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Frases de Laís Heidemann

41 frases

Eu andava calmamente pelas ruas, era como qualquer outro dia de pensamentos insanos, sempre arranjando um modo de fugir dessa cidade tão mal frequentada, de gente que quer viver mais minha vida, do que eu mesma. Mas aí um velhinho, sentado no banco da praça, desvendou minha expre…
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Eu andava calmamente pelas ruas, era como qualquer outro dia de pensamentos insanos, sempre arranjando um modo de fugir dessa cidade tão mal frequentada, de gente que quer viver mais minha vida, do que eu mesma. Mas aí um velhinho, sentado no banco da praça, desvendou minha expressão de confusa que nem meus amigos mais próximos souberam notar, e me perguntou logo de cara “Tu ta aqui, e coração? Ficou lá?”. Como assim? Como ele soube acertar tão bem o que eu pensava, o que me corrói um pouco a cada semana que passa? Tudo bem que adolescentes normais pensam mais nisso do que em suas notas da escola no final do semestre, mas eu acho que ele notou o peso que eu carregava. Digo, pra quem conseguiu me decifrar fácil, deixando quase me sentir vulnerável a ser descoberta, ele soube me atingir. E ninguém soube fazer isso antes, não com tanta facilidade. Não, eu não sou uma anti-social, que sente revolta, ou que não se importa com a sociedade que critica pra caramba, mas as vezes me sinto ser mais do que até eu mesma penso ser, será que faz sentido isso? Pra ele parecia que sim. Eu fiquei sem reação, ele aparentava ser calmo, nem ligou pro meu susto e não pareceu se importar por eu ignorá-lo e sair dali. Tentei resistir, não pensar em relação ao que ele disse, mas minhas pernas se certificaram de me levar pra casa, me trancar no quarto e fritar os neurônios com o coração na mão. Aí fiquei sentada na cama, com os olhos focados em um lugar qualquer, mas eu estava bem distante.. Será que eu estava “lá” com ele? É que ele nem demonstrou saudades, quem sabe eu estivesse o tempo todo lá.

Há acasos em que a vida te leva a tropeçar em um caminho que você nunca havia visto antes e te mostra que antes sempre teve fim, para um outro começo ter chance de ser infinito. Foi o que aconteceu com Cecília e o garoto de olhos escuros. Ela aparentava tanto ser forte, que era q…
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Há acasos em que a vida te leva a tropeçar em um caminho que você nunca havia visto antes e te mostra que antes sempre teve fim, para um outro começo ter chance de ser infinito. Foi o que aconteceu com Cecília e o garoto de olhos escuros. Ela aparentava tanto ser forte, que era quase difícil imaginá-la com olhos inchados debaixo do chuveiro. Já ele, bem vivido, tinha o péssimo costume de abandonar quem o queria bem. Típico de protagonista bonzinho, e dessa vez, não seria diferente. Era uma noite calma aquela em que duas almas se conectaram. E foi o impacto do mistério que fez a garota de cabelos castanhos ansiar pelos toques do rapaz, até então, não nomeado. Ele parecia ter o manual de tudo o que Cecília desejava, desde o perigo, até seu impetuoso modo de instigá-la. Ela, prematuramente, almejava ser algo desejável para ele. Vinicius, dono dos olhos que a devoravam delicadamente. Tentador, como o veneno que agrada, e vicia. Olhos que a provocavam e encarnavam todos seus anseios escondidos por trás de toda a sutilidade que ela carregava. Ele a despertou o lado inesperado e proibido do mundo. Ela, o instinto de proteção que parecia não existir em parte alguma do corpo convidativo de Vinicius. Ambos sabiam a delicadeza que carregavam em si, depois de noites envolventes, e conversas sobre qualquer coisa que pudera proporcionar bons momentos a serem lembrados. Os olhos escuros do rapaz combinavam estranhamente com os claros da garota, assim como os corpos possivelmente se fundiriam em um só, por um encaixe tão perfeito. Ah, a vida e seus destinos traçados de última hora. Chega a ser confortante saber que o ruim, no final, acaba te trazendo algo melhor que o passado e mais intenso que o futuro, assim como Vinicius foi para Cecília, sua insanidade, e Cecília foi para Vinicius, seu ato de redenção. E continuará sendo, até um novo caminho invadir os corações pertencentes ao acaso mais certo que já aconteceu.

