Última vida Eu tive medo, Preferi calar.
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Última vida Eu tive medo, Preferi calar. Poderia ser a última vida. Senti-me só. Ancorei-me lentamente Para ser coberto pelo pó. O futuro? Um elo frágil Um sopro Uma interrogação Um nó.
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Última vida Eu tive medo, Preferi calar.
Última vida Eu tive medo, Preferi calar. Poderia ser a última vida. Senti-me só. Ancorei-me lentamente Para ser coberto pelo pó. O futuro? Um elo frágil Um sopro Uma interrogação Um nó.
Vulto Chegou de madrugada, Leve.
Vulto Chegou de madrugada, Leve. Um vulto que não se ouvia. Era tarde, Mesmo na escuridão, Sorria. Ah! Passos que temia Que ao se imaginar Sentia. Piscou no novo dia Tudo ilusório... Partia.
Não brilham Escolho palavras duras, Granitos
Não brilham Escolho palavras duras, Granitos Valiosos Diamantes vermelhos. As mais certas Não evito Glórias falsas Não brilham.
Tempo menino O tempo é o menino que toca a campainha da vida E corre...
Tempo menino O tempo é o menino que toca a campainha da vida E corre... É a água que escorre, passa por nós, E vai... É vento devastador saindo do mar e Se aproximando... É roupa que encolheu, Não serve mais. É sorriso substituído por certezas Angustiantes inimagináveis antes. Implacável, revela imperfeições, Que a beleza jovem escondia. Suplanta sonhos, Mata sorrisos Desperta monstros. Ainda assim te recompensa, Te encanta, Te conquista.
Não há Bastava-me um motivo E eu sorriria,
Não há Bastava-me um motivo E eu sorriria, Mas não, não havia sorrisos Muito menos motivos. Nunca ninguém sorri Nunca há motivos, Tudo o que a vida dá São penitências de fazer santos E exigências de criar heróis. Nem com milagres Nem com promessas Nem procure sorrisos Onde nunca antes foi achado.
Dois versos (v) Meu primeiro verso sonha com a liberdade O segundo dela sente saudade.
Dois versos (v) Meu primeiro verso sonha com a liberdade O segundo dela sente saudade. Meu primeiro verso é lápis que tudo escreve O segundo e borracha, mas pega leve. Meu primeiro verso eterno conservador O segundo um declarado abrasador. Meu primeiro verso é chuva fria O segundo desenha o sol em poesia. Meu primeiro verso é carrancudo O segundo acaricia o mundo. Sempre um verso é meu primeiro Nunca outro verso é meu segundo.
Noite oca Na noite oca Um grito dizia
Noite oca Na noite oca Um grito dizia A vida é louca E nem se ouvia. O eco furou O grito ficou descontente, Certo é quem errou Ao morrer da semente.
Hora certa Ainda havia um sonho guardado Entremeado por medo e orgulho
Hora certa Ainda havia um sonho guardado Entremeado por medo e orgulho Deixei-o dormir até clarear Abrigado na alma estava protegido, Ao natural é a melhor maneira de acorda-lo Pois será a hora certa de ser vivido.
Ondas sensíveis Todos os encantos Em cantos da tua boca,
Ondas sensíveis Todos os encantos Em cantos da tua boca, Num olhar de lábios Mágicos de doçura louca. Dunas, guarda-sóis e nos, Um coro meio rouco Numa consoante voz. Luzes do chalé Envoltos em lençóis Oceanos adormecendo em cafunés Ondas sensíveis de mulher.
Menino Ah! Meu eu menino confia em mim
Menino Ah! Meu eu menino confia em mim Tenho vivência E alguns sonhos jovens. Deixa o dia florir No sol que te abraça, Ainda há vida É preciso ser feliz Até o dia que não amanhecer.
Ondulante O vento que nos permeia Balança as águas
Ondulante O vento que nos permeia Balança as águas Ondula as areias. Desafiante entra pelas janelas Sacode as cortinas Bate nas telhas. Apaga-me a voz Grita-me zunindo levemente Esvoaça grisalho a cabeleira. Vá ser feliz, Por favor, vá-se embora Vai ventar lá fora.
Ônus e bônus Vivemos a fazer contas Sem saber que a vida não é exata
Ônus e bônus Vivemos a fazer contas Sem saber que a vida não é exata O inesperado sempre apronta Num piscar vai de crédito a duplicata. Dentro cada um tem o que precisa Para o caminho que escolher seguir, Definindo as próprias divisas As decisões tomadas indicam por aonde ir. Seremos sempre o que nos fizermos A ninguém devemos atribuir nada Somos ônus e bônus do que escolhemos Resultados das nossas metas certas ou erradas.
