Não fosse a Luta já motivo o bastante para que eu te acompanhasse...
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Não fosse a Luta já motivo o bastante para que eu te acompanhasse... Não fosse o Sonho vivo o suficiente para insistirem nossos passos quando exaustos... Não fosse o Povo uma multidão onde, rosto a rosto, nos reconhecemos sedentos de Justiça... Não fosse este pulsar mais que a impressão ligeira de paixões entontecidas, feitas de procura e pó... Não fosse a Vida auto-explicativa no tudo vivido e suado de nossas cotidianas utopias... Não fosse, então, a Utopia justa medida para fazer-nos grandes ante nós mesmos e o Mundo... Não fosse o Mundo este convite infinito à descoberta, à mudança, ao Movimento incessante... Não fosse a grandeza segura e humilde para permitir-nos a meninice da teimosia e da emoção... Não fosse a teimosia de sermos e estarmos em marcha, na História... Não fosse a História algo a ser mudado, colorido com as cores de nossas bandeiras... Não fossem meninas as nossas mãos a agitar tantas bandeiras e a inspirar-nos o riso, e a apontar-nos o que é preciso, e o que é urgente... Não fosse incontornável o desejo de fazer mais gente, cada homem e cada mulher, em cada canto e chão... Não fosse o nosso chão adorada morada, não fosse o caminho em si razão de seguir... Não fosse... Ah, não fosse o riso, meu e teu, alívio e alento na Luta e a Justiça, companheiro, ideia e ideal que nos move e comove... Não fosse isto tudo já motivo o suficiente, para perder e encontrar a Vida, para aprender e construir os sonhos... Ainda assim, eu te sonharia! Justo, como nossas causas; forte, qual a convocação da Utopia; íntegro, como a Manhã que (ainda) será, mas já nos irradia!