O caso do livro
O menino dos olhos dela
só existe nos livros
Já procurou na esquina como a mandavam,
mas ela não encontrou nada lá
então resolveu continuar a ler
para manter a relação
o vizinho até gostava dela,
mas sua mulher não ficaria feliz com isso...
o garoto da escola também gostava,
mas era idiota e só falava sobre peito e calcinha...
o professor era interessante,
mas se achava muita areia para seu caminhãozinho
o menino do ônibus era gostoso,
mas vivia se comendo no espelho ... não havia ninguém mais lindo que ele... na mente dele
o rapaz da academia também era bom...
mas só se importava em carregar peso ...
o gordinho de óculos, estudioso e criativo, chamava muito a sua atenção,
mas sua baixa estima não o deixava sorrir...e ela é vidrada em sorrisos...
era melhor manter o caso do livro... ela já teve com ele vários momentos de amor...
Música sem nós!
A gente
Na gente
Na parede
No teu quarto
No armário...
ócio criativo
sexualmente desinibido
dentro desse carro
no amasso
do teu braço...
dentro dessa geladeira
da sua varanda
e do seu espaço
dentro da tua classe
tua aula
e teu disfarce...
Na gente
a gente não se perde
e você me perde
no seu leque
de moleque...
quebrando o tabu
do seu calção
desbotado
e do violão
dentro da sua música
melodia
e canção
dentro da sua copa
da sua rede
no seu tapete
beijando o teu cangote
peito forte
mãos enormes
perto de sua sala
na janela e
no porão
dentro do seu jardim
do alecrim
do capim
e do portão
e depois de
tantos dentros
tantos foras
tantos meios
a gente se perde
e se acha
no anseio do desejo
e nosso
corpo
cansa...
mas a boca não descansa...
assobios no ar!
o passarinho
nos vigiando
e cantando
e olhando
nos entregando!...
e nosso corpo
cansa
mas nosso desejo inflama
e nossa
boca
não descansa!
dentro em mim
dentro em ti
dentro ali
e acolá...
fora em mim
fora em ti
fora ali
e acolá...
voando!!!
Beijando!!!
Gostando!!!
Sentindo!!!
teu gosto!!!
em meu corpo!!!
Encrespa
Conte a história que quiser...
mas basta ler o meu cabelo
para saber quem é
a resistência
a voz que clama
a mulher da guerra
a mulher que luta contra tudo e contra todos,
a que sangra e proclama...
a preta de passado incerto,
certamente mal contado!!!
cada fio do meu crespo
para cima
para os lados
para frente
para baixo
para o mundo ...
alisado,
cacheado,
crespo todo
entrançado
na tua frente...
uma história,
uma multidão de ancestralidade...
uma raiz...
um conto
contado erroneamente pela mão branca...
Porque incomoda
ver as pretas
assumirem
sua raiz
na história,
na cultura
na escola,
na tv,
na casa da sogra,
na elite,
na suite,
na boutique
e no seu friz
encrespando poesia na veia da sociedade!!!
A garrafa de café
Foi possível
ver em teus olhos castanhos
os meus olhos castanhos
como reflexo em águas cristalinas
lágrimas de um drama de família
olhei
vi
senti
gritei
ninguém pode ouvir minha voz, tuas mãos em meu pescoço me impediram a salvação...
senti
cada surra
cada queda da escada
toda desculpa suja
de meu sangue
em tuas mãos...
por vezes, a vontade de lhe enfiar uma faca no pescoço
foi maior do que ter um almoço em dia de muita fome...
e que monstro seria eu
se fizesse com um monstro o que ele merece???
vítima ou algoz ??
amor desenhado em agressão
tua ira contra minha vida
não me deixou continuar a respirar
e antes de você me fazer partir,
vi em minha mente minha vida se passar...
hoje, me livrei dos teus maus tratos,
não preciso mais sentir teu cigarro queimar minha pele
nem espero mais por tua entrada pela porta da frente
com sorriso pro mundo e ódio pra gente...
um dia, me prometeu sinceros afetos...
um mês depois, chutou o meu feto...
sangre
agonizei
sem socorro
e sem paz........
pedi ajuda
fiz denúncias
tomei minhas surras
e recebi uma medida protetiva
um papel que não nos impede de ser mais um índice de feminicídio....
faço parte de todas que não fazem parte das vivas...
que merda de vida que tive...
antes de você, aquela mulher ainda vive....
mas depois de você, nada foi mais assombroso do que aquela garrafa de café que visitou minha face por muitas vezes ...
e nas noites frias, podia escutar as gostas de café quente encostarem o fundo da xícara de porcelana que fazia homenagem ao homem da casa.
queria as mãos dos agressores despencassem antes de nos matarem.
Na poesia, tudo é possível!
Então, antes que me enfiasse a faca no peito e arremessasse a garrafa em meu rosto com sua outra mão, pude
ver em minha frente
tuas mãos caírem!
PS: diga não à agressão contra mulher, diga não ao feminicídio.
