Descobri onde os poetas guardam suas lágrimas Guardam dentro das canetas que levam Perdidas no bolso para um canto qualquer O papel lhe apoia como seu ombro amigo E espalham seus sentimentos Distribuindo-os em letras que juntas Formam aquele borrão de devaneios
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Descobri onde os poetas guardam suas lágrimas Guardam dentro das canetas que levam Perdidas no bolso para um canto qualquer O papel lhe apoia como seu ombro amigo E espalham seus sentimentos Distribuindo-os em letras que juntas Formam aquele borrão de devaneios Cada letra de pingo, pinga na folha As lágrimas que lhe escorrem pelos dedos Entraram na caneta e lá são guardadas Ficam lá esperando o poeta chorar novamente Já que não consegue derramar lágrimas no próprio rosto O poeta transfere para o papel suas lágrimas de tinta Aguardandando que sejam reconhecidas Por aqueles que choram de verdade Quem lê uma poesia Decanta nos olhos a lágrima Que o poeta foi incapaz de verter O poeta chora pelos olhos de quem As consegue perceber