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Frases de Marcos Czerwinskin

15 frases

Tens que ir? Lá fora a chuva cai. No quarto, fumaça de caracol.
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Tens que ir? Lá fora a chuva cai. No quarto, fumaça de caracol. Paredes se comprimem diante de nós dois. Face a face, deleito-me no momento tão mágico que deixa à deriva os problemas do dia. Por que tens que ir? Se te quero só pra mim? Se só você é meu sim? Por que tens que ir? Se ao coração não mente e sempre te senti? OLIVEIRA, Marcos de. Tens que ir?. In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 12.

Metamorfose Era eu, agora quem sou? O que sou é quem eu era?
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Metamorfose Era eu, agora quem sou? O que sou é quem eu era? Carrinhos, ciranda o “era” adiante, um velho adaptado por consequência. Menino se foi... Rugas e falta de memória “predominam” Quem escapa? Há um rio que nos leva... Às mentes, outrora ingênuas o mundo deu seu “trato” Do casulo da vida (metamorfose é certa). OLIVEIRA, Marcos de. Metamorfose da vida. In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 11.

Reflexão nos brinquedos A sua vida é vida igual e sonhável, Entre os espinhos e leões do dia a dia,
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Reflexão nos brinquedos A sua vida é vida igual e sonhável, Entre os espinhos e leões do dia a dia, Você desenha os teus sonhos. Não importa a cor, não importa o cabelo; Nada disso tem valor Quando se refere a ser humano e a Deus. Ninguém nasce ruim, ninguém nasce odiando. Crianças brancas e negras brincam Como se nada disso impedisse cada sorriso. Mas a gente cresce, e a falta de amor Cresce junto. Infelizmente, um dia os ouvidos ouviram Uma podridão que se alastra. E, como um brinquedo quebrado, Simplesmente não deveria mais ser brincado! Livro: Negros 2025

Som da liberdade O som ainda pode ser dos navios de sangue, As páginas ainda podem guardar tristezas,
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Som da liberdade O som ainda pode ser dos navios de sangue, As páginas ainda podem guardar tristezas, A sociedade ainda respira desigualdade, E nem todos entenderam as mazelas da alma. Mas existem, em cada rosto negro, Um passado que não viveram, Mas que trazem como marcas para o futuro. Não, o som é da vingança e das divisões? Não; é a mais nova das antigas Formas de gritar às nações: O som agora é de liberdade! Livro: Negros 2025

Rosas Rosas não encontramos nas esquinas de todas as ruas.
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Rosas Rosas não encontramos nas esquinas de todas as ruas. No melhor lugar se escondem, e quando as encontramos nos apaixonamos. Rosas são especiais e num toque embelezam nossa vida fazem do outono da solidão a primavera do acreditar. OLIVEIRA, Marcos de.Rosas.In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 52.

Beleza negra À Letícia Regio da Silva Que bela negra, que belo desejo
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Beleza negra À Letícia Regio da Silva Que bela negra, que belo desejo De viver a pureza de suas formas. Não é apenas um monumento, Tampouco por um momento. É tela perfeita na existência, Encanto das multidões E minha mais divina observação. Entre os teus cachos, a minha saudade Nunca soube ser contida. Vivo a te querer como quem quer Viver um novo mundo. Aliás, onde esconderam as chaves Para trancar no baú Todo esse teu charme? Que vontade de viver a tua beleza negra E simplesmente arder em chamas… Livro: Negros 2025

Querido defunto No velório, nunca pode faltar o que grita num desespero só...
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Querido defunto No velório, nunca pode faltar o que grita num desespero só... Dizendo, eu quero ir junto... Deus, me leva... Talvez, o único momento em que o pobre do defunto mais se sentiu importante e amado em toda sua vida. OLIVEIRA, Marcos de.Querido defunto.In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 29.

Do improvável Não se deve acender velas nos velórios; há um cômico perigo de o morto sentar-se
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Do improvável Não se deve acender velas nos velórios; há um cômico perigo de o morto sentar-se em seu próprio caixão... e todos saírem correndo de medo! Mas ninguém avisou ao pobre do morto que não se tratava de seu aniversário... e ele bate palmas entre as quatro velas que o rodeiam! CZERWINSKIN, Marcos.Do improvável.In: CZERWINSKIN, Marcos.Abajur Amarelo. Porto Alegre: Besorah Brasil, 2014. p. 13.

O menino no espelho Quem é esse, mais novo do que eu? Seria mesmo eu?
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O menino no espelho Quem é esse, mais novo do que eu? Seria mesmo eu? Ou apenas doces lembranças Salvando minha velha alma? Quem é esse menino cheio de sonhos no olhar? Ele parece desconhecido, Mas há algo que me prende a ele. Como pude esquecer o menino todos esses anos? Agora, diante do espelho, Me questiono escolhas e desencontros. CZERWINSKIN, Marcos. 5.In: CZERWINSKIN, Marcos. Dias perfeitos e muros escuros. Porto Alegre: Besorah Brasil, 2014. p. 52.

Sou uma criança que envelheceu Eu sempre quis meus brinquedos mesmo que velhos e quebrados fossem.
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Sou uma criança que envelheceu Eu sempre quis meus brinquedos mesmo que velhos e quebrados fossem. Sou apenas uma criança num corpo exausto de velho que não resiste a uma boa gargalhada sou assim mesmo... (uma criança cheia de sonhos) OLIVEIRA, Marcos de. Sou uma criança que envelheceu. In: OLIVEIRA, Marcos de. Tristeza por Borboletas. Porto Alegre: Alcance, 2012. p. 16.

Teodoro e o preço Veja Theodoro que decepção era querido por todos E agora onde parou?
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Teodoro e o preço Veja Theodoro que decepção era querido por todos E agora onde parou? Pelo asfalto vermelho sua ganância pagou Poderia ser diferente porque se perdeu... Seus passos seguiam o sepulcro de si mesmo... Comparo-o com o Judas... Cego... Trocou A vida pelos seus próprios interesses E o preço foi seu próprio remorso Que o matou... CZERWINSKIN, Marcos.Teodoro e o preço.In: CZERWINSKIN, Marcos. Esperança em meio a guerra. Porto Alegre: Besorah Brasil, 2012. p. 18.