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Frases de Matthews Schmidt

6 frases

O Equívoco do Olhar Em meu peito reside o desalento, De um querer que se perde no vazio;
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O Equívoco do Olhar Em meu peito reside o desalento, De um querer que se perde no vazio; É como o sopro incerto de um momento, Que traz o fogo e logo após o frio. Pergunto ao tempo o que o destino traz, Se este laço é de seda ou de corrente; Pois busco o porto e a minha própria paz, Mas sinto o abismo à frente, de repente. Não sei se é alma que em silêncio chama, Ou se é o medo de se dar à sorte; Pois quem muito se entrega, muito inflama, E faz da dúvida um castelo forte. Se o amor é mestre de tamanha ciência, Que me ensine a ler o que o coração diz; Pois viver na penumbra da indecisão, É querer ser maré e ser apenas infeliz.⁠

O Mapa das Marés Não é falta, nem é porto seguro, É o meio do caminho, o escuro.
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O Mapa das Marés Não é falta, nem é porto seguro, É o meio do caminho, o escuro. Uma vontade de mergulhar fundo, Contida pelo medo de findar o mundo. Há dias em que o peito é oceano, Vasto, imenso, soberano. Noutros, a dúvida é correnteza, Que arrasta a alma e traz a incerteza. Amo? Ou amo a ideia de amar? O silêncio responde com o som do mar. Pois quem busca a borda nunca se perde, Mas quem busca o abismo, a si se entrega e intercede. Que a dúvida não seja o fim da estrada, Mas o repouso da mente cansada. Se o amor é mistério, deixe que ele seja, A onda que quebra, o que a alma deseja. Matthews Schmidt

O Preço da Travessia O amor é um convite ao abismo, um passo no escuro onde o chão não se vê.
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O Preço da Travessia O amor é um convite ao abismo, um passo no escuro onde o chão não se vê. O medo é o muro, o cinza mecanismo, a trava na porta que impede o "você". É o risco de ser, por inteiro, espelho, de dar ao outro a chave do que guardei no fundo. É ver o castelo, por mais que ele seja belo, correr o perigo de se tornar pó, num segundo. Quem teme a entrega, prefere a margem, onde a água é mansa e o sol sempre brilha. Mas a vida se perde em tanta paisagem, se a gente não entra na própria trilha. Amar é ceder o controle da maré, deixar que o outro navegue o que é meu. E o medo que sinto, de pé, quase em fé, é o preço que pago por ser quem sou eu. É o medo de, enfim, ser compreendido, e, no fim da viagem, não ser mais um perdido

Maré Alta de Mim Disseram que eu era margem, esperando o toque, Que era concha vazia, ansiando por som.
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Maré Alta de Mim Disseram que eu era margem, esperando o toque, Que era concha vazia, ansiando por som. Mas descobri o abismo, o azul e o choque, E percebi que ser só... é o meu maior dom. Não busco no outro o balanço das águas, Eu sou a corrente, o refluxo e a foz. Lavei nas areias as antigas mágoas, E ouvi, no silêncio, a minha própria voz. Por que buscaria o brilho de um farol, Se guardo em meu ventre o sol que mergulha? Eu sou o espelho, o sal e o lençol, A força que ruge, a calma que arrulha. Não caibo em abraços que buscam prender, Meu limite é o horizonte, o infinito, o além. Aprendi que amar-se é o único dever, Sou mar por inteiro, e não metade de ninguém. Matthews schmidt

Onde a Alma Repousa Não busco mãos que apenas desenhem contornos, Que percorram a pele em mapas de desejo,
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Onde a Alma Repousa Não busco mãos que apenas desenhem contornos, Que percorram a pele em mapas de desejo, Quero o toque que atravessa os meus adornos, E encontra o âmago em cada um dos meus beijos. Não basta o corpo, febre que arde e passa, Preciso da chama que aquece a estrutura, Que lê nas entrelinhas, que sente a graça De navegar o que há em mim de mais ternura. Quero alguém que toque o que é invisível, Que descodifique o ritmo do meu coração, Que torne o meu abismo algo acessível, E faça da minha alma uma nova canção. Não apenas a superfície que o olhar alcança, Mas o avesso do peito, onde o sonho reside, Alguém que cure o medo, traga a esperança, E na minha essência, finalmente, se guie. Que o toque seja um elo, um elo profundo, Que não apenas possua, mas que venha habitar, Aquele que, ao me tocar, ganha o mundo, E ensina a minha alma, enfim, a repousar. Matthews Schmidt

O alquimista do cotidiano Não é o raio que corta o céu num estrondo, Nem a cena de cinema com chuva e paixão;
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O alquimista do cotidiano Não é o raio que corta o céu num estrondo, Nem a cena de cinema com chuva e paixão; O amor é o silêncio que preenche o fundo, A nota constante em meio à confusão. É o café posto à mesa sem ninguém pedir, O olhar que traduz o que a boca não diz, A vontade mútua de ver o outro florir, Sendo, no processo, também mais feliz. Não vive de heróis, nem de grandes lendas, Mas de mãos dadas enquanto o tempo corre; É o laço macio que dispensa as vendas, O fogo que se cuida para que não morre. É porto, é partida, é o risco aceito, De ser imperfeito em um mundo ideal, E descobrir que, dentro do peito, O amor só é grande quando é real.