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Frases de Laura Queiroz

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⁠Sou pobre, insistente e moro longe...​ ​ Pensei que não podia mudar minha condição,
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⁠Sou pobre, insistente e moro longe...​ ​ Pensei que não podia mudar minha condição, ​ meu pai , minha mãe , só falava em aflição, ​ isso já desde os tempos de vó e vô que era a mesma situação...​ Era uma fartura de tudo, cê não tem noção não... Fartava comida, sapato e até a vocação​ Fartura até de roupa q era tudo emprestado, ​ E a casa era pequena cheia de menino, as parede de barro​ até o piso fartava de ser encimentado,​ Semianalfabetos que eram meu pai e minha mãe não tinham muita ambição,​ Mas tinham esperança de futuro de ter um filho na escola de ter um mínimo de educação​ E o lugar que eu morava era tão longe que nem carro passava, ​ andava a pé que parecia mil léguas pra chegar em qualquer canto, ​ sol a pino e só lamento que não adiantava o pranto,​ Com fome, com sede, sem canto, só lamento e o pranto, ​ e não adiantava reclamar porque demorava mais um tanto... Enfim minha mãe um dia se deu conta,​ que eu tinha crescido um pouco​ E que esqueceu da escola,​ De tanto aperreio e sufoco,​ Pergunta aqui e acolá, porque tão longe fui morar ? ​ Tem uma lá no morro, ​ vamos simbora matricular,​ E começou uma nova saga,​ De continuar aquela situação precária,​ Também tinha fartura na escola,​ Fartava merenda, giz e as vezes professor,​ E fartava também o papel e o apagador,​ E também quando chovia tinha sala de aula alagada,​ Também tinha fartura de vento e até de água encanada,​ Lembro do calor da sala,​ O suor pingando na testa,​ Mas mesmo assim era uma festa,​ Porque tava na escola aprendendo pra mudar,​ E daquela situação,​ Eu conseguir melhorar... ​Depois de já ter crescido,​ Lembrando de meu passado,​ Até o ensino médio eu não deixei de lado​ Sempre em escolas públicas,​ Vencendo os desafios,​ Cheguei na faculdade pulando pedras e rios,​ Na UFPE pousei com as cotas para desigualdade,​ Para alunos de escola pública ter chance na equidade,​ Vendo textos estranhos e longos com novos códigos e linguagens,​ Percebo a dificuldade de permanecer na faculdade,​ Aprendendo palavras novas e também novos conceitos,​ Estratificação social aprendi nos textos de Ana Almeida que li e reli direito,​ Que é um conceito sociológico da divisão social, ​ Quando a elite tem vantagens até em meio cultural,​ Tem vantagens e privilégios na sua condição socioeconômica,​ Dos cargos direcionados a faculdades e diplomas​ Ao pobre só sobra a soma,​ De tanta desigualdade,​ Que ele vê com novidade as cotas da faculdade ​ Confesso a Professora Emília e aos colegas de sala,​ Que não tenho vergonha nenhuma,​ De minha história contada,​ Porém digo uma coisa com muita convicção,​ Se tivesse políticas públicas com boa vontade e ação, ​ O mundo seria melhor para o pobre e o negligenciado,​ Ninguém ficaria de fora do mundo globalizado,​ Não haveria tanta miséria nem gente fora da escola,​ Mudaria o continente e quem sabe o rumo da história.​ Agradeço a todos a escuta dessa prosa meio sem jeito,​ Que começou com uma história, meio cheia de defeito​ Mas que foi de boa intenção,​ Nada disso foi invenção, ​ assino e termino aqui, ​ minha prosa com emoção!