QUIMERA
Numa desordem completa
Uma querela o teu olhar
Uma desmesura tua paz
Tuas mãos me fazem desejar
...
Na mesa de quatro
Pés
Mãos
Lábios
Dedos
Nos
Atos
Insolentes
...
Teus
Dedos
A desalinhar
O meu vestido
...
Tua
Língua
A bagunçar
Os meus botões
...
Sete taças de vinho
Uma perfeição inevitável
Desajustando
Os meus sentidos
Sem desviar
Os meus agrados
...
Acordei
E pude sentir
O formato
Gosto
E desejo
Dos
Teus
Beijos
Nos
Meus
Lábios
<Sabe aquela moça?>
gosta
de
gostar,
mesmo sabendo que
desgostar
é
preciso...
gosta
de
sonhar,
mas os pés no chão
lhe protegem
da queda
do abismo...
ela gosta de revesar...
entre o irreal e o realismo...
barroquina nata,
nem sempre sabe decidir entre a razão e a emoção...
isso não é motivo para culpas...
ela se sente mais viva quando tem dúvidas.
Sabe aquela moça?
é texto
com pressa
de ser lido...
é paraíso
com pressa
de ser visto...
é abraço
com pressa
de ser dado...
ela é poesia
que se sente
e não se explica...
beleza imperando e tua pupila,
desejo em tua vida...
uma mina, essa menina....
e ela gosta de quem gosta dela
e quem não gosta?
ela renega...
não espera...
não dá trela...
nem blá, blá, blá...
ela não tem tempo para inconstâncias...
Um aviso aos navegantes
uma perfeita
imperfeição...
gosta que lhe gostem,
mas não liga,
se não lhe gostarem...
sexo,
inteligência,
vontade de...
desejo cá...
que natureza dos infernos
essa criatura tem...
vale muito ou nenhum vintém...
tudo depende
do agora ou do além...
uma máquina de palavras,
sentimentos e tempestades...
um beijo e mil palavrões ...
uma face e mil olhares...
uma boca e mil sorrisos...
pernas,
mãos,
lábios...
batons,
tons de cinza,
muitas cores...
uma biscate
e amores ...
vive para si..
ama para si....
lê para si....
olha para si...
se encanta, não se sabe quando...
se deseja, não se sabe quem...
se quer, não escolhe esconder...
se não quer, piorou...
ELA é
um aviso aos navegantes,
mergulhe!
mas navegue antes...
Ame-se
Cuidado com os excessos disfarçados de amor!
Cuidado com o ciúme que justifica o agressor!
Cuidado com o desafeto explicado como estresse...
E não esqueçamos do desprezo como sinônimo de falta de tempo...
Você merece mais do que ser a última opção, lembrança, pessoa.
Ame-se! é melhor estar bem consigo
do que estar mal com alguém...
Ela é uma prosa das boas!
ela é fácil com quem e quando quer ,
impõe limites, se necessário for ...
ela pode ser o quê quiser,
sentir amor, ou sentir asco,
piedade e também dor...
ela pode te querer hoje,
te querer amanhã,
e um dia, não te querer mais,
um dia talvez nada mais faça sentido...
e ela pode tudo isso
porque ela é livre,
presa a si e a mais ninguém...
o feminismo lhe permite a liberdade!
?
Caí no teu laço,
ou te enlacei em mim?
Me deixei ser sua,
ou te deixei ser em mim?
Me fez bem,
ou te fiz bem
mais que a mim?
Te quis muito,
ou não quis tanto assim?
Pensa em mim muito,
ou não pensa tanto em mim?
Quanto aos beijos... não há duvida,
gosto dos seus...
Às vezes,
a menina de sorriso fácil
cai na própria armadilha de ser ela,
e seu jeito agridoce de ser
lhe obriga a ficar consigo e mais ninguém!
uma prenda ou uma praga?
ninguém sabe! nem ela quer saber também!...
Poema para você
nos versos
que te verso
tua versão
uma perfeição
imperfeita
imodelável
inacabável
conclusão
estrofes
prazerosas
inteligentes
fluidez
em tom tesão
uma boca
que boca!
tua boca
minha
boca
numa linha
uma canção...
um verso
sem linha escrita
para decifrar...
espaços em branco
para te pensar
te sentir
e te gostar
no arder
dos meus lábios
quando os meus
os teus se põem
a tocar
um desejo
em flor
se abre
nos versos
que te verso
para beijar...
inicio a minha estrofe
querendo te beijar,
para que no fim da tarde
em tuas mãos
eu possa estar,
se meu corpo for teu verso
em tua boca eu quero estar
ser teu palco
a céu aberto,
teu mistério a desvendar...
nessa coisa de ser verso,
eu só quero teu olhar
desejando minha pele
minha boca
sob o luar.
Mas
Gostoso
mesmo
é quando
teus olhos
são minha plateia
com roupa
ou sem,
teus olhos
me bajulam
como única
e mais ninguém
e no canto
do teu sorriso
os meus seios
são seus
também...
mas só
se você sorrir!!!