Há um momento em que você se vê com cada parte da alma sendo puxada por outra, que parece encaixar no seu corpo. E a partir disso, tudo parece mais lindo. “Tá vendo o céu? Tem uma partezinha ali mostrando o azul”. É assim, você vê através do ruim. Vê o azul através do nublado, a…
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Há um momento em que você se vê com cada parte da alma sendo puxada por outra, que parece encaixar no seu corpo. E a partir disso, tudo parece mais lindo. “Tá vendo o céu? Tem uma partezinha ali mostrando o azul”. É assim, você vê através do ruim. Vê o azul através do nublado, a alegria perante a tristeza, pensa no bem-estar depois da ressaca.. Tudo convicto, tudo tão claro que você nem consegue imaginar quando esteve dando passos no escuro. Como se alguém tivesse trocado aquela lâmpada velha e colocou a melhor que pudera e barata. De repente aquela ideia não foi tão ruim, você ri até das piadas sem graça, aquele medo de desafiar a vida desaparece e você só pensar em ser feliz. E sorrir, sorrir, sorrir. Começa a chorar de felicidade e pensa em coisas que nunca pensaria se tudo não estivesse tão certo. Agora 2 e 2 são 4 e você tem certeza disso. Que foi tudo equívoco, que esse é o momento que te fez esperar anos de uma miséria de sentimentos. É isso que vai te fazer acordar todo dia com um sorriso, porque isso tá acontecendo e não é uma hipótese, nem um sonho. É real. Você está leve, se sente voando sem nem precisar tirar os pés do chão. Estar feliz é se achar sem ter que se perder.

Vivemos com sonhos, utopias de diversos tipos, e tudo bem. Tudo bem mesmo, porque sonhar faz parte da vida. Todos nós sonhamos, e esperamos que tudo se realize. Querendo ou não, sempre criamos expectativas, falsas ou não, e sempre criamos ilusões também. Normal. Até acho bom sonh…
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Vivemos com sonhos, utopias de diversos tipos, e tudo bem. Tudo bem mesmo, porque sonhar faz parte da vida. Todos nós sonhamos, e esperamos que tudo se realize. Querendo ou não, sempre criamos expectativas, falsas ou não, e sempre criamos ilusões também. Normal. Até acho bom sonhar, só assim se acha motivos para continuar tentando. Mas é preciso cuidar a intensidade do que se sonha. De uma hora pra outra, quem sabe, sonhos viram pesadelos, porque é o tipo de pegadinha que a vida ousa em fazer. Ela joga pesado, e o mundo ajuda (até demais) a destroçar teus sonhos, e jogá-los ao vento sem nem te dar uma chance de os pegar de volta em uma esperança de refazer tudo o que ela estragou. Mas desiste. Desiste porque se a vida te fez isso, você achando isso bom ou não, é porque não era pra ser, porque existem sonhos melhores pra se lutar. E não esquece que o mesmo vento que levou os pedaços do teu sonho, pode te devolver da mesma forma, assim, de repente.

Mas eu não quero mais viver essas hipérboles de adolescente. Não quero continuar com essas idéias e pensamentos na cabeça. Poxa, a vida é tão curta pra eu ficar sofrendo por qualquer coisinha! Mas ainda sim, insisto nessa minha melancolia sem sentido, nesse meu drama sem pé nem c…
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Mas eu não quero mais viver essas hipérboles de adolescente. Não quero continuar com essas idéias e pensamentos na cabeça. Poxa, a vida é tão curta pra eu ficar sofrendo por qualquer coisinha! Mas ainda sim, insisto nessa minha melancolia sem sentido, nesse meu drama sem pé nem cabeça. Só que eu apenas não quero continuar com esse frio na barriga. Não quero mais esses arrepios inesperados, e nem um sorriso espontâneo, por mais malicioso que seja, se o causador dele for um garoto. Cansei de me identificar com esses textos e frases de quem sofre. To preferindo falar sozinha no espelho, do que falar sozinha com alguém, se é que você me entende.

