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Frases de Míriam Morata

81 frases

⁠Talvez exista uma tela imensa com um desenho traçado por esse Deus comandante, e nosso papel nessa grande Obra seja apenas colocar a linha na agulha e dar cada ponto, confiando que o resultado final será Bom. O cruel disso tudo é que não temos acesso a esse desenho, não sabemos…
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⁠Talvez exista uma tela imensa com um desenho traçado por esse Deus comandante, e nosso papel nessa grande Obra seja apenas colocar a linha na agulha e dar cada ponto, confiando que o resultado final será Bom. O cruel disso tudo é que não temos acesso a esse desenho, não sabemos o que estamos bordando e estamos cansados e assustados demais para confiar nesse Artesão silencioso.

⁠Ah! O coração é o maior mistério do Universo. O cérebro é poderoso, no entanto sabemos que algumas doenças conseguem apagar seus registros, mas o que o coração guardar nada conseguirá tocar. Por isso onde não couber o seu coração, saiba que esse não é seu lugar; aquilo que não p…
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⁠Ah! O coração é o maior mistério do Universo. O cérebro é poderoso, no entanto sabemos que algumas doenças conseguem apagar seus registros, mas o que o coração guardar nada conseguirá tocar. Por isso onde não couber o seu coração, saiba que esse não é seu lugar; aquilo que não puder fazer de coração, não faça; os sonhos que não pulsarem no coração, não merecem ser sonhados; os gestos que não brotarem do coração não merecem ser realizados e aprenda a silenciar, sempre que as palavras não nascerem no coração.

⁠“Está morrendo a geração de ferro, para dar passagem à geração de cristal. Quem é a geração de ferro? - Aqueles que chamávamos de “senhor” e “senhora”, porque “você” é para “seus amiguinhos”.
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⁠“Está morrendo a geração de ferro, para dar passagem à geração de cristal. Quem é a geração de ferro? - Aqueles que chamávamos de “senhor” e “senhora”, porque “você” é para “seus amiguinhos”. - A geração que não estudou porque precisava trabalhar para ajudar os pais, depois para realizar o sonho da casa própria, sustentar a família... mas chorou de emoção e orgulho na formatura dos filhos. - A geração que antes da 22:00h colocava todo mundo na cama, ajeitava o cobertor, dava um beijo de boa noite depois de rezar junto, porque “ninguém deve dormir sem rezar, não somos bichos.” - Aqueles que nunca viram uma carreira de cocaína, nem precisavam de comprimidos, ou energéticos para rir e dançar a noite inteira, mas não ousavam tomar manga com leite. - E ninguém saía, ou entrava em casa sem “a bênção”... e isso fazia toda diferença. - A geração que nunca sonhou com a Disneylândia, porque divertido mesmo era ficar na calçada com os vizinhos, contando causos enquanto ficavam “de olho nas crianças”. - A geração que guardava o troco de moedas no cofrinho, mas não economizava nas festas de aniversário – um bolo, sanduiche, brigadeiro e suco. Sem DJ, só o som das crianças brincando e a risada dos parentes e amigos. - A geração que anotava as dívidas na caderneta e ansiava pelo dia do pagamento para quitar todas as dívidas, porque “esse dinheiro não é meu”. Está morrendo a geração que pagou para ver; bancou os seus sonhos e sonhou os sonhos dos filhos; sorvete era para dias especiais e comer arroz e feijão era a regra para crescer forte, porque "saco vazio não para em pé.". - A geração que fez do trabalho o objetivo de vida, não soube o que eram férias e passear na praça com os amigos era uma aventura deliciosa, que rendia incontáveis fofocas e segredos. - A geração que sempre deixou o último bolinho para os filhos, mas amargou a saudade e o medo, quando esses filhos não tiveram mais tempo para eles. Está morrendo a geração que pagou todas as contas, mas não imaginou que envelhecer seria tão caro e os filhos não estariam dispostos a dividir essa conta. Está morrendo a geração que soube arrancar comida e esperança de pedra, para cuidar da família, mas esqueceu de cuidar de si mesmo."

