“Eu me resolvo sozinha porque ninguém pode me abraçar por vinte e quatro horas e me manter intacta. Eu me apoio em mim mesma porque não há quem vá pegar-me as mãos e me salvar da queda. Não há quem vá contabilizar as lágrimas que eu já derramei neste travesseiro. Por isso eu fico…
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“Eu me resolvo sozinha porque ninguém pode me abraçar por vinte e quatro horas e me manter intacta. Eu me apoio em mim mesma porque não há quem vá pegar-me as mãos e me salvar da queda. Não há quem vá contabilizar as lágrimas que eu já derramei neste travesseiro. Por isso eu fico bem (não tão bem) sem você ou qualquer outra pessoa. E a falta? Deixa queimar. Deixa, porque eu sei que enquanto eu ando por aí cambaleando, tu dá os teus sorrisos à outras pessoas, então deixa. Deixa a lágrima secar, porque antes dela já rolaram outras mil, então qual é a diferença? Deixa acabar pra ver se renasce e se torna algo certo e bonito, deixa. Eu sigo por aí com essa esperança desacreditada que é maior do que eu e você. Eu já me habituei. Eu te carrego nos meus ombros, aos trancos, sem reclamar. Eu te amo. Eu te renego. Eu me entrego pra ti nos meus versos e me pego de volta porque o que existe entre nós é efêmero, amor. E o que mais me dói é a eternidade que você não quis me dar. Me fizestes temporária pra eu morrer nas suas mãos, antes de marcar-te a alma.”