VERTIGEM O silêncio é a febre que me desvela, Emoção que, no olhar, a si mesma congela.
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VERTIGEM O silêncio é a febre que me desvela, Emoção que, no olhar, a si mesma congela. Um mergulho suspenso em estuário raso, Onde o sal do teu nome corrói cada passo. Na urgência de tocar a tua derme fria, Como a raiz na treva, cega, nua, se avia. Quase sempre perdido, num só abraço me acho, E no calor de um toque, o caos desfaço. Anseio por olhares. E que em mim se demorem, Por mãos que em meu peito uma pátria explorem. Num enlace de dedos, na fusão das retinas, Ancorar o destino em praias adamantinas. Ah, ser o desejo! Não a brisa que passa, Mas o magma que rompe a crosta da desgraça. Com a fúria do centro, sem temor ou medida, Que arrasta e consome. E funda outra vida. Ofereço meu mundo, não a gasta promessa, Mas o chão que em meus pés, sangrando, se expressa. Moveria os céus. As estrelas traria. Por um só instante que a morte justificaria. Busco em ti o meu eco, o avesso do meu ser, Que decifra o meu caos e me ensina a querer. Um espelho de abismos, em vertigem perfeita, Na dança do tempo, a história desfeita. Por um amor que seja rio a escavar O leito da memória, e em nós se demorar. Almas que se incendeiam, que em chamas se fundem, Em laços que se tecem. E destinos que se confundem.