Não chove para sempre Lava-se a calçada de noites mal dormidas Sob a chuva dolente num cair gemido
Continuar lendo
Não chove para sempre Lava-se a calçada de noites mal dormidas Sob a chuva dolente num cair gemido Num choro longo e diligente Zelosa de angústias e desassossegos Mas cresce no peito o novo dia No cinzento da claridade escorregadia Faz-se sol na vontade dos campos Onde brilha ainda o trigo loiro E vestem-se de gratidão os bagos da vida Frementes de desejos impossíveis Cálido e sagaz o fruto da abastança Das águas correntes que banham as margens Esquece-se a noite que foi claro dia Sacode-se o caminho do pó da melancolia E recorre-se à loucura do mundo para enfrentar Todas as intempéries com ousadia