Erros que rodeiam, palavras que cortam, atitudes tomadas e escolhas feitas, caminhos sem volta. Alma que grita, corpo que em cansaço, cai. Já não mais um jardim de flores, um panamá inteiro, não, agora a sua alma se encontra em caos.
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Erros que rodeiam, palavras que cortam, atitudes tomadas e escolhas feitas, caminhos sem volta. Alma que grita, corpo que em cansaço, cai. Já não mais um jardim de flores, um panamá inteiro, não, agora a sua alma se encontra em caos. Quando olhava para dentro se sentia mais viva, quando imaginava sua alma se via como uma edição melhorada do jardim de Keukenhof , um jardim botânico, um casarão dos anos 60 ou até mesmo como o jardim de fadas de Elianor, a sua personagem favorita de seu livro favorito Ela exalava vida Exalava amor Talvez não o tempo todo transmitisse Mas o tempo todo estava lá Ela era uma mistura de cheiros, texturas e sabores Amável, forte, corajosa e delicada Um turbilhão Ela era ela Esta provavelmente é a melhor forma de defini-la Ela. Era ELA e ponto, por que igual a ELA nenhuma outra haveria Ela pulsava de dentro pra fora Ela tinha algo que surtia de dentro dela Era como aroma, ou senão brilho, quem sabe não era até mesmo uma imagem A imagem do seu sorriso, que quando aberto espremia os olhos, e eles pareciam que iam mais para baixo para tentar alcançar a sua palpável alegria, só para aumenta-lo mais Era um vendaval Uma tempestade Um furacão Uma desordem bonita Como quem espalha 100 tipos de sementes diferentes em um mesmo canteiro que mais tarde vem a se tornar um muro colorido Ela tinha todo o tipo de vida em si Se precisasse de esperanças, a melhor pessoa para buscar era ela Ela te olharia e sorriria com olhar furtivo, suspiraria e soltaria uma pequena gargalhada, talvez a sua voz saísse até mesmo mais suave, era um poço de paciência por que sabia que brava ninguém jamais a levaria a sério. Tinha gostos simples Tinha aquela beleza simples que hoje em dia é tão rara Como aquela flor que nasce sem ser cultivada e ninguém da valor Ela era isso, era uma dessas coisas simples da vida mas que fazem toda a diferença, era como um detalhe que ninguém nota, mas faria falta se não estivesse ali,por que o que é a vida, senão um amontoado de detalhes? Ela era sim, um pequeno detalhe Mas então ele veio. Como uma praga que inundou seu jardim Como quem coleciona borboletas em potes para vê-las sufocar até morrer Retirou dela o sentimento de vida Ela agora tão somente existia, tão somente respirava e agia como uma pessoa controlada pela sociedade Ele veio com o extermínio, com o fim, ele veio com o machado que decepou furtivamente todas as cerejeiras de seu coração Seu olhar de menina, ele arrancou Retirou dela brutalmente sua singela pureza Acabou com tudo Acabou com as tulipas Ela já não sonhava mais com canteiros de hortênsias Nem se via em casarões dos anos 60 Ela se dilacerou Ele a dilacerou Ao olhar para dentro de si agora, substituindo toda a vida Ela via um cemitério Um perfeito cemitério de esperanças De sonhos De feitices De vontades Um perfeito cemitério do que lhe significava tudo Ela precisava de vida Inutilmente gritava pela vida dentro de si Sentia-se sufocada E flores sufocadas morrem Cada segundo a mais que ela sentia seu pulmão ser cheio e esvaziado de ar era como se menas vida ela tivesse Devastada Ele por prazer, ao avistar a terra mágica dentro dela, tão virgem e sã, desejou devastá-la Sentiu-se bem em certificar-se de que resquício de vida algum haveria dentro dela mais uma vez Ah, ingênua Ingênua foi ela Que loucamente caiu apaixonada nos braços de seu assassino Ele que tornou até mesmo a terra donde a vida nascia infértil para a felicidade Fez dela uma terra de osso secos De fontes secas Sorriso superficial Olhar vago Sentimentos irrelevantes Um coração vermelho vivo, pulsante Agora encoberto de fuligem estava Apagada, murcha Ela não era mais ELA Agora apenas mais uma E da alma subiu a consciência Acusadora consciência Que rouba teu sono Que rouba tua paz Que rouba teu domínio próprio Que furta tua dignidade para o mais obscuro você. Ele foi o fim Ela se fez de final Mas descobriu que para todo fim há um recomeço e que para toda morte há uma probabilidade de nova vida Tratar da terra não é difícil Espalhar sementes muito menos Cultivá-las é um prazer E velas florescer é sentimento de vida Ela se tornou um caos Mas descobriu que até no caos a vida pode ressurgir de novo Hoje, ela é o caos mais florido que já pudi conhecer Se depois da desgraça ela recuperou seu jardim? Não, jamais Porém, um bosque germinou nela, com flores silvestres e arbustos verdes escuros, arvores com copas altas e bem no meio, uma clareira Não era mais alma de menina Era alma de mulher Pessoa forte que faz das suas dores insumo pra nutrir o amor.