Seus dedos tamborilavam impacientes sobre a bancada da cozinha.
O café fervia e assobiava baixo e sereno.
Cheguei e te surpreendi
com um beijo.
E seus lábios vieram mornos e ansiosos,
como quem vai deixar alguém, como quem se despede.
Amor forte
é amor de despedida –
que beija ardentemente toda vez que toca os lábios.
O medo do
depois torna o
momento intenso – único.
Toquei seus dedos,
ajeitei seu cabelo
e lhe arranhei de leve a nuca.
Sentir seus espasmos
de arrepio e desejo nos olhos só me fez querer-te mais e mais
– a cada segundo.
No rótulo dizia: "Cuidado Amor" - um comprimido ao dia.
Venda sob prescrição médica.
Tomei o vidro todo. No hospital o diagnóstico foi: tentativa de suicídio.
Mas ninguém havia me perguntado nada.
...era só uma tremenda saudade.
Só isso.
Ele havia desabotoado a blusa toda.
Seus olhos carregavam a canseira do dia, mas eram tenros, depositados em mim.
Ele analisava o contorno de meu dorso e tocou de leve minha cintura num não mais agüentar só olhar. Puxou-me os cabelos, com a docilidade de todas às vezes. Suspirou em meus lábios: “Já volto” que durou a eternidade de minutos incabíveis num desejo de tê-lo – insuportável a espera.
Voltou seminu envolto numa toalha branca, que contrastava com sua pele tão única. Me mordiscou de leve o queixo e praguejou como eu conseguia ficar tão linda a cada minuto que passava. Dizia ele: “Você é tanto para mim” e eu: “Mas sou tudo exatamente do que você precisa – sou esse tanto todo!”.
E a noite era tão pouco!
No mundo há amor por tudo.
Ama-se muito e com freqüência.
O meu amor, não é menor, nem maior, nem mais bonito - meu amor é líquido e transcende o imediato.
Ok, meu amor é pela escrita.
Quando eu sorrir,
Me chama pra te seguir e ser tua assim, sem prega nem laço.
O que quero é permanecer em teu encalço, sem praguejar.
Solto meu cabelo e o que te invade é meu cheiro
e tua alegria é completa estando assim, tão perto de mim.
– eu te contento,
Te preencho,
Te invento,
Te isento de qualquer tristeza.
Dorme em mim,
Me faz teu cobertor, teu manto carmim.
Festeja em minha boca a vitória, a conquista – sou tua,
Arisca - me mordisca,
Me acelera o batimento do coração.
Te chamo – venha, do contrário não há perdão
E te contenta nesse nosso emaranhado de sentimentos loucos.
Eu já tentei a liberdade algumas vezes.
Já brinquei de voar e fui tocada pelo vento –
Já abri os lábios para comer nuvens de algodão doce
E sentir o sabor tênue de lágrimas de chuva.
Mas o que faz meu coração ser realmente livre
É estar aprisionado ao teu som, impaciente pela casa;
É estar colorido dos matizes do teu riso, mesmo riso de mau humor depois de um dia cansativo no trabalho;
É saber-me tua, de algum modo.
É ter a lua bem debaixo dos pés no teu céu estrelado
– olhos semicerrados cantando-me cantigas de embalar o sono.
Havia no jardim uma garota.
Seus grandes olhos observavam o voar de uma folha outonal, que pendia duma árvore qualquer – naquele imenso quintal de sonhos.
Um rosto delicado, com sardas que pareciam pitadas pela mão de um artista renomado.
Os olhos – invadiam com ardor e trincavam a alma quando se olhava bem no centro.
Ela esboçava um sorriso, quando me via chegar.
- eu lhe tocava a barra da blusa e lhe dizia entre dentes –
“fica comigo!”.
Ela pegava a flor dos meus dedos e a enroscava no cabelo – como se enroscasse meu coração nela.
Eu sentia o pulsar da lateral de sua orelha martelando meus sentidos quando ela debruçava em mim para contar do seu dia.
E me ardia,
Ardia aquela boca tão fina – longe da minha.
Ela dizia:
“Espera o amor – se curtido, fica mais saboroso”.
Já me perdi diversas vezes nessa estrada –
Estrada tipo emboscada que se bifurca em vários caminhos: difícil decidir.
Difícil partir. Difícil trocar os pés, avançar o passo,
Quando deixo como rastro um coração partido.
Sonho com teus olhos
E tua boca reluzente.
Sinto o perfume do teu cabelo e o que me acerta são respingos de chuva
Como quando teu corpo me pingava molhado, pós-banho.
Logo volto,
Logo me entrego nos teus braços – me espere.
Casamento?
Pensei em ti, como antídoto de solidão.
Me convida para dançar,
Eu pego tua mão e já não somos um – mas vários sonhos reunidos.
E flutuamos duma nota a outra de melodia, e nossos pés já não tocam mais o chão.
Sinto o perfume das madressilvas,
das rosas desabrochando vida –
pingando cores no borrado que vejo passar por mim quando rodopio em seus braços.
Meu buquê?
No meu abraço
Enlaço-te de uma ponta a outra.
Mordisca minha boca nesta cama tão imensa!
A festa já acabou,
A minha trança se desfez e o que anseio é uma noite carregada de suor e suspiro – sou sua de vez.
Sim, casamento.
Quando
Quando somos pequenos
Queremos colo, afago, mordida.
Quente beijo na bochecha seguido de farra
Quase sorrindo sem parar, ao final do dia.
Quando somos pequenos, o abraço é pouco:
Queremos a mãe inteira, do nosso lado, cantando.
Queremos cantiga, de embalar o sono todo.
Eu sou meio impaciente.
Vejo o telefone dando sopa e logo disco, redisco, desisto e fico prostrada na frente dele.
“Por que não liga?” - me pergunto já torta de tanto discar e desistir.
O amor deveria ser logo. Para o amor não deveria ter grande espera.
Nota: Há, e o amor também não deveria causar úlceras.
Só sendo
Corre o riacho
E te vejo molhando os pés, delicadamente.
Como foi ser tão minha, em tão curto espaço de tempo?
Como compreender tamanha ternura
Em tão curto acontecimento?
Amor.
Coisas de que não entendo:
só sendo.
Casamento
Vamos nos casar: te quero atraente.
Um vestido que te faça corpo-ouro reluzente,
branco, branco como neve.
Sapatos cristalinos, marchantes e precisos no corredor principal
Como o ritmo dos clarins te recebendo – em festa.
Num casamento não basta o amor
É necessário o visual:
Te querer mais que a mim - é o que importa.
Te olhar e desejar-te toda torta
Depois da festa
Numa festa
Só nossa.
ERRO
Vai errando, segue errante – em meu corpo.
Erra, que não te culpo
Escolhe os cantos ainda não certos.
Errar só aumenta o curto
Espaço de tempo do acerto.
E em cada erro, tremo.
Sinergia
Loucura
Tremo.
Eu estarei aqui, bem ao seu lado, quando a lágrima cair,
quando a tristeza invandir o teu coração todo.
eu estarei bem aqui, com meu sorriso imenso, com meu abraço tenro,
te oferecendo cor.