⁠"Somos seres que sonham, planejam, criam metas e inventam projetos para dar significado à vida; mas quando o Alzheimer nos atropela, descobrimos que tudo isso é só uma pequena distração, enquanto a Vida traça nosso real projeto e nos lança no mundo, solitários e assustados, tent…
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⁠"Somos seres que sonham, planejam, criam metas e inventam projetos para dar significado à vida; mas quando o Alzheimer nos atropela, descobrimos que tudo isso é só uma pequena distração, enquanto a Vida traça nosso real projeto e nos lança no mundo, solitários e assustados, tentando equilibrar o medo e a ousadia, o cansaço e a coragem, o amor e o ódio, a perplexidade e o assombro... para no final ver tudo isso escorrer pelos dedos como areia."

⁠"E assim eu aprendi que não é só o Alzheimer que devasta a imagem bondosa que fazemos de nós mesmos. É a vida. Não somos tão bons quanto gostaríamos; não somos tão corretos e justos como queremos que o mundo acredite; não somos tão fortes quando imaginamos. Somos humanos - A v…
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⁠"E assim eu aprendi que não é só o Alzheimer que devasta a imagem bondosa que fazemos de nós mesmos. É a vida. Não somos tão bons quanto gostaríamos; não somos tão corretos e justos como queremos que o mundo acredite; não somos tão fortes quando imaginamos. Somos humanos - A vastidão dessa condição me causa vertigem. É nessa humanidade que reside a incoerência, o medo de não sermos aceitos ou amados; a vontade inexplicável de agradar a todos, mesmo que não nos incluamos nesse público ambicionado. Descobri que compaixão não é pena, mas responsabilidade profunda e respeito pelo outro, ainda que ele não saiba quem eu sou, ou não tenha nenhum gesto de gratidão ou amor por mim."

⁠... E tudo isso parece tão PEQUENO diante do “Não!” que a Senhora Morte sussurra, quando minha Alma grita “Sim!”. É ela que há de me ensinar a diferença entre a acolhida e a despedida, entre aquilo que “possuo” e aquilo que sou - desse aprendizado, depende a felicidade ou a dor…
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⁠... E tudo isso parece tão PEQUENO diante do “Não!” que a Senhora Morte sussurra, quando minha Alma grita “Sim!”. É ela que há de me ensinar a diferença entre a acolhida e a despedida, entre aquilo que “possuo” e aquilo que sou - desse aprendizado, depende a felicidade ou a dor que hão de conduzir minha mão, enquanto escrevo minha história. A Senhora Morte tudo pode sobre aquilo que “possuo”, e nada pode sobre aquilo que sou. Talvez porque só na minha imaginação, as coisas e pessoas são minhas; talvez porque minha real natureza pertença à dimensão da Vida que sussurra “Não!”, quando a Senhora Morte grita “Sim!”

⁠"Eu já desperdicei energia em sonhos que não deveria ter sonhado; já errei na dose de esperança e otimismo e perdi o chão correndo atrás de sonhos inúteis; já gastei todas as tintas pintando cenários, para sonhos desbotados e desprovidos de dignidade para receber minhas cores;
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⁠"Eu já desperdicei energia em sonhos que não deveria ter sonhado; já errei na dose de esperança e otimismo e perdi o chão correndo atrás de sonhos inúteis; já gastei todas as tintas pintando cenários, para sonhos desbotados e desprovidos de dignidade para receber minhas cores; já me embriaguei com sonhos imensos que só cabiam na minha imaginação; ... mas nunca cometi o sacrilégio de viver um dia sequer, sem acariciar as sementes de sonhos que a vida me oferecia, para lançar no campo sagrado da Esperança."