Esquizofrenia Escutei as batidas do teu coração por várias vezes essa semana. Algo do tipo impossível já que km nos distanciam, mas ainda sim, andei me perguntando se esses batimentos acelerados eram por se lembrar de mim, do mesmo modo como o meu coração descompassa por lembrar…
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Esquizofrenia Escutei as batidas do teu coração por várias vezes essa semana. Algo do tipo impossível já que km nos distanciam, mas ainda sim, andei me perguntando se esses batimentos acelerados eram por se lembrar de mim, do mesmo modo como o meu coração descompassa por lembrar dos teus toques, teus beijos.. Pensei nisso, principalmente porque minha ilusão me faz imaginar que tu pensas em mim muitas vezes por dia. E não seria nada mal me fazer sentir menos errada por sintonizar meus pensamentos em ti o tempo todo. Só que não é facil assim não é? Eu sei que esses batimentos são por correr, por levar um susto, ou sei lá. São por qualquer coisa, menos por mim. Eu espero que tu não ouça meus batimentos aí. Isso entregaria tudo o que eu tento esconder quando te encontro.

Esqueci que não se promete algo sem ter certeza de que irá cumprir. E, querido, fizemos juras demais. Juras de amor, juras por impulso. Juras que agora escorrem pela minha alma tirando a cor de todo o céu que você pintou de azul. Escorrem pelos meu olhos. Juras malditas que sempr…
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Esqueci que não se promete algo sem ter certeza de que irá cumprir. E, querido, fizemos juras demais. Juras de amor, juras por impulso. Juras que agora escorrem pela minha alma tirando a cor de todo o céu que você pintou de azul. Escorrem pelos meu olhos. Juras malditas que sempre são tormentas para as pessoas que conhecem o fim de algo, mesmo que não saibam se ao menos teve um começo.

Eu digo que você é a personificação da morte, porque desejo estranhamente tuas mãos em volta do meu pescoço. E que teus olhos persuadem, porque a partir do momento em que os olho, viro tua submissa, sem nem pensar nas consequências que teus pedidos podem me levar. Mas não há impo…
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Eu digo que você é a personificação da morte, porque desejo estranhamente tuas mãos em volta do meu pescoço. E que teus olhos persuadem, porque a partir do momento em que os olho, viro tua submissa, sem nem pensar nas consequências que teus pedidos podem me levar. Mas não há importância. Eu te devoraria metaforicamente pro resto do pequeno infinito que teríamos, de qualquer forma. Eu inventaria uma cura para todo tipo de câncer do mundo se isso me fizesse poder te levar do inferno até ao meu lado. Garoto, você é minha ruína. Interprete como quiser, mas entenda que nada é pior do que te escutar de longe e te ver perdido entre lábios vermelhos e irresistíveis. Tudo o que eu posso te dar são beijos apaixonadinhos, e amor, se tiver sorte. Talvez possa também te dar olhares amedrontados e um pouco de prazer, mas é só isso. Eu quero te levar para o fundo do mar, para o espaço, para o céu, ou inferno, se for mais apropriado. E então você descobrirá que eu anseio por você a tempo demais. E anseio por qualquer coisa que venha da tua boca, dos teus olhos, do teu corpo. Descobrirá que o que acontece em mim não é febre, e sim, desejo por você. Eu fervo por você. Eu entro em convulsão, eu decomponho. Eu enlouqueço. Eu continuo a mesma. Te faço ser minha cura. Te faço ser meu objeto se quiseres mudar as posições. Te faço sofrer. Te faço feliz. Te faço outro homem, embora você seja todo o mal e o bem em um só, de uma maneira positiva. Porque eu te vi chegar. E eu quis isso. Quis ficar eufórica, quis sair do monótono. Quis ficar acima da tua lista de prioridades. Quis ficar por baixo de você. Quis sentir teus lábios meus, fora de mim. Quis sentir você dentro de mim.

