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Frases de Kiko Arquer

96 frases

⁠Devaneio alheio em banheiro feio, fede a receio.
Prólogo do Livro MICROCUSPEs PRÉ-CUSPE Não sou poeta, não me chame assim.
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Prólogo do Livro MICROCUSPEs PRÉ-CUSPE Não sou poeta, não me chame assim. Quando criança, na escola, uma professora de redação, dessas que vivem de dar nota, me disse: Vai, Kiko, ser gauche na escrita. Quem me dera que meus cuspes fossem leminskiados. Sinto inveja desse cachorro louco. Como é que ele consegue? Nem se eu caetanasse o que eu escrevo...sairia um inutensílio. Ponho R em Buarquer, Francisco Buarquer, pois assim me sinto mais confiante. Posso ponhar à vontade, pois sempre acerto as crases e dou rodopios nas mesóclises. "Caro leitor, escrever-lo-ía com clareza, mas..." mas (adoro conjunções adversativas), mas... descubro que mais importante do que o que quer ser dito, é o que quer ser impresso. Então, se tá feio, takai-me na ternura. Pra mim tá bão. Não páro pra pensar mesmo. (não páre o "pra" nem o "bão", muito menos "páre" este acento, pois agudo já estou). Apenas seleciono alguns versos, rimas tolas e pronto. Por fora, um status quo de bestos textos. Impressão preto & branco. centímetros de largura. pixels de altura. CMYK. Sorriso de selfie e uma voz arnaldoantuniada dizendo que o livro existe porque foi feito. Por dentro, ah...interjeições.... Trago na Pessoa a suavidade em nada se dizer. Grandes espaços em branco, Duncan to a canto. Ainda acho que um louco vai pesquisar "neologismo" no Google. Um desocupado, com certeza. Um ocioso severo, caso de morte ou vida. Me cubro de humanidade irrespiro o brio do transparente ignoro a qualidade, mas sou gente. (já falei que adoro conjunções adversativas?)

CONTO DO MEIO Quando pequeno, eu estava no aniversário de um amiguinho e pus meu dedo no bolo.
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CONTO DO MEIO Quando pequeno, eu estava no aniversário de um amiguinho e pus meu dedo no bolo. Não coloquei e tirei. Não passei o dedo. Apenas enfiei a ponta do indicador naquela parte branca. O dedo permaneceu lá, parado, enfiado, intacto. Todas as mamães me deram um sorriso falso. Os papais estavam bêbados no quintal. O único homem ali perto era o tio Carlos. Tio Carlos se escondia atrás dos óculos e da câmera fotográfica. Era bobo, agitado e gorducho. Quase sempre sorrindo. Tinha poucas, raras, nenhuma namorada. Tio Carlos atrás dos óculos, da câmera e de namorada. Meu braço esticado era a Golden Gate. Uma conexão entre minha consciência e aquele montante de açúcar. A ponta do dedo imóvel, conectada, penetrada no creme branco. Uma das mamães resolveu liderar a alcateia e me pediu para tirar o dedo. Pra que tanta coragem, perguntou meu coração. Porém meu dedo, afundou um pouco mais. Olhei-a nos olhos sem docilidade. Meu corpo imóvel. O dela recuou. Minha mamãe, sem graça, falou que isso passa. Eu atravancava, ria e dizia: - Vocês passarão, eu... - estendia a aporia. Eu era a Criação de Adão na Sistina. Era mais que Michelângelo, Era Adão no Bolo, Era Bolo em Deus. Mamães desconcertadas. Olhando umas para as outras. O silêncio reinava, o reino era meu. Mamães desorientadas. Olhando para mim. Tio Carlos com a câmera fotográfica olhava para as mamães. Acho que ele era apaixonado por umas três mamães, ou mais, ou todas. Esperei um não. Esperei um pare. Ninguém era páreo para um rei. Tirei.