Aqui No pé da serra eu construí o meu barraco Fugi da correria,
Continuar lendo
Aqui No pé da serra eu construí o meu barraco Fugi da correria, Da selva De concreto e cimento armado, De valores forjados, Onde animais indomados se corroem, Se autodestroem E morrem aos poucos. No pé da serra eu vou viver em harmonia Vou ver brotar a luz do dia, Sem cortina de fumaça, Sem medo de arruaça, Sem essa de internacionalizar. Aqui o viver é bem melhor, Os animais se respeitam, Não respeitam horários Nem têm regras para seguir. Aqui tem cheiro de mato, Flor no regato, Tem lírio e colibri. Aqui tem vida, sim. A língua falada é o viver, Viver melhor, Viver melhor. Aqui não tem televisão, Nem globalização, Morte no asfalto, Mãos para o alto, “Isso é um assalto”, Dá-me o teu dinheiro e a tua roupa, És um prisioneiro nessa vida louca, Na selva, De concreto e cimento armado, De valores forjados, Vive condenado a vegetar. Marcos Decliê