Longe ou perto são instâncias de valor relativo, pois dependem da posição do observador. Todavia, o impensável tem, para todo ser racionalizante, um valor positivo ou negativo absoluto.
Frases de Luiselza Pinto
816 frases
A sabedoria não ignora a existência dos ofídios e a prudência, à distância imiscível, lhos acompanha os rastejos até o ocaso da prescritibilidade.
Para muitos estudar soa cansativo e inútil; todavia, é (quase) unanimidade que aprender é agradável e relaxante. Assim sendo, nunca alguém deve se enfastiar frente a necessidade de abrir um livro; deve sentir apenas prazer.
XY é livre, não sofreu determinadas pesadíssimas lavagens cerebrais e, assim, não utiliza o seu espaço tempo para revertê-las. É como um passarinho sem eufemismos... Come, bebe (também água), reproduz (literalmente ainda vive tentando) e se diverte no seu vôo, sem receio das para…
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XY é livre, não sofreu determinadas pesadíssimas lavagens cerebrais e, assim, não utiliza o seu espaço tempo para revertê-las. É como um passarinho sem eufemismos... Come, bebe (também água), reproduz (literalmente ainda vive tentando) e se diverte no seu vôo, sem receio das paragens do horizonte e das supostas (im)possibilidades do amanhã. Morrerá sem ter se libertado ou aprisionado através das profundidades pesarosas sobre as pressões abissais dos oceanos; morrerá e levará consigo mesmo, se não a possibilidade de compreender o todo, um divisar captado ao mais longe que (se) foi... Não foi jogado às prisões erguidas pelos temores sociais predominantes e que domam os infirmes ou pulverizam os "inservíveis" e " não curváveis"; não pode compreender a angústia que permeia até o próprio se libertar delas. Penso nele e me embato sobre a amplitude e os nuances do significado de viver e/ou existir.
Aquilo que amamos é absorvível ou, naturalmente, biodegradável; o que não nos apraz é somente, em qualquer direção e sentido, uma êmese não gravídica.
DOIS Tenho expressão de batata frita E com uísque, à beira da praia
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DOIS Tenho expressão de batata frita E com uísque, à beira da praia Nos meus olhos o pensamento fita O que de infindo, não se esvaia. Previsível que sou, dois tentos Profundos, entre tangências vãs Meu neurônio é dos mesmos ventos Dourados lidos, de todas manhãs.
VAGAS À risca quisestes a sensação arisca Mas, frágil, não soubestes arriscar
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VAGAS À risca quisestes a sensação arisca Mas, frágil, não soubestes arriscar O sal do céu no seu débil sol pisca Coragem de ser à plenitude de amar. Vais ou vens aos ventos tempestades Amores não transitam às quadraturas E teus vãos maquilam possibilidades História sem geografia que procuras.
ENGRENAGENS Amar-te é como me despir dos meus sentidos É recolher tatos, sons, cheiros, luzes e sabores
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ENGRENAGENS Amar-te é como me despir dos meus sentidos É recolher tatos, sons, cheiros, luzes e sabores Amar-te é qual correr das buscas e seus gemidos Bloqueando-me o tudo à possibilidade das dores. Mas a vida não me deixou espaço para as ilusões Percebo o quão frágeis são as minhas maquiagens E seguem totais o nascer e o jorrar das sensações Sou emoção pulsante (re)construindo engrenagens.
ÍMPARES Quando tive, do sonho, consciência Sonhei estar livre das tempestades
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ÍMPARES Quando tive, do sonho, consciência Sonhei estar livre das tempestades Quão ímpares a vida e a excelência E tão distantes ilusões e verdades. Voltei, para o mar, outras retinas À procura de me ouvir qual criança Mira das vozes em sensações primas Escorrem águas, navega a esperança.
A música me acompanha na seda e no saco.
EXÓTICO És a paz que jamais pude ter Régua de medida sem segredos
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EXÓTICO És a paz que jamais pude ter Régua de medida sem segredos Dez ancas que decantam dedos Nada é tudo que padece o ser. Da vida rojam jatos de tinta Sem tréguas vadios português Vazios que preencha ou sinta Na língua, no corpo outra vez.
