Acho que, dessa vez, vou orar e torcer para que meu poema chegue até você,
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Acho que, dessa vez, vou orar e torcer para que meu poema chegue até você, como aconteceu antes, quando eu não esperava que a vida ainda tivesse um jeito de colocar você diante de mim. Te rever depois de tantos anos foi estranho. Mas também foi familiar. A sua risada, as nossas piadas, o mesmo humor, aquela maneira quase silenciosa de parecer que um entendia o outro antes mesmo que precisássemos falar. Era como se alguma coisa tivesse ficado guardada em algum lugar, não esperando por nós, mas esperando para ser vivida outra vez. Eu segui em frente. E, por um tempo, achei que tinha conseguido. Minha vida continuou, conheci outras pessoas, amei novamente, vivi histórias que não tinham você, e você deixou de ocupar os meus pensamentos. Achei que o passado finalmente tinha entendido que não era mais presente. Até você voltar. E então eu descobri que algumas histórias não desaparecem. Elas apenas aprendem a existir em silêncio. Porque existe alguma coisa entre nós que eu nunca encontrei em ninguém. Não sei se é amor, se é memória, se é a intensidade de quem fomos, ou se existem encontros que deixam raízes profundas demais para que o tempo consiga arrancá-las. Só sei que sempre houve uma espécie de pertencimento que era muito nosso. E talvez seja isso que mais me assuste. Eu não precisei reaprender você. Depois de tantos anos, eu ainda sabia como era estar ao seu lado. Mas não foi apenas nostalgia. Porque eu não senti falta somente de quem você foi. Foi bom estar com quem você é agora. Olhar para você e perceber que mudamos, crescemos, seguimos por caminhos diferentes, conhecemos outras pessoas, nos tornamos outras versões de nós mesmos e, ainda assim, alguma coisa continuava intacta. Não somos mais aqueles dois. E talvez nunca devêssemos ser novamente. Mas existe uma parte daquela história que ainda pertence ao momento em que estamos juntos. Talvez algumas pessoas não permaneçam na nossa vida porque precisam ficar. Talvez permaneçam porque deixaram em nós um lugar que ninguém mais soube ocupar. E você é esse lugar para mim. Eu não sei explicar por que, depois de tantos anos, a sua presença ainda consegue me devolver uma sensação que eu não encontrei em mais ninguém. A sensação de não precisar me explicar. De não precisar medir as palavras. De não precisar tentar ser nada. Apenas ser. Como se alguma parte de mim ainda soubesse exatamente quem eu sou quando estou com você. E talvez seja isso que eu nunca consegui esquecer. Não exatamente você. Mas quem eu era quando pertencia a nós. Talvez seja por isso que, depois de tanto tempo, bastou estar ao seu lado outra vez para uma parte de mim reconhecer o caminho de casa.