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Frases de Lêdo Ivo

14 frases

Que em seu gabninete, fala em nome do povo não sabe que a galinha nasceu antes do ovo. (soldado raso)
SONETO DOS VINTE ANOS Que o tempo passe, vendo-me ficar no lugar em que estou, sentindo a vida
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SONETO DOS VINTE ANOS Que o tempo passe, vendo-me ficar no lugar em que estou, sentindo a vida nascer em mim, sempre desconhecida de mim, que a procurei sem a encontrar. Passem rios, estrelas, que o passar é ficar sempre, mesmo se é esquecida a dor de ao vento vê-los na descida para a morte sem fim que os quer tragar. Que eu mesmo, sendo humano, também passe mas que não morra nunca este momento em que eu me fiz de amor e de ventura. Fez-me a vida talvez para que amasse e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento, trazendo a aurora para a noite escura.

Soneto Puro . Fique o amor onde está; seu movimento
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Soneto Puro . Fique o amor onde está; seu movimento nas equações marítimas se inspire para que, feito o mar, não se retire de verdes áreas de seu vão lamento. . Seja o amor como a vaga ao vago intento de ser colhida em mãos; nela se mire e, fiel ao seu fulcro, não admire as enganosas rotações do vento. . Como o centro de tudo, não se afaste da razão de si mesmo, e se contente em luzir para o lume que o ensolara. . Seja o amor como o tempo – não se gaste e, se gasto, renasça, noite clara que acolhe a treva, e é clara novamente. .

Acontecimento do Soneto . A doce sombra dos cancioneiros
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Acontecimento do Soneto . A doce sombra dos cancioneiros em plena juventude encontro abrigo. Estou farto do tempo, e não consigo cantar solenemente os derradeiros. . versos de minha vida, que os primeiros foram cantados já, mas sem o antigo acento de pureza ou de perigo de eternos cantos, nunca passageiros. . Sôbolos rios que cantando vão a lírica imortal do degredado que, estando em Babilônia, quer Sião, . irei, levando uma mulher comigo, e serei, mergulhado no passado, cada vez mais moderno e mais antigo. .

⁠O nevoeiro O amor não é nem paz nem batalha
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⁠O nevoeiro O amor não é nem paz nem batalha nem fogo amealhado na escura fornalha. O amor é nevoeiro a branquidão que esconde a pedra suspensa no despenhadeiro. E sendo sempre tudo como o sonho dos mudos o amor não é nada diante da morte do vento que sopra de madrugada.