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Frases de Luana Santahelena

2 frases

"A Gravidade Suave dos Anjos Pacientes" Mesmo quando me enrolo com meus próprios pensamentos, — nessas linhas tortas que escrevo sem querer —
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"A Gravidade Suave dos Anjos Pacientes" Mesmo quando me enrolo com meus próprios pensamentos, — nessas linhas tortas que escrevo sem querer — há uma presença que não me solta. Eu a sinto no canto da alma, um suspiro que parece vir de dentro, mas não é meu, como se alguém soprasse calma no exato ponto onde costuro minhas incertezas. Ela não reclama, embora eu viva dando nós impossíveis na fita frouxa dos meus dias. Não me pressiona, mesmo quando minha cabeça inventa labirintos e meu coração tenta sair pela porta errada só para ver se muda o final da história. E ainda me segura quando eu tropeço — o que, convenhamos, acontece mais vezes do que a gravidade recomendaria. Anjos definitivamente têm mais paciência que humanos, e talvez riam de mim em silêncio, não por maldade, mas porque sabem que eu levo tudo a sério demais, até o drama das pequenas incertezas que duram menos que um café. Às vezes converso com essa presença, como quem fala com o vento esperando uma resposta que já conhece. Digo: “Você não cansa de me acompanhar nos meus tropeços filosóficos?” E ela me devolve uma espécie de luz, um levantar de sobrancelhas invisível, algo entre: ‘Claro que não’ e ‘Lá vamos nós de novo, mas eu gosto de ver você tentar.’ No fundo, eu sei: ela entende que viver é equilibrar-se entre o que sinto e o que invento, entre o que espero e o que temo, entre a leveza que desejo e o peso que insisto em carregar. E mesmo assim permanece. Me guia sem dizer, me abraça sem braços, me acalma sem voz. Talvez seja isso que os anjos fazem: acompanham nossa dança desajeitada pela vida, gentilmente prevenindo quedas e permitindo outras — só as que ensinam a rir de nós mesmas. Porque, no final, toda existência é essa mistura curiosa de tropeços, reflexões e paradoxos, e eu, com toda minha elegância atrapalhada, só consigo agradecer à gravidade suave desse ser paciente que me segura, me entende, e ainda me deixa seguir pensando demais, como quem diz: “Continue. Seu caos também tem poesia.”

Quando o Anjo Tira Férias Hoje acordei com a impressão de que meu anjo da guarda
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Quando o Anjo Tira Férias Hoje acordei com a impressão de que meu anjo da guarda assinou um pedido de férias — e saiu ligeiro, sem bilhete, sem aquele aviso tênue que costuma estremecer o ar antes das coisas darem errado. Logo cedo, tropecei no passo que sempre foi seguro; a chave caiu do bolso como quem decide desertar; o café queimou na xícara e o relógio, zombando, correu um pouco mais rápido só para me ver perder o ônibus. No meio da rua, o vento soprou contra, como se fosse cúmplice de uma travessura cósmica. E eu aceitei o jogo: cada fio desarrumado, cada ruído sem dono, cada desencontro inesperado, me dizia a mesma coisa — estou por minha conta. Até as palavras, que sempre me vinham prontas, resolveram tirar folga: tropeçaram umas nas outras, deixaram frases sem chão, me fizeram repetir pedidos para ouvidos distraídos. / Mas, apesar do mundo torto, de um dia que escorrega dos dedos como água inquieta, há algo que ainda me costura ao caminho: um lampejo breve, quase tímido, como quem volta do descanso ainda se espreguiçando. E é nesse brilho curto que deixo minha fé repousar — na certeza mansa de que as férias do meu anjo estão perto de acabar, e que, em algum momento, ele vai bater no ombro do destino e dizer baixinho: “Pronto. Estou de volta.”