Pular para o conteúdo

Frases de Mariana Ianelli

5 frases

⁠Vem! Amanhã começa o mundo... A primeira luz. O primeiro alento. O primeiro rosto. O que os outros
Continuar lendo

⁠Vem! Amanhã começa o mundo... A primeira luz. O primeiro alento. O primeiro rosto. O que os outros Vão dizer? As mil palavras de sempre Talvez também algumas novas Mas as palavras, meu amor, as palavras Ainda nem se formaram: só amanhã Começa o mundo. A primeira pele. A primeira lua. O primeiro susto. O homem que disse, uma vez, sabia: Nascer é mesmo muito comprido. Nascer, meu amor, não termina nunca.

⁠Os teus olhos Que estejam vivos em algum lugar Os teus olhos –
Continuar lendo

⁠Os teus olhos Que estejam vivos em algum lugar Os teus olhos – Não importa onde se demorem, Que coisas afaguem, que outras molestem, Importa que estejam vivos e curiosos Esses olhos E olhem para dentro alguma vez E o que vejam Seja alguma força de sequóia Presa à terra desde o império De outros tempos E seja ainda uma fonte de pedra, Sejam águas correntes e o privilégio De uma calma repleta (O regozijo da sombra Passado o terror das guerras) Que dessa multidão, desse rubor de sumo E segredo de floresta Se encham os teus olhos, E só então se esfumem, e só então se fechem.

⁠Fazer fogo Que sei eu da tua vida feita de milhões de instantes? De tuas monstruosidades, tuas taras, teus dramas?
Continuar lendo

⁠Fazer fogo Que sei eu da tua vida feita de milhões de instantes? De tuas monstruosidades, tuas taras, teus dramas? Que sei eu dos teus contrabandos no caminho até agora? Se nem sei teu nome e as palavras de um pós-guerra São como pedras que precisamos atritar para dar fogo… Não é mau que o cenário seja pobre e antes uma questão De sobrevivência fazer fogo: isso aproxima estranhos, dispensa Cerimônia, protela a discórdia e nos chama a certos gestos De linguagem universal, rosto de dor, corpo com sono, sede, Medo, fome, e então se tocam a tua loucura, a minha sanha, O meu desejo e o teu desejo, acordados, então queimamos, E queimamos bem, como se assim fizéssemos juntos a vida toda.

⁠O amor e depois Era esperado que aos poucos Definhasse, fosse desaparecendo
Continuar lendo

⁠O amor e depois Era esperado que aos poucos Definhasse, fosse desaparecendo Naturalmente levado pelo sono. Era suposto que por abandono Morresse – E não teria o vento nenhum sentido De ventura, seria apenas A passagem de uma hora branca, Entre outras tantas, Para um coração manso Que já nada espera nem recorda – Como se o tempo não devorasse Também o desconsolo, E dele fizesse exsudar um leve perfume, Como se não arrastasse Cada corpo uma penumbra, Como se fosse possível Em vida a paz dos mortos.

⁠Treva Alvorada Absurda leveza que te faz afundar E não é a morte.
Continuar lendo

⁠Treva Alvorada Absurda leveza que te faz afundar E não é a morte. Cumpres tua descida calado (Uma palavra por descuido Seria amputar a verdade). Náufrago do tempo, Tuas horas transbordam. Dentro da lágrima, Imensidão, já não choras. Estrelas e estrelas, Copulam a sede e o engenho De que te alimentas Como nunca te alimentou O gosto da carne. Tua face atónita Se existisse uma face, Tuas costas nuas, Se a nudez fosse do corpo. Um sorvedouro Onde a paz dos contrários, Treva alvorada. Fecundado, flutuas. É a lei da graça.