Ele veio como um flash naquelas fotografias espontâneas. Você nem percebe que estava sorrindo, porque ele te cegou. E depois, quando volta a enxergar tudo normalmente, pensa que deveria ter sorrido mais bonito, ou então se escondido. Acho que deveria ter me escondido dele. Porque…
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Ele veio como um flash naquelas fotografias espontâneas. Você nem percebe que estava sorrindo, porque ele te cegou. E depois, quando volta a enxergar tudo normalmente, pensa que deveria ter sorrido mais bonito, ou então se escondido. Acho que deveria ter me escondido dele. Porque eu nunca conseguiria sorrir de forma que o fizesse vir atrás de mim implorando um abraço, um beijo, ou amor. Ele não fez nada além de me encontrar e me deixar perder em mim mesma. Sequer soube me explicar o que ele é, e não me deu tempo para desvendá-lo. Ou deu tempo demais. Eu enlouqueci. Fiquei entre a linha tênue de ser o melhor e o pior para ele. Mas talvez nossas exatidões não dão certo. Talvez somos uma anomalia da física porque nossos opostos não se atraem. E eu não sei ser o positivo para combinar com o positivo dele. Não sei me concentrar em qualquer outra coisa que não sejam seus sinais nas costas sendo percorridos por outros dedos, se não os meus. Porque deveria ser eu o esperando deitada na cama depois de um dia cansativo, ou puxando seu cabelo em um daqueles momentos que tiram o fôlego. Não posso com isso. Não há como se acalmar e esperar que em algum momento eu o encontre na rua e ele encare meus olhos dizendo que ainda lembra de mim. Desafiaria meus limites tentar ser paciente, enquanto não aguento um dia sem notícias dos olhos tão escuros quanto a noite. E eu continuo aqui me auto torturando, imaginando quais coxas ele está confundindo com as minhas, porque além de saber que ele é um grande canalha, também sei que ele encontra resquícios meus em qualquer lugar que seus olhos focam. É a unica coisa que me reconforta. Que não sou a única que é torturada pela pessoa que se encontra do outro lado da linha. Eu esperava que ele me salvasse do que eu sou. Mas talvez ele que precisa ser salvo, e espere que eu faça isso. E eu salvaria. Com uma, duas, ou três palavras. Com apenas um ato. E um pouco sem fôlego.

Isso. Volta. Volta e rasga todo tipo de documento que eu tenha assinado confirmando que não cairia nos teus encantos mais uma vez. Prove para mim que eu sou a vítima e você o vilão. Prove que você só está na história para me confundir, mas não para ficar comigo. Me diga palavras…
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Isso. Volta. Volta e rasga todo tipo de documento que eu tenha assinado confirmando que não cairia nos teus encantos mais uma vez. Prove para mim que eu sou a vítima e você o vilão. Prove que você só está na história para me confundir, mas não para ficar comigo. Me diga palavras ácidas que não pareçam doces saindo dos teus lábios. Vai, J., faz qualquer coisa que mude o rumo dos meus atos. Me faz jurar pro papa que eu nunca mais vou te escrever, que nunca mais vou continuar num pensamento de que futuro teríamos se déssemos certo. Você tem a vida inteira para me fazer culpada, e apenas um dia para me fazer tua. Tome sua decisão, e nunca mais olhe para trás. Nunca mais pense “e se”, porque o início da frase acaba com meu final. Destrua todos os rastros teus aqui na minha vida. Porque talvez você não saiba, mas no primeiro mês eu me senti insana. Sentia dedos em minha pele e podia jurar que eram teus. No segundo mês, me senti deslocada. Me perguntei os trinta e um dias que tipo de raciocínio me levou estar prestes a me jogar no chão, tentando fingir que só daquela forma que desabei, e não emocionalmente. E aí chegou o terceiro mês. Talvez eu esteja incompreendida, já que tudo o que escuto são vozes alertando o meu futuro arrependimento, mas talvez eu esteja os três meses juntos, porque ainda sinto teus supostos toques, ainda penso nas consequências que tive e em voltar pro começo. Não para reviver. Para recomeçar. "Eu queria ter te conhecido em outra vida."

