezava alguns segundos
Solitário na viuvez
Nem do escuro tinhas medo
Ao redor do fogo eu via
A noite adormecer.
Eu era feliz meu pai,
Senão na plenitude
Se um vazio havia
Buscava em tuas virtudes
Forças para viver.
Nada é eterno
Vai verão, vem inverno
Coisas que a gente sabe
Mas tristeza às vezes cabe
Nas saudades que te trazem.
Nos vazios das minhas lidas
Nas madrugadas de ausências
E como ver a querência
Abandonada e sem vida.
Quem dera Deus meu
Te ver abrindo a porteira
Descendo pela estrada
Para matear nas madrugas
Fazendo chiar a chaleira
Na casa outra vez alegre.
Na inocência do menino
Pai e filho sorrindo
Num mundo de felicidades.