Que inveja eu tenho
Do teu espelho
Ele te viu em dias ruins
Dias de zelo
Dias de coragem
Dias de medo
Dias sem maquiagem
Dias chegando cedo
Outros, tarde
Dias no aconchego
Os dias sem eu
Os dias com teu ego
Dias que estive perto
Dias que estive longe
Dias que me quis perto
Dias que me quis longe
Falando sozinha
Ou no silêncio de um monge
Teu espelho
Que inveja
Cada momento embaçado
Cada momento na tua mesa
Às vezes jogado
Como eu e esta cerveja.
E nessas madrugadas
Que tento te escrever o poema mais bonito
Que chegue perto
Do extremo que eu sinto
Para lhe mostrar
As intenções de um olhar
Planos de um futuro bonito
Vontade de te amar
Por todo o infinito
Que não se compara ao teu sorriso
Mas repito
Cada verso que te segue
Cada dia meu, aflito
Cada sonho me persegue
Do teu lado que eu vejo
Todo dia tu consegue
Despertar mais meu desejo
De te dar um beijo
Sentir-me completo, inteiro
Te anseio, minha linda
No meu texto, és bem lida
Nas manhãs da minha vida
Tua presença é sentida
Nas noites mal dormidas
Nas nossas despedidas
Cada palavra me domina
Como essas:
Seja bem-vinda, vida!
Só te deixo o boa noite
Trazendo a minha
Que é solidão e açoite
Traço cada linha
Como trago a ilusão
Da felicidade em ser minha
Mas morrendo no seu não
A distância separando
Mais um pobre coração
Te levando para longe
Mas arrancando meu perdão
Sei que te é melhor
Seu futuro sei de cor
Não tentarei te segurar
Só lembrarei de cada instante
Trarei no olho teu olhar.
Ora, você que inventou a beleza
Tenha a nobreza
De se redimir
Me deixe achar algo feio
Pois tudo, tudo que rodeio
Acho beleza, me faz sorrir
Tanta beleza
Também faz sofrer
No ato de ver
Preciso sentir
Preciso morrer
Vejo poesia em cada canto
No meu sorriso
No meu pranto
No espaço livre
No papel em branco
Esse papel em branco
Me incomoda
Cato filosofia e poesia
Tudo que tenho em volta
Essa beleza perturbadora
Me faz cuspir poesia
Limpa como tua camisa
E suja como uma vassoura.
Cinzeiro cheio
Cheio da poesia de cada um
Passaram por ele
Amor e jejum
O amor dilacerado
A esperança de mais um
Acumulou tantas cinzas
Que até são bem vindas
Para um poeta coração
Achando-as lindas
Escrevendo e admirando
Cor morta
Com o cigarro noutra mão
A caneta rabiscando
Um poema sem perdão
Cada palavra ali passada
Acompanhou uma emoção
Desde a profunda companhia
A mais amarga solidão
Existe ali tanta poesia
Que me traz mais gratidão
Por escrever e por sentir
Por amar o que me dão
Trago a dor de cada verso
Trago o que está na minha mão.
A conversa é tão confortante
Que por um instante
Esqueci do amor, esqueci do amante
Não que na conversa
Eu não tenha citado
Em cada conversa
Lembro ter lembrado
As coisas mais feias
As mais lindas, ao teu lado
Lembrei que já amei
Talvez ainda sou amado
Juntei as minhas partes
Recolhendo cada retalho
Alguns ficaram
Outros...
Não lembro de ter pegado
Assim
Melancolia me traz conforto
Se eu ver teu corpo
Saberei o que tu sentes
Saberei o que tu pensas
Pois sei de tua fé
Sei de tuas crenças
Sei de teus amores
Sei de tuas lendas
Vi todas as flores
Te entreguei minha presença
Hoje trazemos as dores
Alegria de amores
Que muito nos atormenta.
Se apaixonar
É criar esperanças sem ter alguma
É lembrar sem viver
É viver por nenhuma
Beber enquanto fuma
Beijar sem sofrer
Não esquecer de querer
E querer como nenhuma.
A esperança de te ter
É tão grande
Que nosso futuro eu pude ver
Projetei cada centímetro
Com teu olhar tímido
Que me mostra um caminho límpido
Em cada dia cinza
Teu sol brilha no quintal
No lugar das minhas cinzas
Substitui por carnaval
O meu rosto que era triste
Hoje é feliz é sem igual.