⁠"Nós chegamos a este planeta, sem manual, mapas, placas sinalizando perigo, ou holofotes iluminando o caminho. Ainda bem! Depois de alguns tombos, tropeços, ruas sem saída, sapato furado, joelho esfolado, estrada esburacada, a descoberta assustadora da Impotência e Fragilidade…
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⁠"Nós chegamos a este planeta, sem manual, mapas, placas sinalizando perigo, ou holofotes iluminando o caminho. Ainda bem! Depois de alguns tombos, tropeços, ruas sem saída, sapato furado, joelho esfolado, estrada esburacada, a descoberta assustadora da Impotência e Fragilidade humanas... acho que aprendi algumas coisas. Dentre essas coisas, algumas fizeram toda a diferença na construção da mulher que eu sou. - O Universo não faz 1 minuto de silêncio para eu chorar, a Roda da Vida não pára em respeito à minha dor. A dor é minha e só eu saberei lamber minhas feridas. - Embora a “caixinha” ofereça uma “proteção ilusória”, o ideal é ficar fora da caixinha, de preferência em cima, para apreciar a paisagem. - Não seja coadjuvante no espetáculo da sua vida. Seja protagonista, roteirista, diretor e cenógrafo SEMPRE! Mesmo que na plateia não tenha ninguém. - Quando estiver em dúvida sobre qual caminho seguir, vai para onde tiver menos gente, pois o barulho abafa a voz do coração e você corre o risco de se perder de você. - Se der medo vai com medo mesmo. O medo morre de medo de pessoas que, mesmo com medo, continuam ousadamente. - Entre as Regras e o Justo, fique com o Justo. - Entre a Compaixão e o Justo, fique com a Compaixão. - Entre o Certo e o Conveniente, fique com o Certo. - Entre os Sonhos e a Vida, fique com a Vida, esta aventura louca é maior do que qualquer Sonho. - Sempre será preciso quebrar os ovos para fazer uma omelete, antes de quebrar os ovos certifique-se de quantas pessoas comerão dessa omelete. - Gente foi feita para brilhar – toda gente, sem nenhuma exceção e essa é a tarefa humana. - Se você não amou e foi amado por um bicho, ainda não sabe muito sobre o amor. - Se a doença está na raiz, não adianta podar a árvore. - Não adianta tentar comprar pãozinho em uma loja de calçados, eles não irão te vender, isso não significa que não gostam de você. Isso vale para sonhos, pessoas, relacionamentos... - Algumas pessoas irão te estender a mão, algumas não terão forças para te levantar, fique atento às intenções e não aos gestos. A vida é como uma banana, mesmo que você leia todos os tratados, pesquisas, artigos e reportagens sobre a banana... nada disso vai adiantar se você não saborear, então descasque e coma!"

⁠E se um dia, você sentir que seu coração abriga mais mágoas, medos e lembranças amargas do que sonhos, então é o momento de parar... lamber as feridas, buscar o facho de Luz no meio da noite e dizer ao seu coração que somos feitos de átomos, energia, esperança, teimosia, força,…
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⁠E se um dia, você sentir que seu coração abriga mais mágoas, medos e lembranças amargas do que sonhos, então é o momento de parar... lamber as feridas, buscar o facho de Luz no meio da noite e dizer ao seu coração que somos feitos de átomos, energia, esperança, teimosia, força, vontade e uma quantidade inimaginável de Compaixão que poderá ser um instrumento maravilhoso para recomeçar a Vida, a História e desta vez, o personagem principal é você.

⁠"Gosto do que vaza, daquilo que não cabe e derrama pelos poros e olhos; gosto do que não tem explicação e nem cabimento. Gosto do que não cabe na palavras e nem nos gestos, do que não se explica e nem se conforma, aquilo que só o silêncio e perplexidade conseguem alcançar. Gos…
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⁠"Gosto do que vaza, daquilo que não cabe e derrama pelos poros e olhos; gosto do que não tem explicação e nem cabimento. Gosto do que não cabe na palavras e nem nos gestos, do que não se explica e nem se conforma, aquilo que só o silêncio e perplexidade conseguem alcançar. Gosto de buraco de fechadura e lapiseira 0,9 porque ambos assanham a imaginação."

⁠"A vida é ciranda, às vezes estamos tão distraídos que nem percebemos quem segura nossa mão. Outras vezes estamos apressados demais para ouvir o “verso bem bonito” de alguém que acabou de entrar na roda. E assim dançamos a dança da Vida às vezes contrariados porque não é a mús…
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⁠"A vida é ciranda, às vezes estamos tão distraídos que nem percebemos quem segura nossa mão. Outras vezes estamos apressados demais para ouvir o “verso bem bonito” de alguém que acabou de entrar na roda. E assim dançamos a dança da Vida às vezes contrariados porque não é a música que esperávamos; às vezes seguramos a mão de quem está do nosso lado tão displicentemente, que nem percebemos quando ele solta a mão. A Vida é ciranda e cada um de nós tem um verso bem bonito para dizer e depois é só Adeus e vai embora. Vai embora, mas fica o verso bem bonito e a suspeita de que essa ciranda só existe para nos ensinar a segurar a mão do outro com força, cantar bem alto e dançar junto... no meio de tudo isso, ficar atento para nunca oferecer pouco Amor."

