O criado mudo
o criado mudo fiel ao lado
sempre lacaio se faz calado
serve pra tudo
servo de agrado
mudo servil
pajem criado
de cria gentil
fadado fado
multi fértil
criado
guerreiro
mudo
companheiro
contudo
servo, criado mudo...
À DISTÂNCIA
De longe vela meu amor
Engavetado no peito a soluçar
Que zela avidez e esplendor
Na tua nova via para triunfar
Se a tua ternura me fascinou
A solidão escreve tua ausência
Longe ou perto assim eu vou
Na recordação de tua existência
Nesta aquarela de sentimentos
Pincela admiração e importância
Num adeus que chora tormentos
Deste afeto que é só consonância
Aqui há quem de ti terá escassez
Na distância desenhada pelo fado
Se sentires lamentos em total nudez
De amor, és minha saudade ao teu lado
(Suspirando lágrimas de mais um talvez...)
Não fale nada
Apenas note as batidas da composição
Musicadas no pulsar desta inspiração
Abafadas nas palavras de saudade
Não fale nada. Ouça. É pura verdade
São sons do olhar que por você cintilam
Tônica dos sentimentos que por ti afilam
Dialogando a grande falta que você faz
Não fale nada. Ouça. É sincero e tenaz
Não vou amar outro alguém tanto assim
Que me complete com beijos de alecrim
Que me estremeça num simples toque
Não fale nada. Ouça. No afeto enfoque
Quando estiveres lendo este poema
Na rima o meu doce amor pressinta
Composto de apaixonado teorema
Não fale nada. Leia. Somente sinta
Era uma vez
No mundo de um sonhador
Se vê na vida o real valor
Colorindo os pensamentos
Nulo os descontentamentos
Com esperança, vontade
Nos abraços de amizade
O ir além do convencional
Ter no olhar a luz cordial
E quimera de fadas e magias
Na fantasia,
lá longe, numa bela cidade
Onde não se vive de idade
Só o felizes para sempre, no fim
A harmonia de criança, assim
Criando contos e ilusões
Bom ou ruim, não importa
É sempre uma boa porta
Aos escapes da sorte
E no espírito suporte:
a emoção, a paixão
Em festa no coração
Arrancando da imaginação a nudez
No epílogo da alma: Era uma vez...
Cheiro das palavras
Garatujam saudade
Rabiscam felicidade
Desenham amor
Borram a dor
Traçam sorte
Riscam a morte
As palavras... Imortais palavras... Cheiro
Dando vida e aroma ao coração forasteiro.
Luciano Spagnol
07'50", agosto, 2012