Eu sei que você veio me procurar
Me procurou nesse lugar
Como se eu fosse te encontrar
Disfarça olhando a televisão
Mas teu coração
Não disfarça a emoção
Em mais uma vez me enxergar
Corre pra todo lado
Mas não vê uma saída
Corre, como se quisesse me tirar da sua vida
Mas, como sempre, está perdida
Sorri, querendo disfarçar
Mas não esconde teu olhar
Querendo me encontrar
Nesse lugar
Eu sei que veio me procurar.
O papel me olho com deboche
Risquei com raiva e medo
Com esse café preto
Aqui no canto esquerdo
Ri e escrevi com zelo
Novamente
Tinta escorrendo livremente
Sem qualquer compromisso
Apenas deprimente
Melancolia novamente
Tudo novamente
Melancolia, Mario Quintana já dizia:
Sofrimento romântico
E eu discordaria?
Apenas entoo o velho cântico
Romântico.
Se eu morresse amanhã?
E se eu virasse lembrança?
Se meu olhar não encontrasse mais o teu?
Se meu bom dia não existisse mais?
Se minha poesia fosse morta, como eu?
Se eu não lhe esperasse mais, todos os dias?
Se eu não pudesse mais te fazer bem, quando tudo vai mal?
Se eu não vivesse para presenciar um sorriso teu? Ele existiria?
Se eu não estivesse ao teu lado, para segurar tua mão?
Se meu perfume fosse somente lembrança? Seria tortura?
Meu beijo te faria falta?
Quem te ouviria por horas, só para te ver desabafar?
Quem riria do seu riso?
Quem preencheria essa vaga ao seu lado?
Eu preenchi?
Que de nós, sentiria mais saudade?
Como seria, dormir sem meu boa noite?
Se no seu mundo, eu não habitasse mais?
Quem cantaria para você sentir-se melhor?
Quem lhe escreveria poesias e canções?
Quem dançaria sem motivo, só para te ver sorrir?
Quem ficaria feliz em apenas ouvir teu riso?
Quem te conheceria, como eu?
Eu lhe faria diferença?
Meus sonhos mais reais
É errado acreditar?
Eu sempre quero aceitar
Te ver aceitar
Me aceitar
Não custa sonhar
Na verdade
Bem na verdade
É impossível não sonhar
Ao olhar teu olhar
Só sei que sou garoto ao te ver
Sou ingênuo e sou eu
Sem merecer
Sou teu
Todo teu
Me aceites, eu suplico
Me dê um beijo
Não me deixes mais ferido
Mate meu desejo
Do eu e você
Ser unido
Tão belo quanto teu vestido
Quando casares comigo
Então me namore
Menina dos meus sonhos mais reais
Construiremos a história mais bela
De todos os casais
Sendo, simplesmente, nós
Falando a língua que a gente entende
Rindo de tudo
E nos olhando diferente
Entendendo o outro, mesmo mudo
Mas simplesmente
A gente
Eu e você
Iguais na diferença
Contentes na presença
Eu e você
Aceite essa consequência.
Nas não ditas
Desculpa se te assustei
Me perdoa se pequei
Esse é meu jeito
Um romantismo meio bobo
Acho bonito, comer pão com ovo
Sorrir pr'o povo
Rir de uma piada
Depois rir, de novo
Correr pela calçada
Descalço, feito um tolo
Sou intenso
Como dizes
Mas intensidade
Pode nos fazer felizes
Tu tens, também tenho
Muitas cicatrizes
Juntos talvez curaremos
Todas as imperfeições que podemos
Riremos do que fazemos
Nos repararemos e ampararemos
Todos os sorrisos e os choros
Compartilhados, em muitos namoros
Mas esse romantismo meio bobo
Pode ser resgatado lá do poço
Como um sedento busca água
Encontrando, vigoroso
Lembra de viver novamente
Loucamente, esplendoroso
Pensarei em te beijar
E te beijarei de novo
Bobo
Sempre bobo
Contigo sou um velho
E também sou o mais novo
Trarei em mim o teu olhar
Pra me alegrar
Tudo de novo
Manhã por manhã
Amanhecer no divã
Pra confessar o que sou todo
Todo teu como hoje e amanhã
Até o fim desse jogo
Jogo da vida
Te trago em toda despedida
Em cada esquina da minha vida
Em cada viela perdida
Em cada vida sucumbida
Em cada noite adormecida
Em minhas palavras proferidas
Mas principalmente nas não ditas
Nas sentidas.