O IMPÉRIO DE MASCA Uma sátira sobre o quê? Era meados de maio, em 2020, quando este reino saudou, por imposição de seu nobre Monarca, a nova soberana.
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O IMPÉRIO DE MASCA Uma sátira sobre o quê? Era meados de maio, em 2020, quando este reino saudou, por imposição de seu nobre Monarca, a nova soberana. Esta ¨amiga do povo¨ oferecia proteção contra a invasão do bárbaro Sars, “O Temível”. Num cenário em que a manchete era de caos iminente, com sintomas aqui e acolá, a providência monarca parecia atender aos interesses gerais. Masca, a Imperatriz, então, chegou ovacionada como salvadora da pátria. A figura vindicava, com muita elegância, tão e somente o respeito às suas regras, aquelas tidas como básicas, para as quais nem o mais abastado de intelecto haveria de discutir, porquanto dispostas em nome do bem supremo (saúde e tranquilidade para todo o Império). Todavia, de início, queixas e desconforto; extrema confusão, pessoas sem identidade; ruídos controversos de opinião. Incômodo! É fato, diante da nova Imperatriz, pairava na gente do reino. Mas…com o tempo, quase todos renderam-se, súcubos de tão hipnótica majestade. Aquela figura, solerte e receosa de abandono, cuidou de mostrar nova roupagem, para o agrado da população. Colorida, alegre e engraçada, até mesmo personalizada, tudo ¨de acordo com o desejo de cada integrante do reino¨, acolhendo de um jeito lúdico e especial, até mesmo os pequeninos, antes livres da perturbadora discussão. Era tanta beleza espalhada, que até memorava a outra disposta em arte no centro do mundo moderno, em Les Amants, René Magritte. A figura a quem aqui se dá o título de imperatriz, afinal, não parecia tão cruel. Justificativas não faltavam para a sua defesa; seus súditos manifestavam desculpas inclusive quando se esqueciam de saudá-la; confusão, as pessoas de fato mudaram seu comportamento, adaptando-se ao novo comando. Contudo, por razões toldadas, não havia felicidade no ímpeto daquela nação. As vozes calaram-se, os sorrisos desapareceram, o ar tornou-se de difícil inspiração e expiração; entretanto - porque no coração do povo ¨há bondade e empatia com o próximo", tinha-se de respeitar a coletividade, sob pena de banimento. Verdadeira tirana e abusadora social, em verdade, vilipendiou todos os valores. Fustigou os rostos, escamoteou risos e aproveitou para represar informação, funcionando como um simulacro de mordaça, sufocando o conhecimento. Até mesmo os mais íntimos da lei que enxergavam aqueles despautérios preferiam o silêncio, receosos de maior restrição de suas já parcas liberdades. Movimentos e dança também sucumbiram, não obstante tóxicos resultados durante a atividade física. Abusos deveriam ser suportados por um bem maior, ainda que por mau. Sorrisos, expressões, ar, liberdade, tudo efêmero perto do novo e permanente rebuço. Liberdade em raras ocasiões, por exemplo, quando sentados os discípulos para alimentação. Porém, quando na vertical, a canga retornava, porque ressurgia das cinzas o invasor. Mas para quê revoltar-se? Afinal protegidos, enfeitados e alguns até confortavelmente escondidos por detrás do novo adereço. O bafo da dentadura melhor solitário. Até os tímidos, desta vez, ganharam força (perderam a voz, de vez). A Soberana negava a verdade, colocava uns contra os poucos, confundia suas vítimas, ao mesmo tempo em que elogiava-as por terem a coragem de defendê-la e glorificá-la. O tempo transcorre. A maioria vibrou em medo, depressão, sofrimento, isolamento. A minoria despertou para a cruel realidade e bradou: ABUSO! No horizonte a liberdade da já sempiterna abusadora. Agora finalmente “democracia”! Um édito real (do Monarca) decretou a sua separação do Império, já preocupado com o novo destino de seu Reino, o qual deseja ampliar, não sem aprovação unânime de sua já fiel população. A conviva agora já não lhe servirá! Estaria a Imperatriz descartada, não fosse o pânico difundido e consequente prestígio conquistado. Muitos querem a manutenção de forças da Cruella De Vil, nefanda comensal; afinal, criou-se com ela um vínculo, uma espécie de conexão pessoal, emocional e até mística! Confortáveis, por de trás da escuridão querem permanecer. Sentimentos positivos em relação à nobre tirana, negativos contra quem a menoscaba, vociferando anátemas (rebeldes negacionistas, egoístas, burros, bois, etc); o povo é seu convivas, além de partilhar das idéias da grande irmã. Encantados pela algoz, muitos até desejam, mas não conseguem abandoná-la. Simbioticamente, em verdadeira SÍNDROME DE ESTOCOLMO, quem reinou foi o abuso, a cegueira, a incoerência e a falta de união. Sieg Heil! Escrito em março de 2022