Gosto de sapatos. É sempre misteriosa a trilha de sua velhice.
Frases de Lou Bertoni
71 frases
Oficialmente, uma borboleta não é obra dos deuses.
Foi dormindo pouco que descobri que viver ininterruptamente é meio brutal para quem tem lembranças.
A abelha enfastiada achava chata sua vida de operária
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A abelha enfastiada achava chata sua vida de operária na colméia. Mal sabia ela que era bem mais feliz que a família que consumia sua geléia.
DECLARAÇÃO I Não gosto de ganhar rosas. Não tenho paciência com crianças.
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DECLARAÇÃO I Não gosto de ganhar rosas. Não tenho paciência com crianças. Detesto massagem “pra relaxar”. Entendo pouco sobre Deus. Mas cuido de bêbados, salvo gatos, faço aniversário de chatos, cozinho para medíocres, perdôo grosserias. Minha sensibilidade é seletiva.
Uvas são cápsulas feitas de gel licoroso com uma fina película de algo doce que termina azedo. São como pessoas. Nos dois casos, gosto mais do design delas do que do sabor.
SOBRE O AMOR - I A isca a gente vê. Mas o anzol a gente sente.
INVASOR Não, não toque aí. Minha alma é como panos leves.
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INVASOR Não, não toque aí. Minha alma é como panos leves. Rasga-se diante das meias verdades. Quando eu disse que podia entrar, falava de poder ouvir o tapete pisado, o chão da sala marcado, contra luz, você trazendo desenhos do tempo que sonhava com guitarras, arranhava resenhas e gostava de gente. Achei que vinha só você, vestido de projetos, escorregando idéias pelos cabelos chuvados, que diria bobagens risonhas, molharia-me por dentro, inventaria uma peça, um passeio no parque, aquele móvel que abre, um danado de pato assado. Inundando, ainda que divergindo. Transformando, marinando ou preferindo. Multiplicando, mas, por vezes, dividindo. Não pensei, quando eu disse que podia entrar, que eu fosse ter, depois, saudade dos sinceros.
Tá resolvido. Na hora de ir embora, se é nunca mais, tem que ser agora.
“Mensagem de fumacinha: onde anda a Clara Pálida?” (Um índio que gostava de cinema escreveu no banheiro este poema)
Fizemos um trato: íamos colecionar palavras. Te dei abstrato, polionda, cimitarra, Pulitz. E você veio com prato, camiseta, jarra.
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Fizemos um trato: íamos colecionar palavras. Te dei abstrato, polionda, cimitarra, Pulitz. E você veio com prato, camiseta, jarra. Putz!
O melhor dos verbos abandonar, deixar, chutar, terminar, romper...é que, apesar de muita culpa, sobra uma auto-estima maior ainda.
DECLARAÇÃO II Fico triste quando solitária. Talvez eu chore,
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DECLARAÇÃO II Fico triste quando solitária. Talvez eu chore, Talvez eu ame outro cara.
Montanha é dobra do tempo.
Só muito depois descobri que ele era teclável. Mas a Internet comeu meus olhos de pressentir.
Como assim, não me ama mais? A vida é mesmo coisa para profissionais.
Chorei. Pura mágoa líquida.
Descobri que quem fica escolhendo príncipes acaba a vida sendo dona de um ranário.
Saudade é uma palavra que tem cheiro. E fica no travesseiro, na curva da sala, naquele ponto da conversa quando minha língua tocou sua voz.
Arco-íris é o poema das cores.
Guardei a lua cheia Aquela pedra de São Tomé O roteiro da viagem
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Guardei a lua cheia Aquela pedra de São Tomé O roteiro da viagem A foto do seu pé. Mas não foi por saudade Muito menos pelas rosas É que dizem que dá sorte Guardar bobagens amorosas.
Ainda procuro algumas essências. É a procura do habitável, eu diria. Depois de tudo, seria esquisito pedir licença e ir morar em lugar conhecido, onde reina o que já decifrei.
De que matéria é feita uma manhã de disponibilidade? Tesouro do divizível, minha disponibilidade acena para gregos e troianos e hoje ofereço meu reino por uma caixinha de Bis, no máximo.
SUCESSO Para o artista, não existe peso maior para o futuro do que a concorrência de um êxito no passado.