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Frases de Manuel António Pina

45 frases

Também a mim tempo não me falta lugar sim (...)
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Também a mim tempo não me falta lugar sim (...) De súbito faltam-me as palavras

Nunca tinha caído de tamanha altura em mim antes de ter subido
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Nunca tinha caído de tamanha altura em mim antes de ter subido às alturas do teu sorriso. Regressava do teu sorriso como de uma súbita ausência ou como se tivesse lá ficado e outro é que tivesse regressado. Fora do teu sorriso a minha vida parecia a vida de outra pessoa que fora de mim a vivia. E a que eu regressava lentamente como se antes do teu sorriso alguém (eu provavelmente) nunca tivesse existido.

Primeiro abre-se a porta por dentro sobre a tela imatura onde previamente se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
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Primeiro abre-se a porta por dentro sobre a tela imatura onde previamente se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente, a mãe para sempre morta. Anoiteceu, apagamos a luz e, depois, como uma foto que se guarda na carteira, iluminam-se no quintal as flores da macieira e, no papel de parede, agitam-se as recordações. Protege-te delas, das recordações, dos seus ócios, das suas conspirações; usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos: o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos. Uma casa é as ruínas de uma casa, uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra; desenha-a como quem embala um remorso, com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso.

Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que não é nada comigo. Distraído percorro o caminho familiar da saudade,
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Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que não é nada comigo. Distraído percorro o caminho familiar da saudade, pequeninas coisas me prendem, uma tarde num café, um livro. Devagar te amo e às vezes depressa, meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no amor como em casa.

Como quem, vindo de países distantes fora de si,chega finalmente aonde sempre esteve e encontra tudo no seu lugar,
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Como quem, vindo de países distantes fora de si,chega finalmente aonde sempre esteve e encontra tudo no seu lugar, o passado no passado, o presente no presente, assim chega o viajante à tardia idade em que se confundem ele e o caminho. Entra então pela primeira vez na sua casa e deita-se pela primeira vez na sua cama. Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças, cidades, estações do ano. E come agora por fim um pão primeiro sem o sabor de palavras estrangeiras na boca

Há um deus único e secreto em cada gato inconcreto governando um mundo efémero
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Há um deus único e secreto em cada gato inconcreto governando um mundo efémero onde estamos de passagem Um deus que nos hospeda nos seus vastos aposentos de nervos, ausências, pressentimentos, e de longe nos observa Somos intrusos, bárbaros amigáveis, e compassivo o deus permite que o sirvamos e a ilusão de que o tocamos