Parece que só na vida é que há ficção.
Frases de Mario Quintana
694 frases
Tenho uma enorme pena dos homens famosos, que por isso mesmo perderam sua vida íntima e são como esses animais do Zoológico, que fazem tudo à vista do público.
O homem é um bicho que arreganha os dentes sem necessidade, isto é, quando nos sorri.
Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos) e o tempo futuro (esperança, para os idealistas). Uma gangorra, como vês, cheia de altos e baixos – uma gangorra emocional. Isto acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de vez o Homo sapiens. Mais fe…
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Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos) e o tempo futuro (esperança, para os idealistas). Uma gangorra, como vês, cheia de altos e baixos – uma gangorra emocional. Isto acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de vez o Homo sapiens. Mais felizes os animais, que, na sua gramática imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo. E que nem dá tempo para suspiros...
Acusarem um poeta de ser egoísta é acusá-lo de ser ele mesmo.
Não tentes tirar uma ideia da cabeça de outrem porque, examinando bem, verás que em geral não se trata de ideias, mas de convicções. São inextirpáveis. E a causa única de todas as guerras – políticas ou religiosas, paroquianas ou internacionais.
Há vivos que não sabem que estão vivos...
Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram suc…
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Não pretendo que a poesia seja um antídoto para a tecnocracia atual. Mas sim um alívio. Como quem se livra de vez em quando de um sapato apertado e passeia descalço sobre a relva, ficando assim mais próximo da natureza, mais por dentro da vida. Porque as máquinas um dia viram sucata. A poesia, nunca.
A tarde é uma tartaruga com o casco pardacento de poeira, a arrastar-se interminavelmente. Os ponteiros estão esperando por ela. Eu só queria saber quem foi que disse que a vida é curta...
Deve ser o fio de vida que vai unindo, pedaço a pedaço, essa colcha de retalhos que é a história do mundo.
Como é que pode escrever certo quem não sabe ao certo o que procura dizer?
Há dois sinais de envelhecimento. O primeiro é desprezar os jovens. O outro é quando a gente começa a adulá-los.
Hoje o que mais se precisa é de silêncios que interrompam o ruído.
A idade é o menor sintoma de velhice.
Todo poema é uma aproximação. A sua incompletude é que o aproxima da inquietação do leitor. Este não quer que lhe provem coisa alguma. Está farto de soluções.
As religiões cresceram entre os humildes porque aqueles que estavam por cima já se julgavam no paraíso.
O bicho, quando quer fugir dos outros, faz um buraco na terra.
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O bicho, quando quer fugir dos outros, faz um buraco na terra. O homem, para fugir de si, fez um buraco no céu.
A morte é o aperitivo da vida.
Mas se a vida é tão curta como dizes por que é que me estás lendo até agora?
Segunda canção de muito longe Havia um corredor que fazia cotovelo: Um mistério encanando com outro mistério, no escuro…
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Segunda canção de muito longe Havia um corredor que fazia cotovelo: Um mistério encanando com outro mistério, no escuro… Mas vamos fechar os olhos E pensar numa outra cousa… Vamos ouvir o ruído cantado, o ruído arrastado das correntes no algibe, Puxando a água fresca e profunda. Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas. Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros, E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões. Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu. Havia os azulejos, o muro do quintal, que limitava o mundo, Uma paineira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrelas… Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos… As lindas e absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros, O chiar das chaleiras… Onde andará agora o pince-nez da tia Tula Que ela não achava nunca? A pobre não chegou a terminar o Toutinegra do Moinho, Que saía em folhetim no Correio do Povo!… A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro. Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído. E ela nem se voltou para trás!
A mudança A alegre, a festiva agitação das panelas e tachos A inútil zanga dos velhos armários de mogno, solenes,
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A mudança A alegre, a festiva agitação das panelas e tachos A inútil zanga dos velhos armários de mogno, solenes, Achando tudo aquilo uma grande palhaçada... As xícaras e pires fazendo tlin-tlin-tlin-tlin As gaiolas dos passarinhos cantando em coro com os próprios passarinhos Oh! a alegria das coisas com aquela mudança Para onde? Não importa! Desde que não seja Este eterno mesmo lugar!
As civilizações As civilizações desabam por implosão...
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As civilizações As civilizações desabam por implosão... Depois, como um filme passando às avessas elas se erguem em câmera lenta do chão. Não há de ser nada... Os arqueólogos esperam, pacientemente, A sua ocasião!
Não basta saber amar… Neste mundo, que tanto mal encerra, não basta saber amar,
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Não basta saber amar… Neste mundo, que tanto mal encerra, não basta saber amar, mas também saber odiar, não só servir a paz, mas também ir para a guerra. Seguiremos assim o próprio exemplo de Jesus, que tanto amor pregou na Terra..., quando Ele, num ímpeto de cólera, a relhaço expulsou os vendilhões do templo!
O ópio Dizem os comunistas que a religião é o ópio do povo; outros dizem que o ópio do povo é precisamente o comunismo; se pedissem a minha opinião, eu diria que o ópio do povo é o trabalho.