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Frases de Marco Haurélio

27 frases

Quem vive para agradar Da plenitude se priva. Se um conselho eu posso dar:
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Quem vive para agradar Da plenitude se priva. Se um conselho eu posso dar: Não agrade, apenas viva.

A Senhora dos Túmulos observa O vaivém da tacanha mocidade, Que despreza a virtude e a verdade
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A Senhora dos Túmulos observa O vaivém da tacanha mocidade, Que despreza a virtude e a verdade E dos vícios se mostra fiel serva. Porém, nada no mundo se conserva: Sendo a vida infinito movimento, É a Morte um novo nascimento; A inveja é o túmulo dos vivos – O herói repudia esses cativos, Galopando o Cavalo Pensamento.

Cordel é o canto de cantos diversos, A voz do poeta, que emana passados, Presentes, porvires vividos, sonhados,
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Cordel é o canto de cantos diversos, A voz do poeta, que emana passados, Presentes, porvires vividos, sonhados, Pecados, rubores perdidos, dispersos, O grito fecundo de mil universos, A gesta bendita que é luz e sacrário, Lembrança, desejo de ser relicário, Mergulho profundo no inconsciente, Cavalo do tempo correndo silente Nos campos sem cerca do imaginário.

A VOZ DO SILÊNCIO Os degraus são da dor e do sofrer, Só os calam as vozes da virtude,
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A VOZ DO SILÊNCIO Os degraus são da dor e do sofrer, Só os calam as vozes da virtude, Mas o lodo da vil vicissitude Faz o tolo, de início, esmorecer. Quem se prende a esta lama sem saber, Gasta muita beleza e juventude, E, depois da total decrepitude, Se despede da vida sem viver. O brotar dos sagrados germes n’alma Do andarilho, na dor e paz, o acalma Entre os juncos do ser que é sua senda. Cada vício é o riso de uma hiena, E a virtude é a voz meiga e serena De quem forja na queda a própria lenda.

SONETO ANTIFASCISTA A barbárie caminha a passos largos E as hienas aplaudem sem pudor,
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SONETO ANTIFASCISTA A barbárie caminha a passos largos E as hienas aplaudem sem pudor, Sem pensar nos embargos. E os embargos, No seu bojo, trarão tristeza e dor. Se os canalhas ocupam altos cargos, E se o tempo se mostra aterrador, Colheremos os frutos mais amargos Vendo o sangue que jorra e mancha a flor. Depois disso, não mais as primaveras, Só a luta que brota das esperas, Ante a fome que mora nas calçadas. Depois disso, a revolta dos descalços Sufocada na paz dos cadafalsos E abafada nas frias madrugadas.

VOU-ME EMBORA PARA LONGE Vou-me embora para longe, Talvez Bom Jesus da Lapa,
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VOU-ME EMBORA PARA LONGE Vou-me embora para longe, Talvez Bom Jesus da Lapa, Ou, então, algum lugar Que nem existe no mapa. Vou-me embora para longe, Talvez a Ponta da Serra, Ou, então, algum lugar Além do planeta Terra. Vou-me embora para longe, De meu só levo o chapéu. Meu destino é o lugar Onde a terra beija o céu. Vou-me embora para longe, Mas não é tão longe assim. Vou adentrar as fronteiras Que me separam de mim. Vou-me embora, vou-me embora Com meu cajado de monge. Se alguém perguntar por mim, Fui-me embora para longe.

Quero ver num espelho cristalino o cordel virtual de Alceu Valença; Elomar dedilhar sua incelença
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Quero ver num espelho cristalino o cordel virtual de Alceu Valença; Elomar dedilhar sua incelença pr’um amor que buscou novo destino; Trupizupe ir ao céu compor um hino, enjoado que estava deste plano, com feições de poeta soberano que cantou um baião no Paraíso. Deus, que gosta demais de um improviso, Pede um outro martelo alagoano.

Que a fome não seja somente de pão, que a sede não seja só de Coca-Cola: a fome de livros, a sede de escola
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Que a fome não seja somente de pão, que a sede não seja só de Coca-Cola: a fome de livros, a sede de escola contêm a semente da revolução. Com Braulio Tavares, amigo e irmão, esgrimo palavras no meu poetar, que têm dois poderes: ferir e curar e na noite escura são nossos faróis; parecem centelhas, mas são arrebóis, nos dez de galope na beira do mar.

ARRIBAÇÃO Quando deixei minha casa, Jamais pensei em voltar.
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ARRIBAÇÃO Quando deixei minha casa, Jamais pensei em voltar. Passarinho que cria asa Só quer saber de voar. Voei, caí, levantei, Fiz juras para o luar, Fui cavaleiro, fui rei, Enquanto pude sonhar. Passou o tempo, e a saudade Achou de me incomodar, Lembrando a outra metade Que deixei no meu lugar. Busquei de novo o meu norte, Pedindo à Estrela Polar Que tua boca suporte Os beijos que quero dar. (do livro "Olhos de Pedra", Pergunta Fixar, 2018)