Trunfos Tens pele sedosa com cheiro de amor, Sob a blusa vermelha trunfos ávidos
Trunfos Tens pele sedosa com cheiro de amor, Sob a blusa vermelha trunfos ávidos Ângulo suave e sedutor Em marcantes sândalos encantados. Domada na generosidade da fragrância Atributos das essências viris, Adjetivos caracterizados na abundância Solícitas provocações quase febris. Deita teu algodão neste braseiro Tórrida de desejos arrocha os lábios, Pulsando vertentes no corpo inteiro Maliciosos segredos outrora guardados.
Todos os dias... Todo dia hoje vira ontem, Presente vira passado,
Todos os dias... Todo dia hoje vira ontem, Presente vira passado, Dúvida vira certeza, Sonho é realizado. Todo dia Uma flor nasce O sol brilha Alguém sorri. Todo dia Diga bom dia Se contagie Pela alegria. Todos os dias...
De zero a Dez Seguiram os dois na nau desgovernada; Um por querer tudo
De zero a Dez Seguiram os dois na nau desgovernada; Um por querer tudo O outro por não querer nada. No caminho nada se ajeitou, Um não sabe por que foi O outro não sabe por que voltou. Nenhum deles entendeu, Olharam-se nos olhos no adeus, Para finalizar um no outro um beijo deu.
Desisto-me. Todos meus sonhos Vivem outros sonhos.
Desisto-me. Todos meus sonhos Vivem outros sonhos. Todos meus gostos Tem outros gostos. Aquilo que choro Sorri para vida. Tudo que eu ganho Perde o valor. Meu tropeço Quebra uma flor. Tudo o que existo Não resiste. Desisto-me.
Míssil Sofismadas no sorriso estavam às angustias, Tremores de quem toca o infinito
Míssil Sofismadas no sorriso estavam às angustias, Tremores de quem toca o infinito Na incerteza do que virá ao abrir a porta Além do bilhete pendurado No girassol já sem abelhas. Fecha-se o portão criado De um mundo invisível Ante o abismo.... Cante. Talvez faltem pernas para o pulo, Um passo atrás... O embalo Três... Lança-se. É a própria lança, É míssil futurístico Que não se prende a muros. Levante-se... Sentado Nem na melhor música se dança. Faça a troca; A uma vida enfadonha Arisque algumas festanças.
Gramado Cidade de sonhos De invernos gelados.
Gramado Cidade de sonhos De invernos gelados. Gramado da luz natalina Das belas meninas Do chocolate E da neblina. Gramado Dos lagos Dos cinemas Dos vales e museus... Gramado Dos apaixonados Da felicidade Da gastronomia E da hospitalidade.
Coroada. Tenho em mim cada gosto Que quiçá, provarei nos lábios teus
Coroada. Tenho em mim cada gosto Que quiçá, provarei nos lábios teus A meiguice dócil do teu rosto Trazendo saudade antes do adeus. Desejarei poetar teus olhos brilhantes, As covinhas das tuas bochechas ocas, Descrever tua beleza cintilante, Preso no fascínio da tua boca. Numa poesia meio mágica e inconsequente, Tirarei dos versos a rima reprimida Colocarei no mesmo verso inocente Em ordem invertida, eu, você e a vida.
Para o poeta a vida melhora Com um toque de poesia, Se não estiver ao alcance na hora,
Para o poeta a vida melhora Com um toque de poesia, Se não estiver ao alcance na hora, Criará ele, em sua fantasia.
Em suaves devaneios autorais transformei meu sujeito em composto misturei consoantes e vogais
Em suaves devaneios autorais transformei meu sujeito em composto misturei consoantes e vogais só para descrever a beleza do teu rosto.
Bálsamo O mar, mistério a explorar, Acaricia ondas que cabelos não têm,
Bálsamo O mar, mistério a explorar, Acaricia ondas que cabelos não têm, Como o corpo nu a encantar Afogando desejos no suave vai e vem. Bronze em reflexo solar Na profundidade de tudo há sonhos, É mágico nestas águas nadar Bálsamo salgado onde me recomponho. Este mar de esperança e fé Onde o fim é impossível ver sequer Balança na alma Um corpo lindo de mulher
Incêndio O fogo, impiedoso, devasta A vegetação toda incandesce
Incêndio O fogo, impiedoso, devasta A vegetação toda incandesce O calor, incômodo se alastra Dissipando um mundo verde. No meio dele, desmaiam flores róseas Dos ipês ora floridos, Avança como um corcel sem rédeas Deixando corpos vitais no chão estendidos. Clarão que a noite aquece Flechando réstias de naturezas inacabadas, Em meio a escombros a vida amanhece Relatando destruições inesperadas.
Acordar Acordar depois de muitos anos Sem pista no horizonte para pousar
Acordar Acordar depois de muitos anos Sem pista no horizonte para pousar Sem alicerce para formular planos Sem trazer da noite um sonho para sonhar. É espinho causando dor intensa Correndo pela mente inteira É lacuna que sublinha a ausência É vida escapando da peneira. É querer voltar a ser criança Pedir doces e guloseimas na calçada É não ter par na hora da dança É desejar tudo e não ter nada.