quando me calam, eu falo.
quando me falam, eu calo.
até quando seremos vítimas do falo?
quando a realidade é um calo.
klara castanho.
11 anos.
corpos violados.
direito ao aborto negado.
vítimas do patriarcado.
o que escolhemos — errado.
por nós, mulheres
nunca se calem.
tornem a nossa voz
mais alta do que a daqueles
que querem tirá-la de nós.
por favor, feche a porta
não me deixe entrar
eu sou muito perigosa
com feridas a curar
olhe tudo a sua volta
gire a chave e vá deitar
e se nada te importa
pois prossiga devagar
eu só ajo com revolta
por muito me machucar
Tão pouco tempo
Mas ao mesmo tempo tanto tempo
Eu tento, tento e tento
Numa casa sem sustento
Tão rápido e tão lento
Uma vida em um momento
Calmo e barulhento
Ensolarado e cinzento
Felicidade e sofrimento
E no tempo, tempo, tempo
Eu apenas me lamento.
pétalas de rosas e flores destruídas
amassadas em um vão sem fim, em vão
à procura de um sol que não raie por mim
esperando do inverno um eterno verão