A última folha do caderno era tipo um rascunho da minha vida.
Imagina a bagunça, imagina cada rabisco torto, cada paragrafo confuso, cada reticência pra continuar depois, cada espaço. Sim, espaços... Mas dessa vez geográficos, de distancia, e de distancia em distancia cabia um ponto final errado. Cabia um fim que nunca existiu aqui dentro, só ali escrito. Porque na teoria é sempre mais fácil, você sabe ... Sou mesmo esse rascunho sempre inacabado.
Te aceito sendo alheio a mim , Porquê sei da bagunça que eu sou. Penso as vezes, que do outro lado alguém deve te cuidar diferente , mais sou eu quem conhece todos os teus sorrisos , do mais tímido ao mais debochado e sei como fazer eles aparecerem de um jeito simples, conheço as tuas manias e esquisitices , e são delas que eu dou risada a cada vez que a memoria de você vem manifestando, no meu dia e no meu pensamento. Nessa hora vem uma vontade de ficar próximo, e pra doer menos eu vou dizendo pra mim, que os nossos passos contrários são incoerências bobas do tempo, que gosta de ficar adiando, querendo guardar a gente pra depois , pra um futuro mais maduro talvez . Uma hora ele vai se cansando e vai deixando a gente ser um do outro. E tomara que seja .
E você passa por mim como quem vem pra enfeitar os meus dias cinzas , como uma gota de afeto que visita o meu coração já quase árido , Ah ! quanta secura , e quanta vontade de ser bom de novo , fértil pra essas coisas que de forma errante a gente ainda gosta de dizer que só acontecem uma vez .
Minha menina, que muito foges de mim, diga me ?! Até onde posso ir para que percebas que eu posso ser aconchego? . Longe de tudo que possa te dar medo. Longe até da loucura dos dias, que passam de pressa e, eu sei que muito tu te assustas por medo de ser sozinha.
Onde quer que eu vá? Onde preferes que eu apareça?
Na tua janela, onde a estrelas são testemunhas dessa tristeza que chega a me doer ?
No abraço daquele que tu inocentemente imagina um dia ser seu? Por favor, que ele seja eu , que seja .
E eu que sempre fui tão precavida, dei por mim tão louca, tão largada de tudo. Tão presa a nada, a não ser que fosse por você. Pra ser sincera foi ai que eu me perdi do resto. Sendo sua. Ser só minha era muito mais fácil. Admito.
Mas acho que eu fui virando um tipo de radar de você. A sua procura/espera. E sem nenhum cuidado, sem nenhum medo de me perder de mim mesma, dei por mim também tão sua.
Então , se não for pedir muito , apenas me leve, me leve. “Just take me away”.