E ainda que a manhã levante tons de cinza desarrumados no meu bom dia, é hora de acordar as cores de dentro para tornar o incerto uma possibilidade, ter consciência que, o que tenho de mais concreto é a minha maior verdade e criar atalhos para chegar nas pequenas alegrias do hoje, até que o tempo se abra novamente e possamos também abrir aquele sorriso largo maior que a boca. E que se espalhe através do vento, todas e tantas gargalhadas, contagiando todos que ainda não alcançaram o movimento desse dia desbotado.
Bota a alma pra passear e vãobora tomar um sol por dentro!
O que a gente tem, meu bem, não precisa de títulos nem nome, simplesmente é.
O que a gente tem é uma baita fome do agora, que esta sem pressa de ir embora, que transcorre entre o tempo e simplesmente está.
O que a gente tem, meu bem, se alimenta de sorriso, abre as janelas dos olhos e deixa o sol bater. Por isso, o que eu mais preciso é simplesmente deixar correr. Ser abraço apertado e abrigo infinito, beijo que demora no meu sonho mais bonito, ser simplesmente tudo o que eu queria ser.
Bom mesmo é deixar-se ser rio.Correr de forma transparente nossas crenças, abençoando a cada dia amanhecido nossa sorte. agradecendo a fluidez da vida, mergulhando nossas atitudes com cuidado, no raso, na margem e depois disso jogar-se em águas profundas sem temer o curso da historia. Não afunda quem aponta pra fé e rema. Virar oceano é o primeiro passo para o rio que beija o mar.
Sou grata a toda dor que me dói por inteiro. É através dessa dor que expulso o resquicio de sentimentos minúsculos e inúteis a minha essencia e dou espaço a uma renovação que transborda paz.
As vezes criamos raízes tão profundas nos nossos sonhos que parece que todo o resto se apaga. Mas sonhos menina, tem que ser fluido, ser vento, ter asa!
Sou grata também a essa escuridão, pois nela pude valorizar a luz e resgatar todo sentido que habita silenciosamente nas oposições.
Como a frieza me sorri grande e mostra um de repente que brinca com a gente! E um amor tão encaixado se converte em um oi de inverno, assim meio constrangido e sem assunto. Que triste, que tristeza!
Amor itinerante que não cria raiz nem asas, se vai de mãos dadas com a ilusão de um dia, se tornar um agradecimento.
Sou grata ainda por sentir tão largo, respirar alegria para que eu possa sempre ser uma doação continua de encantamento.
Faz parte o nosso não entendimento quando dentro de alguma situação. Emergimos então, numa confusão de idéias embaraçadas que turvam nosso norte. E é ai, que entre uma respiração e outra, o tempo, vagarosamente brinca de sorte e devolve o fôlego de qualquer direção adormecida.
(Agradecida ao bom momento que brinda meu presente de agora)
Já temos abraço que acalma, temos olhos que conversam e sorrisos nos olhares.
Temos insônia nos nossos beijos, temos abrigo no nosso silêncio, temos vulcão no nosso encontro e paz que descreve nosso hoje com inspiração. Temos gargalhadas de crianças guardadas no bolso e aventura agarrada na pele. Temos cheiro de tempestade, damos toques de generosidade na alegria. Temos tanta fotografia juntos, mas quando o tema é nós, fugimos do assunto. Já temos magia no nosso encontro e um conto já muito do bem contado, um suspiro açucarado e mania de estar colado.
Já temos tudo isso, menos compromisso.
Li diz pra sempre: e o que seria de você sem nós?
Sempre diz: sem nós? eu desembaraço as idéias, me junto a você e dou um laço.
Li diz: laço que nem esses de presente bem bonito?
Sempre diz: laço de futuro bem amarrado