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Frases de Lou Bertoni

71 frases

UM PRESENTE PARA NELSON Ei-lo. Foi feito para o inverno, embora tramado com a força
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UM PRESENTE PARA NELSON Ei-lo. Foi feito para o inverno, embora tramado com a força do ano todo... mas não tome vento e cuidado com as janelas não ande rápido e verifique as tramelas não entre em carros e nem passe por vielas não receba visitas com flores nas lapelas não conviva com vampiros nem mesmo em capelas não confie em guarda-chuvas muito menos em umbrelas mantenha-se longe de talheres evite até as baixelas não movimente as mãos lixe as unhas com cautela procure ficar imóvel nem experimente as chinelas não coma e não beba nem mesmo chá de canela não respire fundo mesmo que esteja em Bruxelas suspenda aquele pileque procure agir com cautela cuidado com os espinhos até das flores mais belas não aceite agrados nem jantar a luz de velas mesmo estando na África em sua linda cidadela o cachecol que fiz para você, não é forte como era a sua cela, meu caro Mandela.

DIGITAIS A moça, tímida Bordou o céu e colocou as estrelas para que
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DIGITAIS A moça, tímida Bordou o céu e colocou as estrelas para que A moça, apaixonada Sonhasse minuciosos castelos que A moça, traída Iria infinita e vagarosamente ver ruir Ah, essas moças que moram dentro daquela moça que hoje está velha Elas não sabem mas são como beijos de despedida A última morada de todas elas É este coração que ainda lembra De todos os moços para quem bordou, sonhou e morreu

CARTAS AMOROSAS escreva cartas de amor, mas não as amasse assim como os poemas, destilados em versos beijados
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CARTAS AMOROSAS escreva cartas de amor, mas não as amasse assim como os poemas, destilados em versos beijados podem tudo os amantes novatos, menos desfazer provas ou cometer arrependimentos ainda que indesejados vale uma pequena prova escrita, qualquer ato ou insanidade cometida, tudo deve permanecer intacto o vivido não merece o destino do nada mesmo que sua lixeira seja obra patenteada não, não jogue fora o respirar do tempo a sandice da mão que comete uma declaração guarde bem a foto com cara de bobo aquela mal tirada no lambe-lambe do parque mesmo que a foto contenha bancos, praças, pipoca e um olhar besta de eterno apaixonado quem sabe um dia você não tome coragem e tire tudo isto do baú contemplando sua bagagem espalhe as baboseiras escritas, fotografadas deixe todas as coisas descansarem reviradas descubra um você menino no presente um você amoroso e frágil, um você diferente talvez neste dia você tome posse do que já havia esquecido, do muito que havia sido seus crimes amorosos estão agora prescritos mas ficam mais belos sempre que são descritos dizem que com os anos a ausência de culpa esculpe novos seres humanos dentro dos velhos que ocupa

SATURNO Ah, meus anéis Esquecidos nas gavetas
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SATURNO Ah, meus anéis Esquecidos nas gavetas Anéis de Bali, anéis de bala Derretidos nas jaquetas Giram em órbitas coniventes Entre eu e alguns cometas São anéis bem diferentes Vieram de outros planetas Tenho anéis escolhidos Para todos os dias do ano Mas não escrevi isso Pensando em Urano

QUINTANICES Eu sei, meu bem, eu sei... Onde vão parar as notícias, as cartas errantes,
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QUINTANICES Eu sei, meu bem, eu sei... Onde vão parar as notícias, as cartas errantes, Onde estão as delícias, os amigos distantes, Os guarda-chuvas perdidos, as promessas dos amantes. Eu sei, meu bem, eu sei... Onde estão os amores, o presente bizarro, Onde estão os cantores, aquela chave do carro, As maletas esquecidas, o seu último cigarro. Eu sei, meu bem, eu sei... Onde estão as malas, os arquivos sumidos, Onde estão as balas, os pacotes esquecidos, Aquela nota que foi paga, todos os objetos perdidos. Nada sumiu de verdade... Segundo o poeta e sua lógica, giram enquanto eu durmo Hoje são poeira cósmica, viraram anéis de Saturno.

COTIDIANAS Pensando bem, é preciso reconhecer o outro. Ler nos sinais da presença
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COTIDIANAS Pensando bem, é preciso reconhecer o outro. Ler nos sinais da presença O gesto escondido O som não emitido A angústia abafada Mas não é possível traduzir tudo Praticar autópsia a cada encontro Milimetrar esboços de mágoa Precisar olhares de confronto Pensando bem, é impreciso conhecer o outro. Crer nas tramas da palavra O projeto dividido O amor não merecido A paixão monossilábica Cada fragmento de experiência Colados uns aos outros Cria monstros, indecifráveis Cobertos pela fina camada do novo Pensando bem, é narciso tecer o outro.