Palavras para quê?
Toca-me
Beija-me
Abraça-me
Sim!
Descreva com a palma macia da sua mão
Cada contorno do meu corpo quente
Esfregue a tua pele na minha…
Isso!
Agora faça-me vibrar
Com o seu alarme sedutor
Adivinhe o meu ponto fraco
Aí não,
Também não,
Hai céus!
Que prazer, que satisfação!
Se fores a massajar-me com a língua
Juro que te compro o vestido mais caro da loja das damas
Não!
Não faças isso
Ponha-te na posição inicial
Toca-me
Beija-me
Gostei de te amar!
Convite
Vinde a mim todo o solteiro
Pois sou o único amável e verdadeiro
Mergulhai neste poço de água viva
Comigo nunca falha a expectativa
Peço perdão
Pela falta de educação
Dirigi-lhe a palavra sem antes me apresentar
Eu sou inimigo da solidão, eu sou amar
Não é fácil me conhecer
A mim só verás com os olhos de ver
Dizem que confundo pela maneira de agir
Mas o que sou só se pode sentir
Eis que te faço um convite
Aceite-me e tenha um bom apetite
Eu sou amor
Aceite amar e esqueça a dor.
Profecia
Um dia serei poeta para todos
Tenho certeza do que lhes afirmo
Ainda que me desconheçam os povos
Um dia saberão os versos que lhes rimo
Por enquanto sou um laguna-ninguém
Conservador de contos, romances e poemas
Mas no dia em que eu for descoberto por alguém
Os meus textos substituirão cafés e cinemas
Não que me julgue o melhor dentre os piores
Mas escrevo o suficiente para um dia o ser
Agora não sou, mas inspiro-me nos melhores
Com eles muitas coisas me pus a aprender
É o dom que sem sementes em mim germinou
Não importa o tempo que terei que esperar
A verdade é que um dia serei o que sou
Poeta do povo com mil rimas para vos adornar.
Meu primeiro amor
Com o …
Por entre as pétalas das suas “mathangas”
Aprendi como é que,
Se desenha um filho
Sem noção de arquitectura
Penetrei-te amorosamente
Como o camponês
Desvirgina a terra
Na esperança de um dia
Lhe proporcionar uma bela colheita
Quando gritei Nhandayeyoôô…
Quando invoquei aos meus antepassados
Era o nosso filho estalando-se no seu óvulo,
Fecundante.
Era o leite que, amanhã, fará com que,
Os que hoje te chamam de “Nguavana”
Te chamem mulher
Contigo aprendi que,
Na vida nada mais doce pode existir
Senão essa fonte de prazer
Que as sexopatas vendem até em “Dumbanegues” .
Amor verdadeiro
Tão forte é esse amor
Tão forte como o ferro
Que tudo quebra e esmiúça
Doce é o que me faz sentir e,
Agradável a sua satisfação
Quero sempre te amar
Porque isto me serve de motivação
Crio, interiorizo e materializo
Tudo a partir do coração
Difícil é assemelhar o que sinto
Porque sinonimo nenhum serve para tal
Esse amor é especial
Não inveja, não trata mal
Não se vende
Até pode enfraquecer
Mas no fim tudo suporta.
Sempre te quis
Mesmo quando te chamava
Pelos mais pejorativos nomes
Mesmo quando acariciava os seus ouvidos
Com os mais abomináveis adjectivos
O meu coração sempre te quis
Te queria como sempre vou te querer
Não consigo dizer não a essa chama
Ela me queima como fogo quente
Mas mesmo assim te quero
Te quero porque assim eu sinto
Por mais que eu me esconda de que jeito
Esse fogo sempre vai me queimar
Me queima porque gosto
Me queima porque se não me queimar
Posso deixar de te amar
Por mais que me doa o coração
Eu sempre te quis.
Este poema, seu poema
Este poema
Na verdade foste tu a autora
Eu sei,
Não te lembras do dia nem da hora
Mas foste tu
Quem escreveu este poema
O que fiz
Se é que algo fiz
Foi desenhar em palavras
Cada gesto seu
Adicionei beijos e juras
E este poema nasceu
Este poema é todo seu.
Poema para Mondlane
Na terra onde nasci há um só arquitecto
E esse poema é prova da sua existência
Quando escrevo, é com liberdade
Com que ele me libertou
Quando amo
É com amor que ao povo amou
Esse arquitecto és tu, ponte da unidade
Nacional
Tu, imortal Mondlane
Fundador da Frente de Libertação de Moçambique
Orgulho de Mocuba, Nagande e filho de Moçambique
Tu, gigante a sonhar, rua da liberdade
Onde os Moçambicanos fazem ninho.
Espírito santo
O meu coração jaz
No desconforto da sua ausência
E desafogadamente sacio os dias
No amargo pranto da minha dor
Onde posso lhe encontrar? Oh, consolador!
Sei que de tudo quanto eu padeça
Na é grande que a vossa fortaleza
Fortaleça-me, ainda que não mereça
O mau cega meus olhos, não vejo beleza
A minha direcção é a sua graça
Ao me envolver destrói-se cada ameaça
Jesus prometeu antes de partir
E essa promessa é que me troce até a ti
Pois de nada me vale existir
Se não é para te ter aqui
Espírito, espírito consolador
Espírito, espírito fortalecedor
Que as sua bondade venha me alcançar
Porque amargos tem sido os meus dias
Baptiza-me, por favor!
Baptiza-me em nome do Senhor.