Quando tudo começa, você acaba revelando coisas que não diz em qualquer momento. Como muitos que me conhecem, talvez não conheçam tão bem ao ponto de saber que considero um tanto quanto pitoresco ser instigada. Acho que você levou a sério quando falei que gostava disso, já que em…
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Quando tudo começa, você acaba revelando coisas que não diz em qualquer momento. Como muitos que me conhecem, talvez não conheçam tão bem ao ponto de saber que considero um tanto quanto pitoresco ser instigada. Acho que você levou a sério quando falei que gostava disso, já que em momento algum resolveu recuar e me dizer tudo o que eu perguntava, se entregando à minha teimosia. Também acho que esqueci de avisar que não era uma sensação tão boa assim. Brinquei com fogo. Não fui capaz de te desvendar suficiente, e por isso me queimei, e feio. Lamento dizer que você soube me machucar da maneira certa: me arrependendo de gostar tanto de algo perigoso. Talvez você tenha sido fogo demais, ou eu valente de menos. De qualquer forma, agora tanto faz. Um fim previsível veio à tona, embora eu esperasse que tivesse terminado de uma forma menos clichê no meu histórico de decepções. Você foi uma delas, e como se não bastasse isso, me frustrou de uma maneira cruel. Porque saio na rua e o meu vizinho tem o teu nome, meu avô tem o teu nome, aquele garoto que eu acho lindo tem um sinal no rosto bem como o seu, e o colega da minha sala tem mania de dizer coisas que você costumava falar. Tudo isso me remete você, e isso me persegue. Sei que é coisa da minha cabeça, que antes eu não me importaria com isso, o problema é que agora importa, e a chuva lá fora cai da mesma forma que eu caí nos teus braços. A trovoada reflete o vulto de consciência que falava em voz alta, mas não durava por muito tempo. Porque eu gostava de me sentir um pouco desnorteada, meio fora de um estado psíquico normal, achei que isso fosse uma forma de estar em paz. Mas agora essa tormenta me faz perceber o quão errada eu estava, que a calmaria nunca esteve nos meus planos, que meus olhos não foram feitos para encontrar os teus. Eu sempre quis essa relação tempestuosa. E o meu luto é o arco-íris. Amanhã o sol vem.

Sobre a falta de sentido em pensamentos, palavras, e emoções. Talvez alguém possa entender controvérsias ditas por mim e que eu não repare até o momento em que elas me afetam. Não possuo momentos de muita clareza nos últimos meses, devido aos meus atos entorpecentes e inconseque…
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Sobre a falta de sentido em pensamentos, palavras, e emoções. Talvez alguém possa entender controvérsias ditas por mim e que eu não repare até o momento em que elas me afetam. Não possuo momentos de muita clareza nos últimos meses, devido aos meus atos entorpecentes e inconsequentes. Venho sentindo falta de minha sanidade mental, e de quando não era necessário minhas ilusões, aquelas de que esquizofrênicos tem. Eu não havia ninguém favorito no mundo, foi quando eu ousei sorrir por um elogio feito de sabe-se lá quem, e um resumo nada mais claro do quê: aqui estou eu, escrevendo lembranças de uma realidade não tão real assim. Escutando músicas que me tragam uma sensação de encontro, pois noites mal dormidas me fazem lembrar de que ando perdida há muito tempo. E procurando algo que me mostre esperanças, além dos fins de semana, pois apenas nestes me esqueço do caos formado por mim mesma, me fazendo entornar copos desesperadamente - não considero um ponto negativo, porém não posso deixar de fora tal característica. E então eu sinto aquilo de novo, como se ainda corresse sangue em minhas veias, e talvez até mais que isso. Eu espero encontrar algo que preencha as lacunas vazias e traga razão para tudo, ou apenas em alguma coisa. Talvez eu ache um encaixe perfeito nos braços de um bom rapaz, talvez até algo mais que braços, talvez em rapaz algum. Eu não tenho certeza. Aliás, de nada.