⁠"Quando a vida se torna um fardo pesado e insuportável? Todos os dias eu ouvia pessoas me dizendo – “Tenha fé, Deus está no comando.” Mentira! Eu estava no comando... Não, não existe comandante e o barco fica à deriva quando o Alzheimer entra nele. Esse passageiro indesejável…
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⁠"Quando a vida se torna um fardo pesado e insuportável? Todos os dias eu ouvia pessoas me dizendo – “Tenha fé, Deus está no comando.” Mentira! Eu estava no comando... Não, não existe comandante e o barco fica à deriva quando o Alzheimer entra nele. Esse passageiro indesejável destrói qualquer mapa, bússola, apaga as rotas e deixa todos assustados e sem nenhuma esperança na terra firme ou na calmaria. Ninguém estava no comando, cada dia alguma coisa empurrava minha mão para dar mais um ponto, nesse bordado louco em que se transformaram nossas vidas; cada dia um ponto, só isso, sem nenhuma ideia de como seria esse imenso bordado que estávamos criando. Talvez exista uma tela imensa com um desenho traçado por esse Deus comandante, e nosso papel nessa grande Obra seja apenas colocar a linha na agulha e dar cada ponto, confiando que o resultado final será Bom. O cruel disso tudo é que não temos acesso a esse desenho, não sabemos o que estamos bordando e estamos cansados e assustados demais para confiar nesse Artesão silencioso. Recomeçar é para os mortais que se agarram à Esperança, nós renascemos como Fênix e nos agarramos às nossas cinzas."

⁠"Olho para os olhos vazios da minha mãe, as mãos trêmulas do meu pai e não consigo encontrar nada que responda, ou acalme o meu solitário espanto. Olho para frente e... tudo é possível. Olho para frente e... nada é possível.
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⁠"Olho para os olhos vazios da minha mãe, as mãos trêmulas do meu pai e não consigo encontrar nada que responda, ou acalme o meu solitário espanto. Olho para frente e... tudo é possível. Olho para frente e... nada é possível. Talvez a Esperança seja a nossa única resposta a esse assustador paradoxo. Tenho em minhas mãos, todos os próximos instantes e, ironicamente, minhas mãos estão sempre vazias. Preciso cuidar dessa mágica e mentirosa semente, para continuar respirando. Mas, como impedir que essa semente seque, se nos momentos em que mais preciso dela, não tenho forças para acreditar em mim? O cansaço e o desespero parecem se alimentar da dor, do medo, do abandono... enquanto a Esperança se alimenta de Luz, mesmo que seja apenas uma fresta de Luz em um quarto escuro. Então hoje, só por hoje vou procurar frestas por onde a Luz possa entrar e alimentar minha Esperança. Essa fresta pode ser uma prece, um sorriso amigo, uma palavra, uma música, uma risada inesperada, uma lembrança gostosa... Não importa, hoje e só por hoje, vou me agarrar à Esperança; amanhã haverá outra fresta, outro facho de Luz e assim, não permitirei que o cansaço e o medo apaguem minha Luz. Continuarei esburacando a parede para iluminar o quarto."

⁠“Tanto faz o dia em que estamos, mamãe me pergunta o tempo todo que dia é esse. Ela está vivendo em um tempo fora do tempo, em um espaço quase sem lembranças. Por mais que procure algo familiar aqui na minha casa, ela não o encontra, quer as amigas, o cheiro de fumaça de caminh…
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⁠“Tanto faz o dia em que estamos, mamãe me pergunta o tempo todo que dia é esse. Ela está vivendo em um tempo fora do tempo, em um espaço quase sem lembranças. Por mais que procure algo familiar aqui na minha casa, ela não o encontra, quer as amigas, o cheiro de fumaça de caminhão, o barulho do escapamento, este lugar não cabe no coração dela. É como se flutuasse acima do mundo real e se protegesse de tudo com esse manto de insanidade. Ela tenta se agarrar às lembranças das avós, dos irmãos quando eram crianças, na tentativa de resgatar a mulher que ela está perdendo.” Meus pais pediam insistentemente, para eu leva-los de volta para casa. Papai nunca saiu de sua casa, mas a casa saiu dele; mamãe morava comigo, mas nunca saiu daquela casa, que ela sonhava retornar. Aos poucos eu fui entendendo o que significava “voltar para casa”. Eles querem resgatar a casa que um dia abrigou Felicidade, na verdade eles queriam voltar para aquela Felicidade. Não era a casa de tijolos e portas, janelas e piso rangendo. Era a casa que abrigava o barulho das crianças brincando; o cheiro de café e o gosto de bolo de fubá; o perfume do travesseiro, que guardava seus segredos; o cheiro do bife que só mamãe sabia preparar; o perfume do dia de limpeza e o cheiro da pipoca. A casa era a maçaneta da porta rangendo, quando papai voltava do trabalho; ou o pano de chão sobre o tapete, que mamãe insistia em colocar para manter o tapete limpo. A casa para onde eles querem voltar é feita dos detalhes da torneira pingando, que papai adorava consertar; do batente arranhado pelas escaladas das crianças inquietas; é a casa que abrigou o sonho de família, de felicidade, de prosperidade; a casa paga em muitas prestações, e cada uma delas tinha um gosto de vitória… Eles querem morar naquela felicidade, e eu também”

