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Frases de Melania Ludwig

679 frases

QUARENTENA I Todas as noites estou indo dormir com a sensação de que o dia não existiu. Apenas se repetiu...
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QUARENTENA I Todas as noites estou indo dormir com a sensação de que o dia não existiu. Apenas se repetiu... Estou com saudades de mim mesma, dos meus sonhos, meus projetos, meus amigos, meus filhos, meus irmãos. Agora sinto como é importante para nós o tempo demarcado, estabelecido, daqui a um mês, dois meses, ano que vem. Estamos incapacitados de fazer planos a médio e longo prazo. Parece que fomos jogados num espaço sem relógio, sem pontos cardeais, sem bússola e sem saber de que lado estaremos quando tudo isso acabar. Ninguém sabe... melanialudwig - 05/04/2020

Fala mulher! Espalhe todo seu espanto Entorne aos brados seu pranto
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Fala mulher! Espalhe todo seu espanto Entorne aos brados seu pranto Ensine a quem nada disso sabe E se preciso mostre seu sabre... Por que aceitar a violência Se seu corpo é pura decência? Use o direito de viver seu projeto Estabeleça seu próprio decreto... Ah, Mulher! Não permita que maculem sua vida Não há pecado para ser absolvida Só você tem o poder de gerar Quer maior troféu levantar? Dê o seu grito mulher! De ternuras deve ser cercada De abraços sempre enlaçada Único ser que tem o corpo fecundo Jamais permita ser violentada pelo mundo... 05/11/2015 mel - ((*_*))

EXPLOSÃO DA SOLIDÃO Nesta solidão em que me encontro nenhuma voz consegue deter esta minha introspecção. Tento buscar algum resquício de companhia, mas nada vejo... nada ouço.
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EXPLOSÃO DA SOLIDÃO Nesta solidão em que me encontro nenhuma voz consegue deter esta minha introspecção. Tento buscar algum resquício de companhia, mas nada vejo... nada ouço. Procuro achar uma fenda que deixe escapar meus gemidos tentativa em vão que me exaure ao extremo... Porém, continuo lutando com todas as minhas forças quero sair de dentro de mim a qualquer custo parece que meus gritos são mudos - insisto aperto os meus punhos contra o peito ...finalmente uma chama ardente e assustadora ecoa de minha boca na silenciosa madrugada junto a um som uivante e suplicante é minha solidão pedindo socorro ouço meu próprio eco ao longe além dos prados e rios e morros e mares desmaio aniquilada com as forças exauridas Nada mais sei de mim... mas alguém há de ter me ouvido e virá me resgatar. melanialudwig

Quem nunca teve? Um lenço de batom manchado, Um poema bem decorado?
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Quem nunca teve? Um lenço de batom manchado, Um poema bem decorado? Uma cor preferida, Uma lágrima sentida? Uma dedicatória num papel, Um giro de carrossel? Uma noite mal dormida, Uma triste despedida? Um filme que fez chorar, Uma melodia para dançar? Um beijo roubado, Um desencontro mal contado? Um segredo sem contar, Uma música para cantar? Uma dorzinha lá no peito, Um brinquedo com defeito? Uma jóia preferida, Uma perda na vida? Um doce irresistível, Uma atitude suscetível? Um amor de carnaval, Um recorte de jornal? Um verso no rascunho, Uma agressividade de seu punho? Um sonho de quimera, Uma ilusão na primavera? Um amigo que se foi, Um abraço que deixou pra depois? Uma vontade de ir embora, Uma pressa na demora? Um desejo de amar, Um querer sempre voltar? Um calafrio inexplicável, Uma euforia imensurável? Um medo terrível de morrer, Uma alegria imensa por viver?

QUARENTENA II Mais um dia de quarentena, onde o silêncio monitorou todos os meus passos, sem abraços. Só olhares familiares, cúmplices de sentimentos, antes tão ocultos, agora tão expostos.
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QUARENTENA II Mais um dia de quarentena, onde o silêncio monitorou todos os meus passos, sem abraços. Só olhares familiares, cúmplices de sentimentos, antes tão ocultos, agora tão expostos. Dia sim, dia não, essa melancolia, essa agonia, saudade de liberdade, que sequer era notada. O ir e vir foi delimitado, imposto sem minha permissão, por um desconhecido assustador. Todos dizem, tudo passa, mas enquanto isso, fico me reiventando pelos cômodos da casa, pelas gavetas, com as panelas. Remexendo, tentando entender, tentando não transparecer essa insegurança nos meus próprios pensamentos. E o dia termina como se fosse o fim da água fresca do pote, mas na certeza de que a noite chega para fornecer as provisões esgotadas e restabelecer novo alento e esperança para continuar a jornada. melanialudwig - 21/04/2020

CENSURAS Ouvi de sua boca palavras tão duras em minh'alma provocaram profundas rachaduras
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CENSURAS Ouvi de sua boca palavras tão duras em minh'alma provocaram profundas rachaduras meus versos transformaram-se em clausuras eu que de seus lábios sorvia doçuras quedei-me das asas de suas formosuras caindo no abismo de desconhecidas desventuras o que faço agora com essas fissuras que no meu peito em dolorosas agruras sangram e se calam até nas pequenas rasuras não proferindo sequer sua nomenclatura? melanialudwig

VONTADE DE MINHA MÃE Hoje amanheci com vontade de mãe. É, amanheci, feito pão esquecido no cesto da noite para o dia, um murcho, outro seco, sem saber o que seria feito deles. Amanheci assim, precisando tomar meus remédios, mas sem ter que tomar a iniciativa. Querendo alguém qu…
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VONTADE DE MINHA MÃE Hoje amanheci com vontade de mãe. É, amanheci, feito pão esquecido no cesto da noite para o dia, um murcho, outro seco, sem saber o que seria feito deles. Amanheci assim, precisando tomar meus remédios, mas sem ter que tomar a iniciativa. Querendo alguém que me lembrasse, aqui estão seu remédios, não se esqueça. Ou então, apenas um - dormiu bem? Coloquei-me em pé e segui em direção à cozinha como faço todas as manhãs. Ao atravessar a sala de jantar, me aproximei de um pote de cerâmica, colocado no aparador, diria até, estrategicamente, herança que trouxe lá da “nossa” casa, quando tudo foi dividido, por ocasião da morte de meu pai. Parei e com as mãos em concha, deslisei-as em todo o seu contorno, como se dentro dele estivesse todas as lembranças concretas, desde o dia em que juntas, mamãe e eu, compramos aquela peça. Na época era cara, de bom artesanato. Ela gostou tanto e eu também. Isso foi há muitos anos, nem sei quantos. - Ah leva mãe, não precisa dizer ao pai quanto custou! Voltamos rindo do feito, com todo cuidado para que não quebrasse e sobrevivesse aos sacolejos do ônibus, na sua volta, mais de quatrocentos quilômetros longe daqui. Respirei fundo para afastar a lembrança, a vontade de mãe, e entrei na cozinha. Fui logo passar um café. Adoro café de manhã. Acho o meu café muito bom. Só que eu queria que ela estivesse ali para experimentá-lo e dizer que meu café estava “sehr gut”. - Nossa, filha, você aprendeu a fazer um café sehr gut! Levantei a xícara acima de meus olhos e ocultamente ofereci a ela. Então, desci a xícara devagarinho, como num ritual sagrado e quando senti aquele cheiro quente bem próximo às minhas narinas, sorvi gole a gole em silêncio. Nunca uma xícara de café me pareceu conter tanta vontade de mãe... melanialudwig - 21/08/19