Não dá. Posso começar falando isso? Foi como ela veio falar comigo no domingo a noite. Fiquei meio perdido. Pedi uma frase com mais sentido, ou com um “oi” antes, no mínimo. E ela “Oi.. Olha só, não dá”. Pensei que fosse ironia, implicância. Mas acho que ela só estava tentando se…
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Não dá. Posso começar falando isso? Foi como ela veio falar comigo no domingo a noite. Fiquei meio perdido. Pedi uma frase com mais sentido, ou com um “oi” antes, no mínimo. E ela “Oi.. Olha só, não dá”. Pensei que fosse ironia, implicância. Mas acho que ela só estava tentando ser objetiva. Embora tenha sido tão fria quanto as cervejas que eu tinha bebido um dia antes, juro que a imaginei com olhos lacrimejando e um semblante de quem quer acreditar que seja o melhor. Ela veio dando “oi” no maior clima de “adeus”. Controvérsias de só quem presencia o término de relacionamento sabe. Foi estranho. Eu não sei explicar sobre isso. Até porque relembrar é auto-tortura. Mas posso dizer que foi uma droga ir pro bar e saber que ela não reclamaria de eu ter ido de novo no meio de semana por não conseguir sossegar em casa. Ela entendia que era meu jeito, mas gostava de implicar com essas coisas só pra demonstrar que se importava, e eu gostava do modo como ela fazia isso. Não sei mais se gosto, se sei gostar. Não sei se eu ainda gostaria de ler em seus lábios a pronúncia do “eu te adoro” dito pra mim em bom tom. Mas eu sei que ela se arrepende. Me avisando que sentia falta e eu apenas dizendo que não esperava isso dela. Óbvio que não esperava. Acha que dá pra terminar e depois voltar dizendo que a saudade apertou e vai tudo regredir? Eu sinto muito mesmo. Falei que poderia vir conversar comigo quando precisasse da minha amizade, mas “melhor não” disse ela. Fui simpático, já que ela se encontra em uma parte da minha vida. Só que como antes não tem como voltar a ser. Desculpa, mas não dá.

Preciso falar que foi um equívoco. Jamais terá uma explicação plausível para esse "acaso" que você diz existir. Percebeu? Voltei a não acreditar em acaso. Logo eu que tinha dito que acreditava porque você também acreditava. Voltei a não imaginar nosso encontro, a não pensar em co…
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Preciso falar que foi um equívoco. Jamais terá uma explicação plausível para esse "acaso" que você diz existir. Percebeu? Voltei a não acreditar em acaso. Logo eu que tinha dito que acreditava porque você também acreditava. Voltei a não imaginar nosso encontro, a não pensar em como deve ser tua voz, teu hálito, teu beijo. Eu já nem te vejo mais em meus sonhos. Porém ainda te escuto sussurrando em meu ouvido com John Mayer tocando ao fundo. Ainda procuro nas costas de rapazes sinais que pareçam a galáxia que eu enxergava toda vez que tiravas a blusa. E ainda penso de que forma tragas teu cigarro, e como o segura entre os dedos como se fossem o pedaço de alguém que nunca sairá de dentro de ti. Quisera ser eu. Quisera eu estar entre teus dedos, percorrer teu pulmão, te fazer viciar em mim, e te matar aos poucos, consequentemente. Mas nem assim você correria para uma loja e me compraria. Você não me inalaria. Seria saudável. Usaria um adesivo daqueles de quem deseja parar de fumar. Fugiria e nunca mais voltaria. Se afastaria de qualquer um que tivesse meu cheiro. Talvez me trocaria por algo mais forte, se perderia no tal. E eu seria apenas algo na tua vida, entre tantos. "Seria". Palavra um tanto irônica, observando nossa história toda contada no passado como se nunca tivéssemos um presente. Talvez porque nunca tivemos. Provável porque nunca teremos. Você deixou claro no momento em que me escreveu coisas falando sobre o que tínhamos. Assim, no passado mesmo. Não dando chance ao futuro, e nem oportunidade ao presente. E não refresque minha memória contando as vezes em que eu tentei te deixar. Não pense que eu fui por não te amar. Adorar. Amodorar. Eu fui por saber que nem presente fomos. Que dirá futuro. Mas é. Fomos passado até agora. E mesmo estando nesse exato momento, eu não sei falar "somos". Acabou desde o início.