⁠Ainda sobre o "Jogo da Vida", alguém que perguntou: - O jogo só acaba quando o jogador ganha? Eu acho que esse jogo sagrado e um pouco absurdo, não é sobre ganhar ou perder, mas sobre qualificar o jogador...
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⁠Ainda sobre o "Jogo da Vida", alguém que perguntou: - O jogo só acaba quando o jogador ganha? Eu acho que esse jogo sagrado e um pouco absurdo, não é sobre ganhar ou perder, mas sobre qualificar o jogador... - para que compreenda suas limitações e potencialidades; - para que aprenda a olhar com atenção e compaixão, para todos os jogadores e não apenas os parceiros; - para que exercite a arte de fazer combinações, apostar, perder ou ganhar, mas aprender com isso e continuar jogando; - para que descubra quais são as regras do jogo, enquanto se diverte um pouco; - para exercitar esperança e resiliência, sempre que as cartas ruins chegarem as suas mãos; - para tentar compreender a intenção e os blefes dos parceiros da mesa; - para aprender a fazer a melhor combinação com as cartas que receber, sem amaldiçoar e nem adorar o Croupier; - para ser a melhor versão que puder. E para quê se tornar a melhor versão depois que o jogo acabar? O que o Grande Arquiteto do Universo vai fazer, com uma mão de obra tão qualificada eu não sei, afinal Ele nunca explicou esta primeira etapa do Projeto da Grande Obra da Vida, acho muito difícil tentarmos compreender a segunda etapa... por enquanto.

⁠E era exatamente igual ao Natal, Páscoa, segunda-feira passada... Rompe-se a coluna do Tempo e estamos suspensos. Todos os dias e noites são iguais, sem sonhos, metas, brincadeiras, só susto, medo, trocar fralda, lavar roupa, fazer curativo e chorar escondido. O Alzheimer rasg…
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⁠E era exatamente igual ao Natal, Páscoa, segunda-feira passada... Rompe-se a coluna do Tempo e estamos suspensos. Todos os dias e noites são iguais, sem sonhos, metas, brincadeiras, só susto, medo, trocar fralda, lavar roupa, fazer curativo e chorar escondido. O Alzheimer rasga o calendário. Mas o calendário foi criado por humanos, fomos nós que dividimos o tempo em fatias, nós inventamos o tempo de celebrar e tempo de construir. Então eu posso reinventar o calendário, isso faz parte do talento humano. Hoje é domingo. Tempo de celebrar. Embora tudo ao meu redor seja assustador, eu posso colocar música, posso trazer mamãe para almoçar na sala e enfeitar a mesa; posso oferecer sorvete de sobremesa e quem sabe, dizer para ela que hoje é seu aniversário e vamos cantar parabéns. Hoje é domingo e eu posso pegar uma flor do jardim e colocar um vaso bonito ao lado da cama, e avisar que chegou a Primavera. Hoje é domingo e eu posso cantar com ela aquela música, que cantávamos quando eu era criança e rir da nossa loucura lúcida. E quando ela me perguntar: - Que dia é hoje Mirinha? Eu posso dizer, sem nenhuma censura: - Hoje é dia de celebrarmos o milagre da Vida. O planeta todo está em festa, porque hoje é dia da dona Nena. E vamos celebrar juntas, porque a imaginação é mais poderosa do que qualquer outro talento humano.

