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Frases de Luiza Neto Jorge

5 frases

Estou à espera da noite contigo venham as pontes ruindo sob os barcos venham em rodas de sol
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Estou à espera da noite contigo venham as pontes ruindo sob os barcos venham em rodas de sol os montes os túneis e deus Estou à espera da noite contigo livre de amor e ódio livre sem o cordão umbilical da morte livre da morte estou à espera da noite

A exaltação do mínimo, e o magnífico relâmpago do acontecimento mestre
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A exaltação do mínimo, e o magnífico relâmpago do acontecimento mestre restituem-me a forma o meu resplendor. Um diminuto berço me recolhe onde a palavra se elide na matéria – na metáfora – necessária, e leve, a cada um onde se ecoa e resvala. A magnólia, o som que se desenvolve nela quando pronunciada, é um exaltado aroma perdido na tempestade, um mínimo ente magnífico desfolhando relâmpagos sobre mim.

O poema ensina a cair sobre os vários solos desde perder o chão repentino sob os pés
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O poema ensina a cair sobre os vários solos desde perder o chão repentino sob os pés como se perde os sentidos numa queda de amor, ao encontro do cabo onde a terra abate e a fecunda ausência excede até à queda vinda da lenta volúpia de cair, quando a face atinge o solo numa curva delgada subtil uma vénia a ninguém de especial ou especialmente a nós uma homenagem póstuma.

Difícil Poema de Amor Separo-me de ti nos solstícios de verão, diante da mesa do juiz supremo dos amantes. Para que os juízes me possam julgar, conhecerão primeiro o amor desonesto infinito
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Difícil Poema de Amor Separo-me de ti nos solstícios de verão, diante da mesa do juiz supremo dos amantes. Para que os juízes me possam julgar, conhecerão primeiro o amor desonesto infinito feito de marés ambulantes de espinhos nas pálpebras onde as ruas são os pontos únicos do furor erótico e onde todos os pontos únicos do amor são ruas estreitíssimas velocíssimas que se percorrem como um fio de prumo sem oscilação. Ontem antes de ontem antes de amanhã antes de hoje antes deste número-tempo deste número-espaço uma boca feita de lábios alheios beijou. Precipício aberto: ele nada revela que tu já não saibas. Porque este contágio de precipícios foste tu que mo comunicaste maléfico como um pássaro sem bico. Num silêncio breve vestiu-se a cidade. Muito bom-dia querido moribundo. Sozinho declaraste a terceira grande paz mundial quando abrindo os olhos me deste de comer cronometricamente às mil e tantas horas da manhã de hoje. Deito-me cedo contigo o meu sono é leve para a liberdade acordas-me só de pensares nela. As casas e os bichos apoiam-se em ti. Não fujas não te mexas: vou fixar-te para sempre nessa posição. Que há? Abrem-se fendas no ar que respiro vejo-lhe o fundo. Tens os olhos vazados. Qual de nós os dois "quero-Te" gritou? Bebe-me espaçadamente encostada aos muros. Se és poeta que fazes tu? Comes crianças jogas ases sentado és uma estátua de pé a cauda de um cometa. Mães entretanto vão parindo. Os filhos morrerão ainda? Entregas-te a cálculos. Amas-me demais. Confesso: não sei se sou amada por ti. Virás quando houver uma fala indestrutível devolvida à boca dos mais vivos. Então virás vivo também. Sempre esperei ver-te ressuscitado. Desiludiste-me. E iremos com o plural de nós nos leitos menores onde o riso, onde o leito do rio é um filho entre os dois. Que farei de teus braços de meus cabelos benignos que faremos? Nasci-te da minha pele com algumas fêmeas te deitei por vezes. Conheces-me. Não me tens amor Grave esta corda cortada agudo seixo me ataste aos olhos para me afundar. Só por grande angústia me condenas à morte se de mim te veio a cidade e os minúsculos objectos que já amaste ou que irás amar um dia espero.