Me beije agora antes que eu lembre do motivo que eu quis estar agora na sua frente. Estou fitando a sua boca faz dois minutos e acho que você não percebeu minha inquietação por medo de soltar algo constrangedor, quem sabe porque acha engraçado essa minha agonia, ou porque adora s…
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Me beije agora antes que eu lembre do motivo que eu quis estar agora na sua frente. Estou fitando a sua boca faz dois minutos e acho que você não percebeu minha inquietação por medo de soltar algo constrangedor, quem sabe porque acha engraçado essa minha agonia, ou porque adora saber que é esse o tipo de reação que você me causa. Mas desde o início houve essa inquietação, um embrulho no estômago pensando cautelosamente em cada palavra a ser dita, em prol de não passar mais vergonha do que já passo. Não me pergunte por quê, não há resposta, mas eu penso mil coisas e não te conto nenhuma. Como aquela noite que você fumava seu cigarro como se fosse o último, eu pensei em jogá-lo no chão e tragar tua alma como você traga o seu cigarro. E quando enxergo a imensidão dos teus olhos e penso que não preciso mais ver a luz do dia, porque a tua escuridão me protege. Eu quis te dizer que te precisava por perto mais do que uma carga positiva deseja uma negativa e vice-versa. É estranho, eu sei, porque você me escutou várias vezes dizendo que física não é desse mundo, e agora eu faço uma comparação desse tipo. Mas é isso que você faz comigo. Me tira o sentido, me tira do eixo, me tira do rumo. Eu estava bem indo na direção sul de sei lá onde, e de repente os ventos sopram você. E aí eu quis seguir o rastro do teu perfume e chegar beijando o seu pescoço. No entanto, não havia um rastro a ser seguido. Você estava em todo lugar. Sempre esteve, e ao mesmo tempo, nunca esteve. Contradição. Eu procurei maneiras de te idealizar, e percebi que te quero a tal ponto, que eu pularia de um penhasco se fosses o perigo, e então eu te teria comigo por alguns segundos. Eu queimaria minhas retinas para te olhar se fosses o sol. Entende o que é isso? Eu ficaria cega se soubesse que você guiaria meus passos, J. Te deixaria drenar todo o meu sangue se você apenas bebesse isso, porque só há uma maneira que desejo te ver sedento, e sabes qual é. Eu beberia todas as tuas lágrimas se isso fizesse não haver mais motivos pra chorares. Esse é o meu caos. Porque ninguém bebe minhas dores. Você ficaria aí vazio, enquanto eu me afogaria bebendo as tuas lágrimas. E mesmo sabendo disso, ainda faria. Eu viraria esquizofrênica para te fazer parte do meu mundo se você fosse irreal. E talvez seja. Talvez toda a tua perfeição seja um semblante de alguém perturbado e eu não veja isso. Você pode existir ou não existir, e mesmo assim, eu seria tua. Seria de ninguém. Eu me arrependeria de todos os meus pecados se você não fosse um deles. Uma prova de amor. Ou de insanidade.