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Frases de Mario Quintana

694 frases

Parece que só na vida é que há ficção.
Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos) e o tempo futuro (esperança, para os idealistas). Uma gangorra, como vês, cheia de altos e baixos – uma gangorra emocional. Isto acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de vez o Homo sapiens. Mais fe…
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Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos) e o tempo futuro (esperança, para os idealistas). Uma gangorra, como vês, cheia de altos e baixos – uma gangorra emocional. Isto acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de vez o Homo sapiens. Mais felizes os animais, que, na sua gramática imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo. E que nem dá tempo para suspiros...

Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram suc…
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Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram sucata. A poesia, nunca.

Segunda canção de muito longe⁠ Havia um corredor que fazia cotovelo: Um mistério encanando com outro mistério, no escuro…
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Segunda canção de muito longe⁠ Havia um corredor que fazia cotovelo: Um mistério encanando com outro mistério, no escuro… Mas vamos fechar os olhos E pensar numa outra cousa… Vamos ouvir o ruído cantado, o ruído arrastado das correntes no algibe, Puxando a água fresca e profunda. Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas. Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros, E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões. Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu. Havia os azulejos, o muro do quintal, que limitava o mundo, Uma paineira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrelas… Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos… As lindas e absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros, O chiar das chaleiras… Onde andará agora o pince-nez da tia Tula Que ela não achava nunca? A pobre não chegou a terminar o Toutinegra do Moinho, Que saía em folhetim no Correio do Povo!… A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro. Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído. E ela nem se voltou para trás!

A mudança A alegre, a festiva agitação das panelas e tachos A inútil zanga dos velhos armários de mogno, solenes,
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A mudança A alegre, a festiva agitação das panelas e tachos A inútil zanga dos velhos armários de mogno, solenes, Achando tudo aquilo uma grande palhaçada... As xícaras e pires fazendo tlin-tlin-tlin-tlin As gaiolas dos passarinhos cantando em coro com os próprios passarinhos Oh! a alegria das coisas com aquela mudança Para onde? Não importa! Desde que não seja Este eterno mesmo lugar!

Não basta saber amar… Neste mundo, que tanto mal encerra, não basta saber amar,
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Não basta saber amar… Neste mundo, que tanto mal encerra, não basta saber amar, mas também saber odiar, não só servir a paz, mas também ir para a guerra. Seguiremos assim o próprio exemplo de Jesus, que tanto amor pregou na Terra..., quando Ele, num ímpeto de cólera, a relhaço expulsou os vendilhões do templo!