Nas horas vagas,
Divago nas palavras...
Vou bem devagar,
Divulgando em versos,
Nas vagas do mar,
Os devotados beijos,
Que devo lhe dar!
Eles seguem em cardume,
Devastando a noite,
No nevoeiro do devaneio,
Na trilha do vaga-lume.
( A trilha do Vaga-lume)
Doce menina,
Do olhar que acetina,
Dissipando a neblina;
Da voz que fascina,
Quebrando a rotina;
Da boca alcalina,
Que a minha bolina;
Teu beijo fulmina,
O coração, que amotina;
És minha heroína
E minha ruína.
Azaramboar
Ao acaso!
Sina encontrar,
Abstrato singular,
Dentro do prazo!
Quero captar
Seu interesse
Seu olhar
Sem descaso!
Que tal esse?
Vai comentar
Que eu arraso?
Nem pensar!
Só extravaso!
Marinheiro, marinheiro
Coloca teu barco no mar,
Já é tarde, vai ligeiro
Não deixes a alma encalhar
Leva aquele pote de cinzas
Pra na correnteza, esvaziar
O passado é um fantasma
Que faz o barco afundar
Mas que te sirva de carranca
Para o mau agouro afugentar
Segue o curso, solta a âncora
As ondas saúdam tua partida
Livra a farda da cânfora
Esquece o porto suicida
Ouve o canto da sereia
E te apaixona na lua cheia
(Segue o Mar)
Quando o dia nasceu
Vi seus olhos nos meus
Os meus sonhos, nos seus
Pendurados num fio!
É a nossa estrada!
Preenche o quarto vazio
Da minha casa
Vem correr no meu rio
Ser a minha calçada
Sentir meu corpo no teu
Como toalha molhada
Vem colher sua flor
Bem no fundo do céu
Já não quero mais nada
(Quando o dia nasceu)
Inspirada na musica
A pele que há em mim
Três batidas na madeira
pra isolar mau-olhado,
pra segurar namorado...
Não olhe assim de esguelha,
É uma antiga brincadeira!
- De gente supersticiosa!
De gente medrosa!
Não, é de gente romântica!
- Gente imatura!
Depende da semântica.
Melhor ser feliz ou ser madura?
(doce imaturIDADE)
No tabuleiro da vida,
Há sempre um vassalo
Paparicando um rico,
Dando investida,
Fazendo fuxico.
Há quem pule como cavalo
Pro lado que convém,
Se dizendo cavalheiro,
Mas não engana a ninguém!
Há quem viva como carneiro,
Trabalhando como peão,
Contando vintém,
Sem alma, sem coração ...
Tem quem se esconda atrás de Rainha
Rocando que nem menininha,
Fugindo mais que fora da lei
Mas arrotando como Rei.
E há quem lute com gana
Sem espada, sem medo ...
Joga com classe, como Dama,
Esses se contam no dedo!
(Jogo de Damas)
Para elas,
As flores,
Há sempre encontros,
Ainda que seus caminhos
Desertores,
Sigam linhas
Paralelas,
Nos descaminhos
Da vida.
Enfim,
Nada pára elas!
(Paralelas)
As asas do anjo batem breve,
De leve, o barco flutua na brisa.
Avisa o Capitão - "Ninguém ao leme!
Treme sonolento, mar adentro,
Bem no centro do doce sussurro,
Cai o muro à luz da lua.
(Sussurros de Anjo)
Um frame,
Um ditame ...
Não gosta?
Não reclame!
Mas não encosta!
Passe adiante,
Sem resposta!
Mas se gosta,
Deite confiante
Nesse enxame.
Inflame!
Se esparrame
E ame!
(frAME)
Asa morena
Vem e me abraça!
A dor é pequena,
Mas constante, não passa!
O passado condena,
A alma estilhaça...
Felicidade, me acena,
Me enche de graça...
Rosa beija e reza.
Rasa, benze, arrasa
e me salva.
Maldita, me dobra,
me cobra, me mata!
Que cobra!
Ela é rosa, é riso,
mas chata.
Me agita, no meio do dia ...
É santa e repetitiva
no meio do nada!
E vem Rosa, na entrelinha, fazendo pirraça.
Rosa, minha rainha, minha desgraça.
Tinha sede e fome dela...
Apetecia comê-la pura, ou com molho amanteigado
que escorria do cozimento...
No azeite do preparo, deitar sua amada,
temperando ao ponto de impregnar as papilas,
antecipando o momento da degustação...
O odor inebriante exalado do ensopado,
era mais um ponto a aguçar o apetite,
gratinando a carne até ficar "ao dente".
Prato pronto, ai sim,
levar à mesa, ou à cama,
e fazer jus ao nome: comida!