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Frases de Moacir LuÌs Araldi

790 frases

Última vida Eu tive medo, Preferi calar.
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Última vida Eu tive medo, Preferi calar. Poderia ser a última vida. Senti-me só. Ancorei-me lentamente Para ser coberto pelo pó. O futuro? Um elo frágil Um sopro Uma interrogação Um nó.

Tempo menino O tempo é o menino que toca a campainha da vida E corre...
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Tempo menino O tempo é o menino que toca a campainha da vida E corre... É a água que escorre, passa por nós, E vai... É vento devastador saindo do mar e Se aproximando... É roupa que encolheu, Não serve mais. É sorriso substituído por certezas Angustiantes inimagináveis antes. Implacável, revela imperfeições, Que a beleza jovem escondia. Suplanta sonhos, Mata sorrisos Desperta monstros. Ainda assim te recompensa, Te encanta, Te conquista.

Não há Bastava-me um motivo E eu sorriria,
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Não há Bastava-me um motivo E eu sorriria, Mas não, não havia sorrisos Muito menos motivos. Nunca ninguém sorri Nunca há motivos, Tudo o que a vida dá São penitências de fazer santos E exigências de criar heróis. Nem com milagres Nem com promessas Nem procure sorrisos Onde nunca antes foi achado.

Dois versos (v) Meu primeiro verso sonha com a liberdade O segundo dela sente saudade.
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Dois versos (v) Meu primeiro verso sonha com a liberdade O segundo dela sente saudade. Meu primeiro verso é lápis que tudo escreve O segundo e borracha, mas pega leve. Meu primeiro verso eterno conservador O segundo um declarado abrasador. Meu primeiro verso é chuva fria O segundo desenha o sol em poesia. Meu primeiro verso é carrancudo O segundo acaricia o mundo. Sempre um verso é meu primeiro Nunca outro verso é meu segundo.

Ônus e bônus Vivemos a fazer contas Sem saber que a vida não é exata
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Ônus e bônus Vivemos a fazer contas Sem saber que a vida não é exata O inesperado sempre apronta Num piscar vai de crédito a duplicata. Dentro cada um tem o que precisa Para o caminho que escolher seguir, Definindo as próprias divisas As decisões tomadas indicam por aonde ir. Seremos sempre o que nos fizermos A ninguém devemos atribuir nada Somos ônus e bônus do que escolhemos Resultados das nossas metas certas ou erradas.

Trunfos Tens pele sedosa com cheiro de amor, Sob a blusa vermelha trunfos ávidos
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Trunfos Tens pele sedosa com cheiro de amor, Sob a blusa vermelha trunfos ávidos Ângulo suave e sedutor Em marcantes sândalos encantados. Domada na generosidade da fragrância Atributos das essências viris, Adjetivos caracterizados na abundância Solícitas provocações quase febris. Deita teu algodão neste braseiro Tórrida de desejos arrocha os lábios, Pulsando vertentes no corpo inteiro Maliciosos segredos outrora guardados.

Míssil Sofismadas no sorriso estavam às angustias, Tremores de quem toca o infinito
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Míssil Sofismadas no sorriso estavam às angustias, Tremores de quem toca o infinito Na incerteza do que virá ao abrir a porta Além do bilhete pendurado No girassol já sem abelhas. Fecha-se o portão criado De um mundo invisível Ante o abismo.... Cante. Talvez faltem pernas para o pulo, Um passo atrás... O embalo Três... Lança-se. É a própria lança, É míssil futurístico Que não se prende a muros. Levante-se... Sentado Nem na melhor música se dança. Faça a troca; A uma vida enfadonha Arisque algumas festanças.

Coroada. Tenho em mim cada gosto Que quiçá, provarei nos lábios teus
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Coroada. Tenho em mim cada gosto Que quiçá, provarei nos lábios teus A meiguice dócil do teu rosto Trazendo saudade antes do adeus. Desejarei poetar teus olhos brilhantes, As covinhas das tuas bochechas ocas, Descrever tua beleza cintilante, Preso no fascínio da tua boca. Numa poesia meio mágica e inconsequente, Tirarei dos versos a rima reprimida Colocarei no mesmo verso inocente Em ordem invertida, eu, você e a vida.

Bálsamo O mar, mistério a explorar, Acaricia ondas que cabelos não têm,
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Bálsamo O mar, mistério a explorar, Acaricia ondas que cabelos não têm, Como o corpo nu a encantar Afogando desejos no suave vai e vem. Bronze em reflexo solar Na profundidade de tudo há sonhos, É mágico nestas águas nadar Bálsamo salgado onde me recomponho. Este mar de esperança e fé Onde o fim é impossível ver sequer Balança na alma Um corpo lindo de mulher

Incêndio O fogo, impiedoso, devasta A vegetação toda incandesce
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Incêndio O fogo, impiedoso, devasta A vegetação toda incandesce O calor, incômodo se alastra Dissipando um mundo verde. No meio dele, desmaiam flores róseas Dos ipês ora floridos, Avança como um corcel sem rédeas Deixando corpos vitais no chão estendidos. Clarão que a noite aquece Flechando réstias de naturezas inacabadas, Em meio a escombros a vida amanhece Relatando destruições inesperadas.

Acordar Acordar depois de muitos anos Sem pista no horizonte para pousar
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Acordar Acordar depois de muitos anos Sem pista no horizonte para pousar Sem alicerce para formular planos Sem trazer da noite um sonho para sonhar. É espinho causando dor intensa Correndo pela mente inteira É lacuna que sublinha a ausência É vida escapando da peneira. É querer voltar a ser criança Pedir doces e guloseimas na calçada É não ter par na hora da dança É desejar tudo e não ter nada.