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Frases de Messias Nunes Correia

20 frases

A QUEDA DE DEUS Vi quando Deus caiu da vagem O vento a partiu e o divino se fez visto em queda
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A QUEDA DE DEUS Vi quando Deus caiu da vagem O vento a partiu e o divino se fez visto em queda Até aquele momento estava em segredo Dele não se tinha notícia Pois a vagem era seu esconderijo Foi o vento que desnudou o corpo de Deus Ao tocar o solo era uma canção inaudível Os insetos ouviam e se alegravam As flores captavam a presença em pétala Os pintassilgos saltitavam e repetiam Os matos, em valsas, celebravam a queda de Deus A queda de Deus encheu de humor a gaivota O pássaro no arame esticado E as formigas em fileiras visitavam A queda de Deus foi o espetáculo daquela tarde Ele se arranhou um pouco Sujou suas vestes brancas Mas amei Vê-lo caindo.

Tudo é mistério! Um vendaval se forma em quietude. Um turbilhão que arde e reinflama. Deus no humano, o humano em Deus, um desejo que grita e cala, uma palavra que diz e some. Uma ânsia e uma busca ininterrupta. Assim é o místico! Tendo encontrado Deus, não o encontrou. Tendo Deu…
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Tudo é mistério! Um vendaval se forma em quietude. Um turbilhão que arde e reinflama. Deus no humano, o humano em Deus, um desejo que grita e cala, uma palavra que diz e some. Uma ânsia e uma busca ininterrupta. Assim é o místico! Tendo encontrado Deus, não o encontrou. Tendo Deus nele habitado, o torna vazio. Beija a divina face sempre em despedida, acaricia sua face em espelho, contempla-O sem visão enquanto fé. É o mais comum dos humanos, trivial, cotidiano e orvalha o infinito. Não sabe dizer senão descodificando e sua lógica é um susto, um soluço.

o místico experimenta as delícias de Deus, quase sempre sem paladar. A graça aguça os recipientes dos seus sentidos elevando-os a profundidade de Deus. De outro modo, retira-lhe todo vigor e obscurece as faculdades a ponto do não–sentir. O não-sentir Deus é uma das formas mais pr…
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o místico experimenta as delícias de Deus, quase sempre sem paladar. A graça aguça os recipientes dos seus sentidos elevando-os a profundidade de Deus. De outro modo, retira-lhe todo vigor e obscurece as faculdades a ponto do não–sentir. O não-sentir Deus é uma das formas mais profundas de estar com Ele, pois excede toda explicação.

Devemos falar de Deus sem excesso. Quando falamos excessivamente sobre Deus, Ele desaparece. Em seu lugar erguemos nosso próprio monumento e nos tornamos manipuladores. A quietude é a linguagem mais adequada para falarmos de Deus, uma vez que é assim que Ele se comunica aos homen…
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Devemos falar de Deus sem excesso. Quando falamos excessivamente sobre Deus, Ele desaparece. Em seu lugar erguemos nosso próprio monumento e nos tornamos manipuladores. A quietude é a linguagem mais adequada para falarmos de Deus, uma vez que é assim que Ele se comunica aos homens. Deus é quietude! Nós o anunciamos com barulho e deformamos sua beleza. Não em si, mas em nossa percepção.

EM BUSCA DA DESCRENÇA Crendo padeço de distância O melhor mesmo é descrer por ser
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EM BUSCA DA DESCRENÇA Crendo padeço de distância O melhor mesmo é descrer por ser Acreditar em Deus é distância Almejo o não crer por união Em Deus dispensam-se as formalidades Em Deus cala-se o ser E não mais se ora Essa transverberação do eco A profunda oração é quando se é Em Deus não se quer Deus Não se quer dons e favores Em Deus ausentam-se milagres Imagens Códigos Estruturas Hierarquias Dissolvem-se o que não é Deus, em Deus Em Deus progredimos para pura fragrância E se alcança a evaporação Depois disso nada se sabe Em estado último de consciência Em Deus não há templo Multidões Barulhos Debates Nem mesmo silêncio Há vazio de ego e Eu pleno Não há centro e dimensões Em Deus a consciência cai em abismo Não há abismo e queda Não há pai, mãe e número Luz e escuridão Em Deus não há Ele mesmo Nele somos inaudíveis No mundo tudo é ponte O graveto A folha A ferrugem A penugem Vês aquela pluma? Nela se abre uma passagem E ao pisar a grama se tem notícia Ao transpassar o mundo desnuda E aonde se chega não é Em Deus não se chega Creio em Deus negando-O. Não em Si, mas em meu entendimento.

O OCO Onde está o prazer em opinar sobre tudo? Sou douto em vazios
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O OCO Onde está o prazer em opinar sobre tudo? Sou douto em vazios Especializei-me em nada Discursar sobre coisa alguma me completa Passo horas imaginando o oco Sou ocológico em exercício Levanto o dedo para a face do vácuo A consciência expande cata-vento Do que digo, nada se aproveita: há uma variação entre o nada e o coisa nenhuma.

Nutro uma desconfiança das multidões. Não há nelas atratividade e inteireza. Pela multidão não se chega ao centro do ser, mas o marginaliza. Na multidão, quase sempre, não se observa a sacralidade da linguagem; é próprio dela o desperdício das palavras. Curar-se das multidões, de…
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Nutro uma desconfiança das multidões. Não há nelas atratividade e inteireza. Pela multidão não se chega ao centro do ser, mas o marginaliza. Na multidão, quase sempre, não se observa a sacralidade da linguagem; é próprio dela o desperdício das palavras. Curar-se das multidões, dentro e fora, eis um efeito da vida escondida.

O místico, enquanto caminha, seu próprio chão se abisma. Seus pequenos passos alargam-se em mistério. Ele não caminha, é o mistério que lhe atravessa. Ele caminha lentamente, pois já encontrou o que não encontrou e conhece o que desconhece. O Místico é uma seta apontada para o v…
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O místico, enquanto caminha, seu próprio chão se abisma. Seus pequenos passos alargam-se em mistério. Ele não caminha, é o mistério que lhe atravessa. Ele caminha lentamente, pois já encontrou o que não encontrou e conhece o que desconhece. O Místico é uma seta apontada para o vazio, uma flecha presa ao arco e cravada no exato ponto invisível.

O místico é alguém que em Deus procura Deus. É um lançado no abismo da fé e que se alegra na distância do divino e sente saudade quando perto. Um sinal de contradição para si mesmo, na clara evidência do divino. Em seu coração a intensa luz de Deus obscurece. O místico não interp…
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O místico é alguém que em Deus procura Deus. É um lançado no abismo da fé e que se alegra na distância do divino e sente saudade quando perto. Um sinal de contradição para si mesmo, na clara evidência do divino. Em seu coração a intensa luz de Deus obscurece. O místico não interpreta Deus, contempla-o. Não o ver quando mira os olhos em sua face. Nele, tudo é distância e unidade. O paradoxo do místico diz da sua própria experiência de Deus. Ele é, por natureza, um sinal de contradição. Sua palavra e silêncio "é paradoxal", uma in-explicação do divino.

A NUDEZ DO NADA Não há lados Os olhos não avistam
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A NUDEZ DO NADA Não há lados Os olhos não avistam Suspensão de toda consciência Apenas o Vazio pleno do Ser O desabrochar Eterno do Nada O Vazio gera e espera nascer a não-parte de si. A nudez do Nada obscena O ritmo da palavra se encolhe ao Não-Definido O silêncio do mundo ensaia O Vácuo Existente No Vazio, Tudo É.