⁠"Quando o cansaço e o desespero brigam dentro de mim, não consigo abrir uma fresta no coração, para que o amor abençoe tudo e me convença de que a vida é linda e eu amo todo mundo. Quando a fome rasga o estômago, eu troco a minha biblioteca por um sanduíche de mortadela. O med…
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⁠"Quando o cansaço e o desespero brigam dentro de mim, não consigo abrir uma fresta no coração, para que o amor abençoe tudo e me convença de que a vida é linda e eu amo todo mundo. Quando a fome rasga o estômago, eu troco a minha biblioteca por um sanduíche de mortadela. O medo de perder aquele que amo cega minha fé, e eu não consigo enxergar generosidade nessa mão, que quer levar um pedaço de mim. Faz parte da minha humanidade assistir esse luta constante entre o Sublime e o Denso; entre a realidade que me cobra pão e água e a “realidade” que me cobra oração e poesia. E o amor transita nesses dois mundos, em cada um com suas cobranças e presentes. Ainda não consigo amalgamar tudo isso e transformar em Míriam. Sou humana e amor é colcha bordada, cada dia um ponto, um olhar para ver se ficou bom e no coração, o modelo pronto me esperando e inspirando. Não sei tirar amor da cartola, ou amar por ordem expressa de não sei quem."

⁠Os dias, as estações, os anos... tudo isso é regido pelo movimento da Terra ao redor do Sol. Isso é mágico, quase um milagre. Esse ritmo sagrado intercala luz e escuridão, frio e calor, flores e galhos secos... tudo é regido por esse movimento. Então aprendemos a fatiar o temp…
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⁠Os dias, as estações, os anos... tudo isso é regido pelo movimento da Terra ao redor do Sol. Isso é mágico, quase um milagre. Esse ritmo sagrado intercala luz e escuridão, frio e calor, flores e galhos secos... tudo é regido por esse movimento. Então aprendemos a fatiar o tempo e inventamos calendários - tempo de trabalho intercalado por tempo de festa; tempo de sonhar e tempo de correr atrás dos sonhos; tempo de usufruir dos sonhos realizados e tempo de inventar novos sonhos. E tudo isso confere significado à nossa vida, esse movimento é como o sangue que corre nas veias e permite que a máquina perfeita do corpo abrigue o Espirito Sonhador. E de repente quando o Alzheimer escancara as portas desse ritmo conhecido e confortável, toda a vida desanda e estaciona, como se o Tempo parasse e nós ficássemos suspensos em um agora eterno e angustiante. A noite não é tempo de dormir e refazer as forças, porque o cuidador não dorme e o paciente vive um tempo estranho a este mundo; as horas do dia são imprevisíveis e cada minuto pode ser mais assustador do que o anterior; domingo é igual a segunda e terça e quarta... todos os dias são iguais.

⁠"A Depressão é a faca que corta a veia e agora não temos tempo para nada, além de tentar conter essa hemorragia, ainda que nosso coração saiba que não iremos conseguir. Não sei se tudo isso é uma maldição ou uma bênção; um teste sádico, ou um ensinamento precioso. Eu sou a min…
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⁠"A Depressão é a faca que corta a veia e agora não temos tempo para nada, além de tentar conter essa hemorragia, ainda que nosso coração saiba que não iremos conseguir. Não sei se tudo isso é uma maldição ou uma bênção; um teste sádico, ou um ensinamento precioso. Eu sou a minha história, sou as emoções que experimentei e o amontoado de sentimentos que me rasgam e abraçam. Sou até mesmo a vontade de desistir de tudo e sumir, para não sei onde; até mesmo a vontade de saltar para fora da ponte da vida. Então descobri que desistir não é opção. Opção é arrancar das vísceras e do centro de cada ferida, um sentido para a vida. Como transformar em felicidade e esperança, esse amontoado de horas insuportáveis e solitárias, que carrego nas lembranças secretas e mais dolorosas que parecem grudar na minha Alma? Como atravessar essa noite escura da alma e acender uma luz, com o resto de combustível que ainda existe em mim? Que argumento utilizar para gritar para eu mesma, que a vida vale a pena e desistir não é opção? Haverá alguma fórmula para transmutar a piedade em paixão, medo em esperança; os fragmentos do dia em eternidade? Encontrar um sentido para a vida é a única maneira de não esvaziar a alma, da seiva sublime que a alimenta e não morrer um pouco a cada dia de desencantamento. Encontrar uma razão para existir é inventar argumentos que justifiquem todas as horas, todos os dias em que o trágico ofício de viver esteve à espera da minha mão e eu não acreditei na habilidade desse instrumento tão estranho aos meus vazios e medos. Encontrar um significado para a vida é descobrir que o Universo merece ser amado, eu mereço ser amada... É acreditar que o mundo merece uma chance, eu mereço uma chance... e desistir não é opção porque eu mereço continuar. É difícil? Muito mais do que isso, conviver com a Depressão é uma descida ao inferno, mas quem pisou no fundo do inferno pisa em qualquer chão, desce em qualquer poço e quando entra no túnel escuro não procura por nenhuma lanterna, porque sabe caminhar no escuro sem medo. Todas as facas que me cortaram me fizeram mais forte, me ajudaram a construir essa mulher que hoje consegue resignificar a vida e quando eu olho para cada cicatriz, ouço a mensagem – “você conseguiu!” Nós gostaríamos que as coisas fossem do nosso jeito, tolice. Como em uma linha de produção, não temos ideia de como será o produto final, para que serve ou o que o autor desse projeto pretende com isso. Fazer a nossa parte o melhor que pudermos, é só isso que podemos tentar e nem sempre conseguimos. E quando pensarem em jogar a toalha peguem essa toalha, enxuguem o suor e as lágrimas e continuem. Vocês vão abençoar tudo isso, um dia... não hoje, mas um dia e esse dia merece ser vivido. Continue caminhando e se o sapato apertar, vai descalça porque o que você procura está logo ali." ... eu não joguei a toalha, ainda bem.

