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Frases de Miguel carneiro

4 frases

"A Jaula e o Espelho" Eu era o problema que me fizeram crer, Até que um dia me ousei conhecer.
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"A Jaula e o Espelho" Eu era o problema que me fizeram crer, Até que um dia me ousei conhecer. As grades eram minhas, a chave também, Quem as construiu, as pode desfazer. A sombra que temia, agora é minha luz, O caos que vivia, hoje é minha cruz. Não sigo rebanhos, não busco lugar, Sou meu próprio norte, meu próprio mar. Calei mil vozes, carreguei mil dores, Transformei em força todos os ardores. Quisram que duvidasse, que baixasse a face, Mas ergui meu espelho no mesmo espaço. Não peço licença para ser quem sou, Nem troco minha essência por nenhum vou. Deus na minha estrada, eu no meu caminho, Plantando verdades no mesmo carrinho. Quem tentar invadir, encontrará fronteiras, Não há mais feridas, nem velhas trincheiras. Sou terra renascida, sou fênix de cinzas, Escrevo minha história com letras mais linhas. E se ainda me julgam, se ainda não veem, Seguro meu silêncio — ele tudo saneia. Pois aprendi na guerra, sangrando calado, Que o trono mais alto é o que foi conquistado.

O Caminho do Mestre Construtor Há em mim um arquiteto de almas, Um construtor de pontes, não de muros.
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O Caminho do Mestre Construtor Há em mim um arquiteto de almas, Um construtor de pontes, não de muros. Minha argamassa é feita de verdades, Meus tijolos, gestos puros. Confio na voz que vem do silêncio, Na intuição que não erra o compasso. Cada passo, mesmo pequeno, É movimento no vasto espaço. Quando o medo mostrar sua face, Trago o amor como ferramenta. Dissolvo sombras com coragem, Numa ação sempre presente e lenta. Minha voz é instrumento de cura, Minhas mãos, canais de abundância. Não construo para minha glória, Mas para servir com reverência. Projetos que atravessam eras, Não por vaidade ou por louvor, Mas por saber que a vida inteira É semente de um amor maior. Cada dia é novo alicerce, Cada noite, um balanço da obra. Não busco perfeição nas paredes, Mas a essência que nelas sobra. E quando a jornada parecer longa, Lembro que o amor é meu guia. Sou mestre construtor da esperança— Minha vida, poesia day by day. Pois não construo com pedra e ferro, Mas com sonhos e com cuidado. O maior templo já construído É um coração liberado.

Do Centro Divino Aprendo a olhar desde o Deus que habita em mim
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Do Centro Divino Aprendo a olhar desde o Deus que habita em mim Cada erro— sagrado espelho Cada queda— chão que elevo A autoridade que me deram não se negocia não se empresta não se mancha É direito ancestral escrito na alma antes do tempo ter nome Os contratempos são lições vestidas de dor A solidão— necessária oficina onde forjei minha própria luz A bondade que não espera não cobra não exige É rio que flui por ter sede de dar Não por sede de receber Hoje devo tudo ao Silêncio que fala através de mim Aos instintos divinos que guiam meus passos À gratidão radical por tudo o que fui e tudo o que ainda serei Deus existe em mim não como visita mas como morada permanente E desta casa interior contemplo o mundo já não como estrangeiro mas como centro de onde toda a vida emana e para onde todo o amor retorna

--- O amor, aos meus olhos, não foi um passo, foi um precipício. Foi o silêncio que caiu entre dois suspiros,
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--- O amor, aos meus olhos, não foi um passo, foi um precipício. Foi o silêncio que caiu entre dois suspiros, o instante em que o mundo perdeu o seu mapa e eu me perdi no asterisco dos seus olhos. Minha vida, antes um compasso aleatório, aprendeu a gravitar. Girou em órbitas tão certas que chuva era apenas um detalhe no vidro, e as montanhas,meras dobras no caminho que eu desdobrava com as mãos só para voltar ao teu eixo. As rosas que te dei eram pálidas, tímidas traduções de um jardim interior que só florescia com o sol do teu olhar. Cada pétala,um segredo não dito; cada espinho,o medo de tanto sentir. Perdemos a conta do tempo no labirinto dos nossos olhares. Cada olhar,uma promessa de eternidade escrita em linguagem de sóis e sombras. E eu desejava beijar-te até que o amanhã se tornasse um mito, até que o relógio do universo esquecesse seu próprio tique-taque. Foste a história mais longa escrita no tempo mais curto. Um épico com final de haiku: doce,súbito e que deixou um vazio mais eloquente que qualquer palavra. E assim acabamos num princípio, um paradoxo que ainda me sangra. Largar-te foi arrancar raízes do peito, foi o mais doloroso que a vida me trouxe. Mas o coração, esse arqueólogo teimoso, nunca se despediu de ti. Ele escava nas ruínas do que fomos e encontra,intacto, o eco do teu nome.