Primeira reflexão
Quando paro e analiso as coisas
Concluo que nem tudo tem lógica
Por exemplo; nem todas as moças
Na hora H despregam quem só faz cócegas
É complexa a estrada dos que vivem
Duma ou doutra forma vamos todos em contramão
Enquanto uns bendizem outros maldizem
Nota-se em ambos falta de comunhão
Há momentos que acredito que existo
Mas quando a certeza me enche de dúvidas
Duvido da certeza que me torna esquisito
Começo a subir para baixo pelas descidas
É estranho, o sol me molha e a água me suja
Me molha de tanto suar e me suja por molhar
Isso alguma vez te aconteceu? É claro que já
No sol causticante que aos pássaros faz assar.
Voz silenciada
É o grito negro
É a pele escura sobre os ossos da minha gente
É o querer inapto de um indigente
É uma boca mal aberta
Para quem não pode se expressar
É querer sem poder, aliás
Nem é uma nem é outra
É voz silenciada
Voz silenciada
Não é voz das cordas vocais
Mas sim voz que não se ouve mais
Voz de quem nunca teve voz
Voz minha, minha voz
Que para ouvi-la basta estar de longe
Porque de perto ela não se ouve
Voz silenciada ainda pode ser a tua
Se junto com a minha
Permanecerem trancadas no silêncio.
Meu maior desespero
É saber que vives dentro de mim
Mas não posso te tocar
É sentir que te amo imenso
Mas sem poder me declarar
Meu maior desespero
É te querer enquanto ausente
Te ver no meu passado fazendo juras
Para o futuro
Mas sem te ter no presente
Tudo me desespera quando fico desesperado
Mas o verdadeiro desespero
É quando não te tenho do meu lado.
Tapete vermelho
Estás num tapete vermelho
Como te fica nele caminhares
És uma imagem reflectida no espelho
Que tombo terás quando despertares
Num mundo tão real como este
Não sei como é que consegues tanto sonecar
Esse velho que tão novo coração cedeste
É caso e desfruta bela vida familiar
O que me admira nesse vosso amor
É ouvir de te que se amam sem limites
Mas que amor é esse que não dás valor
Entregando se a mim sem recreio nem convites
Não vou pedir que o deixes agora
Pois não tenho o material que ele te dá
Mas eu lhe advirto antes mesmo da hora
Largue-o, antes que a vida te prove o quanto é má.
Bassopane Vafana
Eis que vos advirto rapazes
Ainda que não seja do vosso agrado
Doravante leveis isto em cartazes
Há um mal que nos ameaça
Há uma eclosão demográfica
Que nos amordaça
Só para que tenhais noção da gravidade
Na verdade
Este mal é tão forte,
Quanto o ferro que tudo quebra e esmiúça
Ainda podemos personifica-lo em
Coelho – o animal e a astúcia
Este mal é mão por natureza
Ludibria até aos santos
Sempre que se monta de beleza.
Enquanto eu tiver voz vos advertirei;
Bassopane Vafana!
Imaginação
Quando o sabão acariciava,
O seu corpo apoiado na palma da mão
E eu em pensamentos te via
Suava e o desejo me molhava o rosto
Me sentia inútil por nada poder fazer
Mas a esperança adormecida despertava
E eu desacreditado acreditava em mim
E não via a hora nem o dia de possui-la.
Mais reflexões
No farfalhar das folhas dos tempos
E no canto dos pássaros aos ventos
Sinto a enfadonha música da vida
Marrabentando numa melodia dançante
Acusticamente mergulho na batida
E me desligo desta vida stressante
Quem sou eu quando sou eu
Morri quando nasci do pai meu
Não escolhi ser maluco e poeta
Tudo é fruto dos dias bons e maus
E da pressão que nem o morto aguenta
Pois viver é um autêntico caos
Muitos dizem: se eu pudesse escolher
Pois não sabem: viver, não viver, tudo é morrer
Esse é o lado bom da vida descansar
Não ser quando o deveria
Ficar inerte no excitante movimento do dançar
Desviver tristemente na própria alegria
Viver é isto viver é aquilo
A questão não é não querer dificuldades
Porque sem elas não seriámos o que somos
Essas são as adversas realidades
Quer queiramos, queiramos não. Tristonhos vamos.
Profecia
Um dia serei poeta para todos
Tenho certeza do que lhes afirmo
Ainda que me desconheçam os povos
Um dia saberão os versos que lhes rimo
Por enquanto sou um laguna-ninguém
Conservador de contos, romances e poemas
Mas no dia em que eu for descoberto por alguém
Os meus textos substituirão cafés e cinemas
Não que me julgue o melhor dentre os piores
Mas escrevo o suficiente para um dia o ser
Agora não sou, mas inspiro-me nos melhores
Com eles muitas coisas me pus a aprender
É o dom que sem sementes em mim germinou
Não importa o tempo que terei que esperar
A verdade é que um dia serei o que sou
Poeta do povo com mil rimas para vos adornar.
Quando te amei
Ainda era cedo para amar
Me amaste quando eu precisava
De alguém para amar
Todavia, para mim
Ainda era cedo para amar
Eu queria
Mas não devia
Porque se a ti amasse
E a mim condenasse
Esse amor de nada valeria
Porque quando te amei
Ainda era cedo para te amar.
Sonhar!
É bom sonhar
Porque se não houvesse sonhador
Não haveria poeta nem escritor
O poeta sonha amando
O seu verdadeiro amor
E o escritor desenha com palavras
O seu verdadeiro sonho.
É sempre bom sonhar.