Descaminhos
Marcas vazias, carimbos no nada...
O que posso eu esperar dos temporais, além da fúria devastadora por onde passam e o cheiro da morte no ar?
E do homem? No coração, a vingança; sobre a cabeça, um manto de luto...
Meu canto...
Em notas caladas diviso
O ontem, o hoje, o sempre...
Sempre presente canto,
Âncora do silêncio refletido
Na imensidão da tua Presença
Meu canto...
_________________, nada que se possa dizer ou fazer anulará retalhos do tempo embebidos de dor e saudade...
Silêncio, palavras, notas da vida não preenchem o vazio experimentado frente à definitiva travessia de quem amamos: você que - pelos sublimes elos do amor maior – ocupa lugar cativo em nossos corações.
No entanto, conforta-nos saber, este mesmo vácuo - com o passar das horas insípidas – abrirá clareira à significativas travessias esboçadas nas pautas do nosso viver. A morte é porta...
AMOR, LIÇÕES e SAUDADE, sempre!
P.S. A morte é condição para que possamos realizar novas e significativas travessias a cada amanhecer que desponta dentro de nós...
Para mim, ela tem um significado especial: é porta do irreal ao real; da escuridão à luz; do trivial ao essencial; da "morte" à imortalidade... Assim, uma vida que desconhece o vácuo oriundo das sucessivas mortes experienciadas em alto mar é incapaz de vislumbrar a magnitude do porto que a aguarda.
É outono...
Como folhas, quedo-me às horas sem horizonte de mãos vazias... Uns parcos grãos atirados ao solo, por certo, não germinarão.
Então... Quebro o silêncio ou - resignada - aceito a queda? Cadê teu ombro, agora?
Se vejo, não sinto; se sinto não há escolha, senão adormecer... E renascer em verdes dias.
Em tempo
Sou náufraga desse mar
Que te arrasta... Afasta-te!
Por quê?
Eu sei?... Certezas
Não recolhem passos,
Nem tuas marcas em mim
Ah! Marcas, marcas...
Não sem agonia,
Liberto-te!
E...
Aqui, minh'alma silencia!
Marcas...
Pausa, ausência, silenciosa presença... Como denominar esse vazio impresso nas páginas insossas - outrora - vividas?
Pensando bem... Que peso tem isso agora, se as marcas diluídas nos retalhos do tempo que passa não passam jamais? Ah, são tantas... Indeléveis e silenciosas, pontuando momentos tão meus - retalhos nos quais eu evoluí sob a égide do teu intermitente s i l ê n c i o.
Deixa-me!
De que valem as pétalas sem o carimbo da aurora?
O brilho, na opacidade das horas...
De que valem os ventos sem direção?
E os passos, então...
Palavras maquiadas só reforçam a indiferença represada nos meus olhos...
Sou MULHER, sou POESIA
Sou mulher, sou poesia
Nos teus sonhos,
FANTASIA
Sou mulher, sou guerreira
Nas lutas,
COMPANHEIRA
Sou mulher, sou aliança
Nas sombras,
ESPERANÇA
Sou mulher, sou alegria
Na leveza do meu ser,
HARMONIA
Divagações...
Quem me dera ser águia a voar através do sol, desconhecendo - das próprias asas - os limites... Ou notas musicais - em âncoras transformadas - eternizando fragmentos de um tempo intensamente vivido... Ou, então, mar de águas claras, de ondas valentes, de mistérios profundos a transmutar sentimentos do (a) poeta em poemas versados no ontem, hoje, sempre...
Olhar distante...
Quisera eu poder dissipar
Essa névoa que envolve tua alma
Que eterniza a efemeridade do tempo
Nas horas de solidão entre ti e o mar
Sei bem, nada posso ou espero
Se o temor me faz companhia
Se as ondas se quebram em silêncio
Se me vejo teu inverso, em agonia
Então,
O que mais tenho a dizer-te?
Vai! Arranca de mim a última lágrima
E deixa-me ir, contigo...
Vidas a ermo...
Passos dispersos no chão batido
Horizonte a muito esquecido
Eis o caminhar do homem
Na mente que tolhe
Dos pés, a firmeza
No coração que sente
Ou não, a tristeza
Imersa em lágrimas ausentes...
Ah! "É tão-somente uma vida"
Uma história marcada
Sentida
Anulada por lapsos de memória...
Palavras caladas
Silêncio feito de palavras...
Palavras guardadas nas bordas do tempo
Capítulos mudos de uma história
Embalada nas ondas do vento
Sonho? Pesadelo?
Não sei...
Sei das bordas do tempo
Das ondas do vento
Das palavras caladas
Gravadas na memória em tempo