Lua de um Lobo
Tergiversei cada algo
Que se quer não fosse você.
Alvejar teus atos estapafúrdios
Era inexorável,
Adorável.
A cada nosso momento
Estrambótico,
Estrelava, em mim
O uivo de um lobo.
Lobo meu
Que adoravas em presença tua.
Carta ao conflito
Com uma bomba,
Exploda-me de amor.
De tua arma,
Atire-me beijos doces.
Às árvores mortas e cinzas,
Apresente o caminho da vida.
Em teu fim,
Não se esqueça do começo.
Anagrama
Tremo de temor da morte,
Mas és a diva da vida.
Prensa tua perna e pensa:
Teu motor está morto?
Dana aquele que anda do nada,
Mas lotas aos talos os altos
E teimas que miaste aos metais.
Entras em transe?
Torce para um certo corte
E terá ao tear uma reta.
Medita pela temida medida,
Terminas tuas mirantes mentiras.
Contraditório
Triste, triste,
Confuso,
Feliz.
Uma hora,
Devaneio em pesadelo.
Outrora,
Em nuvens passo adiante.
De que forma instável
Poderia eu
Ser formado?
Uma luz em seus céus
Escuro céu
Abriga um brilho
Brilho passado
Anos de distância
Apenas uma luz
Em seus céus
Universo ábdito
Traz uma poeira
Poeira estelar
Substância da vida
Apenas uma luz
Em seus céus
Estrela compacta
Funde matéria
Matéria nuclear
Dimensões deformadas
Apenas uma luz
Em seus céus
Tempos planetários
Parado,
Tudo observo
Nada compreendo
Onde estou?
O fim, o fim, o fim.
Tímido chegou
Mas já se apressou.
A vista
Claramente escura.
O que houve?
Um passageiro:
O tempo.
Tão distante, parece o fim
A marca perpétua e árdua da vida
Deixou de lado toda alegria e emoção
Machucou infinitamente a superfície
Depois cravou o fogo sobre o sangue
A dor da chama quente ardente
Muito maior que a perda da própria vida
Não pode ser mais curada
Todas as feridas permanecem abertas
E somente a morte pode salvar da dor
Morte, heroína do fim
Em meu lar, uma cobra
Rastejando humilde e lenta
Arrastando um rato e sua sobra
Rato que, pela própria vida, não lamenta
A solidão da vida
Carregava sua carcaça já decomposta
Facilitando apenas sua ida
Acompanhada da morte feliz e disposta
Salvação que chegara no lar
Onde uma deplorável mente morava
Sozinha e sem lugar
Enquanto com o fim caminhava
Vizinhos: Música country na casa ao lado
Já passava da meia noite
As botas batiam as solas no chão
O som do banjo soou alto
Um chapéu voou rumo ao sertão
Com seu cinto afivelado
O vizinho não pôde se conter
Ergueu logo seu laço
E seu quadril começou a remexer
Pensamento
Penso, penso, penso.
Todo o tempo, penso.
Mas qual tal motivo?
Se não fosse tu,
Não seria pensamento.
Penso, penso, penso.
Tu és meu passatempo.
Sintonia
Lembro-me!
Olhava os astros contigo,
Cantarolava melodias sem sentido,
Éramos apenas sintonia.
Nosso amor
Pela superfície era tímido,
Mas nas profundezas estava contido,
Éramos apenas sintonia.
De Vênus veio o amor
Belas, belas estrelas
Essas que escondem deuses
Os mesmos que profetizam o amor
De vós, só quero a luz
Para brilhar em meus céus
Como a melodia dos mares
Que envolvem meu silêncio
Carta de Despedida
Se vou,
Peço-lhe que deixes.
Não sinto dor,
Nem alegria.
Muito menos, amor.
Se vou,
Peço-lhe que deixes.
Há de existir,
No meu interior,
Um profundo vazio.
Se vou,
Peço-lhe que deixes.
Mas fico,
Se há alguém
Que me salve da vida.
Por favor, devolva minha fala
Minha boca não diz nada
Quando a mente
Tem tanto a pensar
O ar preso no pulmão
Não me deixa falar
Por favor, devolva minha fala
Eu quero lhe dizer
Que sinto uma angústia
E talvez queira padecer
Minha mente não responde
Quando sei que morrerá
Como posso eu sobreviver
Sem tuas mãos na minha pele,
Sem teu olhar sobre os meus,
Simplesmente, sem você?
Apenas poderei acolher, portanto,
O destino da própria morte,
Que me libertará da vida,
Como uma amiga querida.
Ansiedade
Sinto um ar
Ar que arde em meu peito
Ar que me sufoca a alma
Ar que da pureza não respiro
Envenena minhas veias
Atrofia meu coração
Não consigo respirar
Apenas te peço
Leve minha angústia
E segure a minha mão