A liberdade não é, necessariamente, um espaço tempo sem foco ou difuso. Ainda que os meus pensamentos sejam a possibilidade de qualquer coisa, estão em endereço certo.
A esperança é um lugar feito de nós entre trilhas, enquanto estamos trilhas em nós... Vó Elza ainda estava nesta dimensão e recebi – numa sexta-feira pela manhã – uma notícia inesperada, ainda que bastante previsível. Senti-me como tomar um choque de um milhão de volts e não morr…
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A esperança é um lugar feito de nós entre trilhas, enquanto estamos trilhas em nós... Vó Elza ainda estava nesta dimensão e recebi – numa sexta-feira pela manhã – uma notícia inesperada, ainda que bastante previsível. Senti-me como tomar um choque de um milhão de volts e não morrer, com a corrente elétrica dançando na mais encoberta das minhas células. De noite – vestida de perplexidade e de uma angústia maior que quaisquer palavras – tomei um ônibus para Recife e fui, sem lágrimas, me consolar nos braços dela. Mas a inspiração e a expiração ou são sinônimos da maturidade ou são combustível para a fatalidade; inexistem meios termos. Ou se está vivo, com todas as implicações do viver; ou se apenas existe, com o que a mera existência (não) pode dar. Peguei o ônibus de volta para Teresina no mesmo sábado em que cheguei em Recife e o domingo que me viu novamente na capital piauiense estava com um sol escaldante. Regressei adornada na certeza de que aquilo que (se) é – bem mais do que o que (se) está – sempre tem um preço altíssimo e que, por mais brilhantes que sejam os diamantes, não é dado ao ser humano o poder de os processar no próprio corpo. O inesperado pode trazer estímulos e respostas muito mais intensos do que os processos do óbvio. Chorar é bom e útil; todavia, mais pragmático e sensível é deixar que as lágrimas evaporem e umedeçam o ar e, assim, seja possível divisar as estrelas.
Há uma imensa diferença entre ser normal e comum... Sabendo-se disto, todas as decisões tenderão a se embasar na lucidez ou loucura plenas, sem espaço para os erros que emergem das ilusões ou eufemismos que brotam da realidade.
Toda irritação advinda do comportamento alheio que, mesmo sendo estritamente legal e completamente normal, não segue padrões comuns, corrobora que o aborrecido não sabe o que é; e nem é firme no que está.
Um corpo cansado está passível de cometer erros; todavia, apenas a mente infirme se alimenta de ilusões.
A sabedoria se alegra e sorri para aqueles que estão na história; e agradece aos demais pela oportunidade da memória.
Estamos nós quase sempre mais a desistir, insistir e resistir do que a investir e persistir em sermos nós.
Sei que a eternidade existe, também, para que haja a possibilidade e a probabilidade de nascer tudo quanto não pudemos, em viva vida viva, proferir, fazer e pensar.
Verdade que o mundo dá muitas voltas... Ainda é certo que, por estarmos sobre ele, a circunvolução também faz parte dos nossos dias. E, inconteste: O amanhã, se chegar, será um fato; todavia, hoje ele é somente uma projeção abstrata de vontades sob as quais o domínio absoluto dan…
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Verdade que o mundo dá muitas voltas... Ainda é certo que, por estarmos sobre ele, a circunvolução também faz parte dos nossos dias. E, inconteste: O amanhã, se chegar, será um fato; todavia, hoje ele é somente uma projeção abstrata de vontades sob as quais o domínio absoluto dança, ou trança, inviável.
Como alguém consegue aprender sem estudar, estudar sem prazer, sentir prazer sem amor e se cansar do prazer do amor de estudar aprendendo? Como? Como? Como? Como?
