Tu
amanhã chegarás,
linda e frondosa,
enfeitando o solo de flores,
com cheiro cabalístico,
adornando o meu viver,
vou resignar o desejo de te rever,
mesmo sabendo que ano que vem,
te adorarei novamente.
Cabelos brancos,
mãos calejadas,
pele enrugada,
ainda que prefira uma imagem jovial,
não se sinta enganada,
a idade chega como um punhal,
mas sinta-se rejuvenescida,
quando amada.
Sendo assim, diferentes pontos de vista
não dá o direito de apoiar,
"Nazistas".
Pois eles querem retirar,
primeiramente, o direito a vida.
E depois, todos os outros.
Astro rei emoldura
sua fina pele,
marca com beleza
e altura,
um corpo límpido,
e assim me inspira
a te sorver,
como se fosse a última vez,
e assim poder morrer de prazer.
Tenho dito o que nunca foi dito?
Não.
Tenho sido repetitivo.
Há um destino?
Ou vários?
Quero tudo, sem ter nada.
Quero ser apenas eu,
o que não sabe,
mas sonha em saber.
Olho pra cama vazia,
já não a vejo mais,
lembro de como nós fazíamos,
sem pensar no que aconteceria,
sem passado, nem futuro.
Pois, tudo permaneceria.
Amor! Te quero.
E até ao céu, eu iria.
Para lhe trazer ao meu inferno
de todo dia.
Inquieto, ouço o som de sirenes,
estou preso ao meu quarto,
mas vejo o mundo,
pelo retângulo da janela.
Lá fora! Ah, lá fora,
o mundo pulsa, ainda que não seja como outrora.
Agora, são novos tempos,
os passados já não voltam mais,
apesar de se regojizarem em minhas lembranças.
Lá fora! Ah, lá fora.
E o som das sirenes vão diminuindo,
até não existirem mais.
Gotículas caindo
sobre a brasa quente do teu
corpo nu.
Alvissareiro fico ao sentir,
nós dois,
como se fosse um.
Tempo que não se acaba,
em lugar algum.
Vi, que coisa!
Um esplendor de emoção.
Corpo alvoraçado,
alinhado,
deixou-me entusiasmado,
enebriado
de prazer,
só de te ver,
sem ao menos te conhecer.
Tentei pensar no nada,
fechei os olhos,
busquei um tom cinza escuro,
permaneci assim
por pouco tempo,
voltaram a mente,
os anseios, os medos.
Não há como fugir,
eles estão aqui.
Andei, sem saber quem era,
se havia algum propósito,
se haveria algum destino.
Andei, sem saber quem era,
mas pra quê?
Se nem a alma eles me deram.
Forte? Nem tanto.
Por isso,
trabalhei,
amei,
e continuo sem saber quem era.
Lutei! Por toda vida,
contra uma dor que me consumia,
mas em alguns momentos,
fiz dela minha única companhia.
E que após algumas doses,
ela sumia.
Mas hoje, ela está aqui
repousando,
e dizendo: "enquanto viveres
serei seu acompanhamento"
Era um desejo inusitado,
prender o tempo.
Não deixar passar aquele momento,
puro prazer e sentimento.
Mas o depois, após o agora,
mais que necessário é,
para sorver,
o que poderá deixar de ser,
como o completo que nunca
irá acontecer.