⁠"Gosto dos desajustados, daqueles que não se encaixam porque são imensos e vazam de qualquer embalagem. Gosto de gente que abusa dessa mistura de generosidade e ousadia. Gosto dos inconformados, dos que sabem que nunca encontrarão seu lugar no mundo, por isso constroem seu luga…
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⁠"Gosto dos desajustados, daqueles que não se encaixam porque são imensos e vazam de qualquer embalagem. Gosto de gente que abusa dessa mistura de generosidade e ousadia. Gosto dos inconformados, dos que sabem que nunca encontrarão seu lugar no mundo, por isso constroem seu lugar em todas as emoções, lembranças e sonhos que insistem em inventar."

⁠25/04/2015 - diário da mamãe "Ontem minha mãe ficou alucinando a tarde e a noite toda. Eu percebi que existem diversos tipos de alucinação, já identifiquei 3 - a primeira ela fala alto, fica se divertindo com pessoas, crianças, familiares e quando eu me aproximo ela me coloca n…
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⁠25/04/2015 - diário da mamãe "Ontem minha mãe ficou alucinando a tarde e a noite toda. Eu percebi que existem diversos tipos de alucinação, já identifiquei 3 - a primeira ela fala alto, fica se divertindo com pessoas, crianças, familiares e quando eu me aproximo ela me coloca no seu mundo e pede para eu alimentar e cuidar dessas pessoas; a segunda ela fica agressiva e diz que eu estou tentando mata-la que existe um complô e muitas pessoas estão perseguindo e tentando judiar ou roubar; a última é a mais assustadora, foi essa que teve ontem, começa a falar palavras que não existem, com voz muito fraca, olhar parado e não faz contato comigo, me olha e não me vê. Ontem dei janta para ela sem que me visse ou percebesse quem eu sou. A noite ficou silenciosa olhando para o teto, esse mundo que ela entra e não me convida é o que mais me assusta. Agora está sentada ao meu lado, pela manhã me disse animada - "Bom dia Miloca!" eu fiquei animada e fui buscar o café, quando voltei já era outra pessoa. Perguntou-me que mão era aquela que segurava a sua mão, eu disse que era a dela mesmo; me perguntou que doença ela tem, quem está na ponta da mesa... então ela canta e fala de sonhos para depois silenciar e entrar nesse mundo paralelo. Enlouquecedor? Até que não, acho que estou aprendendo a lidar com isso, mais uma lição que a vida está me dando. Para que? Não sei e já nem quero saber, os místicos dirão que isso é para me iluminar, ok. E depois que eu me iluminar, o que eu faço com essa Luz? E depois que eu fizer algo com essa Luz, acho que me ilumino mais um pouco, então... o que eu faço com o resultado do que fiz com essa Luz? Mais Luz? Acho que não quero tanta Luz, prefiro minha parte em gargalhada."