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Frases de MAGNO RIBEIRO

3 frases

O HOJE É IRREVOGÁVEL Amanhã ou depois o tempo espreita entre frestas de silêncio
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O HOJE É IRREVOGÁVEL Amanhã ou depois o tempo espreita entre frestas de silêncio e eu vago no vão das escolhas como quem não quer nem a margem nem o centro Agora ou não há sempre um não sei com cara de espera um gesto suspenso no ar como folha que dança sem rumo refém do vento e da própria hesitação A indecisão é um campo sem trilhas onde o passo recua do próprio eco é mirar o abismo e temer tanto a queda quanto a ponte é desejar o fogo mas temer o fósforo Filósofos dizem que o ser se realiza no ato que não há existência sem escolha e até o não fazer faz-se ser porque não decidir é uma decisão encoberta pálida cambaleante mas ainda assim um passo mesmo que para longe de si O tempo esse mestre impiedoso não espera os indecisos segue marca conduz E então aprendemos que o caminho não se abre sozinho que a dúvida adoece a alma e que viver plenamente é optar é perder algo para ganhar outro tanto Decidir é cravar estaca no chão do mundo é desenhar o próprio contorno é ser Recusar a escolha é deixar que a vida escolha por nós com mãos alheias e olhos fechados E o que se decide não se decide amanhã nem depois se decide hoje ⁠

SONHAR É COMEÇO Nunca fui o que sonhei ser. Mas ainda sonho.
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SONHAR É COMEÇO Nunca fui o que sonhei ser. Mas ainda sonho. E, às vezes, entre os escombros de mim, Reluz a centelha do que ainda posso ser. Mas o sonhar é vasto. É como mar sem barco. É o grito que ninguém escuta Porque ficou preso na garganta do tempo. É o mapa desenhado em nuvem, Que muda antes da bússola apontar. O poeta disse que tinha em si Todos os sonhos do mundo. E tinha mesmo, como quem verte o infinito Na moldura imóvel da poesia. Seu verso ardia, mas não queimava o chão. Seu sonho era chama Que não incendiava o tempo. Eu também sonhei, incontáveis vezes, Mas aprendi a não me bastar do sonho. Porque o sonho, quando não encontra os pés, Apodrece na alma. Já falhei muito Nas palavras que calei. Nas estradas que não tive coragem de abrir. Quando fiz o que não deveria ter feito. Quando não fiz, e era tudo o que me restava. Quando me movi por impulso, E quando não hesitei por orgulho. Quando fiz o que precisava ser feito E ainda assim, não era o que deveria. Falhei quando tentei ser alguém que não era, E quando neguei quem sou. Mas descobri que o fracasso É só uma dobra do tempo Quando ainda se caminha. Há quem sonhe e durma. Há quem sonhe e desperte. E caminhe, mesmo sem certeza, Mesmo sob o peso das madrugadas. Com o rosto ao vento, A mão aberta, E o risco do ridículo pendendo dos ombros. A beleza do sonho não está em si, Mas no que dele nasce. No gesto, no passo, No dia que se permite ser outro. E eu? Sou o que sonha, e continuará sonhando. Mas não como antes. Agora, sonho com os olhos abertos, Com os pés atentos ao chão E a memória das quedas sussurrando cautela. Porque aprendi que sonhar É também vigiar o caminho.. Sonhar é começo. O resto é vida em movimento. MAGNO RIBEIRO, Wittembergue⁠

SONHAR É COMEÇO Nunca fui o que sonhei ser. Mas ainda sonho.
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SONHAR É COMEÇO Nunca fui o que sonhei ser. Mas ainda sonho. E, às vezes, entre os escombros de mim, Reluz a centelha do que ainda posso ser. Mas o sonhar é vasto. É como mar sem barco. É o grito que ninguém escuta Porque ficou preso na garganta do tempo. É o mapa desenhado em nuvem, Que muda antes da bússola apontar. O poeta disse que tinha em si Todos os sonhos do mundo. E tinha mesmo, como quem verte o infinito Na moldura imóvel da poesia. Seu verso ardia, mas não queimava o chão. Seu sonho era chama Que não incendiava o tempo. Eu também sonhei, incontáveis vezes, Mas aprendi a não me bastar do sonho. Porque o sonho, quando não encontra os pés, Apodrece na alma. Já falhei muito Nas palavras que calei. Nas estradas que não tive coragem de abrir. Quando fiz o que não deveria ter feito. Quando não fiz, e era tudo o que me restava. Quando me movi por impulso, E quando não hesitei por orgulho. Quando fiz o que precisava ser feito E ainda assim, não era o que deveria. Falhei quando tentei ser alguém que não era, E quando neguei quem sou. Mas descobri que o fracasso É só uma dobra do tempo Quando ainda se caminha. Há quem sonhe e durma. Há quem sonhe e desperte. E caminhe, mesmo sem certeza, Mesmo sob o peso das madrugadas. Com o rosto ao vento, A mão aberta, E o risco do ridículo pendendo dos ombros. A beleza do sonho não está em si, Mas no que dele nasce. No gesto, no passo, No dia que se permite ser outro. E eu? Sou o que sonha, e continuará sonhando. Mas não como antes. Agora, sonho com os olhos abertos, Com os pés atentos ao chão E a memória das quedas sussurrando cautela. Porque aprendi que sonhar É também vigiar o caminho.. Sonhar é começo. O resto é vida em movimento.