O fato de algumas pessoas não conseguirem se expressar não significa que elas não sintam as emoções ou recepcionem as sensações com a mesma, ou maior intensidade, das que se apregoam com detalhes. Em algumas circunstâncias – mormente as traumáticas – o que se há por dizer cabe so…
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O fato de algumas pessoas não conseguirem se expressar não significa que elas não sintam as emoções ou recepcionem as sensações com a mesma, ou maior intensidade, das que se apregoam com detalhes. Em algumas circunstâncias – mormente as traumáticas – o que se há por dizer cabe somente, ou principalmente, no silêncio. E não compete a ninguém forçar o outro a sair do próprio silenciar; é possível apenas se mostrar outras alternativas... Seria perfeito se o raciocínio acima não fosse inato quase exclusivamente aos que estiveram na guerra.
O que diferencia o viver do mero existir é que somente na vida pode caber um amor do tamanho que justifica a eternidade.
Entendo que nada mais, ou ainda muito pouco, é passível de constatação fora do método científico que há atualmente. E, se surgirem novos métodos de procura e de pesquisa, em maior ou menor grau, eles devem chegar ao nível de compreensão – ainda que não de total verificação direta…
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Entendo que nada mais, ou ainda muito pouco, é passível de constatação fora do método científico que há atualmente. E, se surgirem novos métodos de procura e de pesquisa, em maior ou menor grau, eles devem chegar ao nível de compreensão – ainda que não de total verificação direta – humana. Algumas coisas existem e é fácil percebê-las: Fome, sede, dor e fuga como mecanismos de proteção ao indivíduo etc. Outras coisas surgem como buscas mentais a perguntas que atravessam gerações: Quem somos? De onde viemos e para onde vamos? Por que estamos aqui? O que é a vida? O que é a morte? Qual o sentido ou a direção de tudo isso? E, ainda que nasçam e renasçam respostas a cada um desses sempre questionamentos, muitas das soluções aventadas passam longe de um mínimo de validação formal e, incontáveis vezes, por falta de coerência, anuviam-se possibilidades e estas caem, mais cedo ou mais tarde, no esquecimento, açodadas unicamente pela peja do ridículo. Mas, e se fosse possível se extrair algum embrião mental válido de uma hipótese notadamente absurda e o modificássemos a porto dele ser revestido da mais perfeita dialética, ainda que a sua verificabilidade não pudesse, ao menos momentaneamente, ser inferida por indução? E se fosse possível usar as duas idéias – nada 100% razoáveis matemática e fisicamente – que mais surgem na mente das pessoas, bilhões e bilhões de pessoas e aproveitar a mínima parte útil daquelas, colocando-as totalmente acordo com a segunda lei da termodinâmica, com a mecânica quântica, com a relatividade, com a matemática estatística e com a lógica? Se, qual diz, e comprova, a ciência, os sentidos humanos não são contínuos e, muitas vezes, são as construções mentais que recheiam as lacunas de percepção, onde haveria erro ao se aventar hipóteses que preencham e respondam as perguntas surgidas em capacidades encefálicas que não ultrapassam 10% do seu potencial? Um dia, quando o raciocínio humano nadar nos 100% do que é, provavelmente não haverá lacunas para os sentidos e as respostas aos estímulos sensoriais e mentais serão mais completas do que atualmente são. Fato é que, neste instante, apenas podemos ser algo mais com o instrumental que estamos “em mãos”. Ahh, mundo... XY1, XY2, XY3, XY4 somente se interessam – e vivem por, com e em – física da matéria condensada; XY5 e XX1 dedicam-se somente à pesquisa em ressonância magnética nuclear; XY6 deve estar num laboratório de biologia e só sai de lá morto; XY7 talvez tenha morrido de overdose de café e levado para o caixão tudo que estudou nesta vida; XY8 e XY9 decidiram estudar – ministrar algumas aulas na universidade somente para garantir o pão e, fora isto, sumir do mundo. XYn, XXn... Quão vidas são e estão as saudades vivas! Não é porta da rua que é a serventia da casa... É um laboratório ou hospital, com a chave jogada fora, mas não perdida e fácil de ser localizada. Tudo em suma, transmudou-se num teste de resistência, não mais de existência; somos sempre vivos, ainda que estejamos temporariamente mortos. Longe de vocês; apenas fisicamente.